Política

Tobias é aclamado presidente do PSDB

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 7 min

Como já vinha sendo previamente anunciado, a convenção estadual do PSDB escolheu o deputado estadual Pedro Tobias para presidir a legenda no Estado de São Paulo pelos próximos dois anos. É a primeira vez que um político bauruense chega a um cargo tão importante de um dos principais partidos brasileiros. A legitimidade em torno do nome do parlamentar lhe garantiu ainda mais prestígio pela unanimidade em uma convenção marcada pela presença de líderes nacionais da sigla, como o governador Geraldo Alckmin, o ex-governador José Serra e o senador Aloysio Nunes Ferreira.

Antes mesmo da aclamação do novo diretório, Tobias já era acolhido em ninho tucano com status de presidente. No hall da Assembleia Legislativa, enquanto o deputado dirigia-se ao credenciamento para o voto na convenção, foram dezenas de poses ao lado de militantes que queriam garantir uma foto com o futuro presidente da legenda no Estado de São Paulo, o principal reduto tucano, governado pelo PSDB pela quinta vez consecutiva.

Já discursando como presidente, o deputado levantou a militância presente no plenário Juscelino Kubitschek, com uma fala motivadora e bem humorada. "A assessoria preparou um discurso, mas eu joguei fora porque queria falar de coração para todos vocês", revelou Tobias. O deputado estadual antecedeu os discursos de Alckmin e Serra e agradeceu primeiramente às bases partidárias e aos militantes dos municípios. "É isso o que sustenta o PSDB até hoje: gente humilde, que carrega bandeira em época de eleição. Sem base, não há lideranças", afirmou.

Tobias deu também muita ênfase à necessidade de descentralizar as decisões partidárias a partir do fortalecimento de diretórios regionais, que conhecerão com mais precisão a realidade e as demandas da legenda em cada um dos cantos do Estado de São Paulo.

Para os eleitores de Bauru e região, o deputado garante que, mesmo com a ampliação de suas responsabilidades, continuará sendo ?bairrista? e do ?baixo clero?. "É um orgulho muito grande para mim, pois é a primeira vez que um político de Bauru chega ao comando estadual de um partido grande como o PSDB. Vamos trabalhar por todo o Estado, mas nossa região não será abandonada", avisou.

Eleições 2012

O processo eleitoral do ano que vem será o centro das atenções do mandato de Pedro Tobias na presidência estadual do PSDB. O deputado afirma que vai trabalhar 24 horas por dia com o objetivo de eleger o maior número possível de prefeitos e vereadores. "Como médico, digo que não podemos apontar o tratamento sem o diagnóstico. Por isso, vamos fazer um mapeamento do partido em todas as cidades de São Paulo para saber como vamos agir em cada uma delas", garante.

A crítica do deputado, porém, foi pela necessidade de buscar e construir militância, alegando que o PSDB pode ter mais caciques do que índios. "Nós vamos trabalhar muito e tentar reverter esse cenário", afirmou Tobias.


Lideranças

Caciques e lideranças locais do PSDB celebraram a escolha de Pedro Tobias para a presidência estadual do partido. O senador Aloysio Nunes e o presidente que passou o cargo ao aclamado, deputado federal Mendes Thames, fizeram discursos acalorados ao falar sobre o novo comando estadual dos tucanos.

O subchefe da Casa Civil do governo do Estado, Rubens Cury, destacou o fato de Tobias ter começado pela base em sua carreira política, como vereador de Bauru. "Essa conquista consolida o Pedro como nossa grande liderança e expressão política regional. Trata-se de um momento histórico", comemorou.

Para o deputado federal José Aníbal, a aclamação de Tobias demonstra a vitalidade do partido e garante caráter mais militante e disposto a manter o diálogo. "É a possibilidade de conversarmos mais com a sociedade", pontuou.

Já o vereador Marcelo Borges, provável candidato à Prefeitura de Bauru no ano que vem, pondera que é de extrema importância um representante da nossa cidade na presidência de uma legenda. "É ainda melhor porque é o partido do governador do Estado. Estou muito contente porque Bauru ganha mais representatividade e força política", ressalta o tucano.

