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Bauru ainda não terá aparelhos e implantes dentários pelo SUS

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Os bauruenses que precisam de aparelho ou implante dentário, mas não possuem condições de arcar com os custos, terão de esperar para conseguir realizar o procedimento gratuitamente. Ainda que o governo federal tenha incluído os dois tipos de tratamento na tabela do Sistema Único de Saúde (SUS), o município não tem previsão de quando o atendimento nestas áreas começará a ser realizado.

Por meio do programa Brasil Sorridente, o Ministério da Saúde oferece o custeio de todo o material necessário para a prestação do serviço, mas a Secretaria Municipal de Saúde teria de arcar com a contratação de dentistas especializados em implante e ortodontia, o que aumentaria os gastos da prefeitura com a folha de pagamento de funcionários. Mesmo assim, segundo o titular da pasta, Fernando Monti, os profissionais serão chamados, caso seja identificada a demanda para estas duas áreas da odontologia.

"Os condicionantes técnicos, como dentistas disponíveis para trabalhar, também precisam ser avaliados. Nosso objetivo é oferecer o atendimento adequado e, para isso, inclusive, vamos transferir o Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) para um espaço maior, na região central da cidade", revela, sem adiantar a data de quando esta mudança de endereço será efetivada. O CEO funciona desde 2007 dentro das dependências da Universidade Sagrado Coração (USC) e atende gratuitamente os casos de maior complexidade encaminhados pelas unidades básicas de saúde e unidades do Programa Saúde da Família.

Quando o Centro for transferido, a intenção é que comecem a ser realizados também serviços de prótese dentária e tratamento de canal, que possuem grande demanda na cidade, de acordo com informações da assessoria de imprensa da prefeitura. A ampliação do atendimento para colocação de implante e aparelhos ortodônticos com recursos do SUS, entretanto, ainda não está sendo estudada.


Dores e autoestima


Embora não haja números concretos sobre a demanda para este tipo de serviço em Bauru, dados da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (SB Brasil 2010) dão conta de que 35% da população brasileira possui alguma disfunção que necessita de tratamento ortodôntico. Na cidade, para conseguir ter acesso gratuito aos aparelhos ou implantes, a única saída é recorrer a instituições de ensino como a Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (FOB/USP) ou Universidade do Sagrado Coração, que cobram do paciente apenas o valor referente ao serviço do protético.

"O preço geralmente é mínimo e elas facilitam a forma de pagamento, assim como fazemos nos cursos ministrados pela APCD (Associação Paulista dos Cirurgiões Dentistas)", argumenta a presidente da entidade, Alba Maria Negrisoli Ribas. Mas, mesmo quando o custo é baixo, muitos pacientes desistem de dar seguimento ao tratamento por falta de condições financeiras.

"Tem uma população que desiste porque não tem dinheiro nem para pagar o transporte até a faculdade, imagina para arcar com algum outro custo extra", argumenta. Somente neste ano, na USC - onde os pacientes são atendidos por alunos de odontologia com a supervisão de professores -, 135 pessoas aguardam atendimento em ortodontia e 106 esperam por um implante dentário.

Ainda que a colocação de implante ou aparelho dentário possa parecer algo supérfluo ou meramente estético, Alba destaca que este tipo de tratamento pode interferir positivamente em vários aspectos da vida do paciente. "Dentição perfeita melhora a autoestima, a vida social e até as chances de uma pessoa conseguir emprego. Mas também tem a ver com as funções de mastigação. Muitos pacientes passam anos sentindo dores intensas até descobrir que precisavam usar aparelho para corrigir a mordida."

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Procedimentos


A ortodontia é a área responsável por fazer a correção, por meio de aparelhos bucais, do posicionamento dos dentes e da mordida, evitando problemas como dores e desconforto. Já o implante dentário visa substituir dentes perdidos. O implante pode preencher o espaço de um único dente ou mesmo toda a arcada dentária, através das chamadas "overdentures" (dentaduras fixadas na boca por meio de implantes).

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R$ 134 milhões


A inclusão dos procedimentos de ortodontia e implante dentário exigirá um recurso adicional anual de R$ 134 milhões para o programa Brasil Sorridente, oferecido em 853 Centros de Especialidade Odontológicas (CEOs) em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal. A verba será repassada pelo Fundo Nacional de Saúde (FNS) aos municípios de acordo com o ritmo de atendimentos realizados. O governo pretende fazer, somente neste ano, 1 milhão de atendimentos de ortodontia e outros 150 mil em implante dentário pelo SUS.

A portaria 718, que determinou a ampliação do programa, foi publicada em 20 de dezembro do ano passado e republicada no dia 31 daquele mês. O anúncio oficial da mudança foi feito na semana passada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante a 3ª Reunião Ordinária da Comissão Intergestores Tripartite, em Brasília.

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