Dois ônibus com militantes tucanos saíram da região de Bauru rumo à Capital na madrugada do domingo para acompanhar a convenção estadual do partido. Os vereadores Fernando Mantovani e Gilberto dos Santos, o Giba, não acompanharam o grupo.


Sem consenso

A presidência do PSDB estadual foi definida em torno do deputado estadual Pedro Tobias. Os outros membros da executiva, porém, devem ser escolhidos apenas na próxima quinta-feira, pois ainda não houve consenso. O principal impasse está relacionado ao cargo de secretário-geral do partido.

Atualmente no cargo, César Gontijo não abriu mão da reeleição e parece ser o preferido entre a militância. No entanto, o deputado federal, ligado a José Serra, Vaz de Lima, também não desistiu da candidatura.

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Divisões e rumos

A disputa instaurada em ninho tucano, motivada pela divisão de grupos no Estado de São Paulo e também nacionalmente, que teria sido agravada pela debandada rumo ao PSD de Gilberto Kassab por seis vereadores paulistanos e um secretário municipal da Capital, também foi assunto na convenção de ontem.

José Serra avaliou que o PSDB precisa fazer oposição. "Essa é uma vontade, inclusive, do PT. No entanto, uma oposição de qualidade depende também de uma administração de qualidade", minimizou Serra.

Geraldo Alckmin, porém, afirmou que há divergências internas como em todos os outros partidos, mas não há crise no PSDB. "Existe um partido resistindo para fazer oposição de verdade em um País onde a máquina pública tem muita força", apontou o governador.

O presidente aclamado Pedro Tobias foi incisivo ao comentar o assunto e garantiu que não existem grupos entre os tucanos.

"Nosso adversário é o PT. A cada dia a mídia fala em um novo grupo, mas somos apenas o grupo PSDB. Eu não vejo crise, pois as discordâncias nos ajudam a errar menos. E quanto aos que saíram, eles fizeram certo por não se sentirem bem dentro do PSDB. É que nem casamento, que um dia pode acabar", comparou o deputado.


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Geraldo Alckmin

Amigo pessoal de Pedro Tobias, a quem chama de irmão, o governador do Estado, Geraldo Alckmin, não poupou elogios ao deputado ao demonstrar a alegria por sua chegada à presidência do PSDB. "Ele representa a autêntica liderança porque é sincero e fala a verdade. Eu não tenho dúvida de que o jeito cativante do Pedro vá levar a social democracia para todos os cantos de São Paulo e o nosso partido sairá fortalecido", disse o líder tucano.

Alckmin também destacou o fato da carreira política de Tobias ter crescido graças à confiança de sua militância. "Ele é firme, autêntico e simples. São nos momentos de adversidade que as verdadeiras lideranças são formadas". O deputado não deixou de retribuir gentilezas e afirmou que tinha orgulho de ser político por ter ao seu lado um homem público como Alckmin.


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José Serra


O ex-governador e ex-candidato à Presidência da República no ano passado José Serra confessou que sua relação com Pedro Tobias se fortaleceu apenas nos últimos anos, mas proclamou que, nos momentos de dificuldade de seu governo à frente do Estado, o deputado estadual sempre foi o primeiro a defender a administração.

Famoso pelas piadas em seus discursos, Serra contou que a principal dificuldade enfrentada na relação com Tobias foi a dificuldade para entender seu sotaque franco-libanês. "Agora eu compreendo e acho muito legal porque lembra meu pai, que não falava português", disse.

O mais novo presidente estadual do PSDB, por sua vez, afirmou que José Serra ainda tem muito para contribuir com o partido, com o Estado de São Paulo e com o País.


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Fusão: poderá ser, mas não já


No mês passado, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso cogitou publicamente a possibilidade de fusão entre o DEM e o PSDB. O sociólogo, porém, não compareceu à convenção de ontem.

Questionado a respeito, o deputado Pedro Tobias afirma que vai participar ativamente das discussões sobre essa questão, mas acredita que a hipótese não será viabilizada antes das eleições de 2012.

Consenso entre os tucanos, porém, é a adoção do voto distrital para a eleição de vereadores. O tema esteve presente nos discursos dos principais caciques, como José Serra, Geraldo Alckmin e Aloysio Nunes.

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