Na decisão do Campeonato Paulista de 2009 entre Corinthians e Santos, Júlio César e Rafael eram goleiros pouco conhecidos até por suas torcidas. Os dois, porém, estavam lá, no banco de reservas, à espera de uma chance. Neste domingo na condição de titulares, eles vêm de atuações heroicas e certamente terão o nome gritado nas arquibancadas do Pacaembu.
Júlio César, que com uma defesa na decisão por pênaltis com o Palmeiras garantiu a vaga corintiana na final, foi o que sofreu mais tempo para se firmar. Amargou cinco anos na reserva e foi campeão brasileiro em 2005 sem nem sequer entrar em campo. Reserva de Felipe por três temporadas, ele quase perdeu lugar para Rafael Santos. A saída do titular e as péssimas atuações do colega, porém, abriram caminho para que Júlio conquistasse a vaga no último Campeonato Brasileiro.
Regular durante toda a competição, ele teve a infelicidade de falhar justamente na rodada final, em um chute equivocado que resultou no gol do Goiás. O time chegou a empatar por 1 a 1, mas não foi suficiente para conquistar o título. Nesta temporada, no entanto, o goleiro fez a torcida esquecer o deslize. Com uma zaga segura à sua frente, Júlio César tratou de fazer a sua parte e garantiu a segunda melhor defesa da competição - sofreu 13 gols em 20 jogos, só abaixo do Palmeiras (9).
Brilhou em clássicos e, contra o Palmeiras na semifinal, fechou o gol. Nos pênaltis, pegou a cobrança de João Vitor e assegurou a vaga na final. Para ele, porém, nada disso valeu se não vier com o título. "Não quero estar na história do Corinthians pelo pênalti, quero entrar por ser campeão paulista", afirmou. "Jogar bem, fazer defesas, pegar pênalti é bom para qualquer goleiro, mas história se faz com conquistas".
Com contrato renovado até 2014, Júlio César sonha com voos mais altos no clube. "Aqui é a minha casa, onde me sinto bem, não me vejo jogando fora do Corinthians, sinceramente. E quero um dia ser chamado de melhor goleiro do Brasil pela torcida corintiana. Mas quando eu merecer".
Percalço
Do outro lado, o santista Rafael deixou os mexicanos admirados nesta semana. Herói da classificação do Santos às quartas de final da Libertadores, fez defesas incríveis contra o América, em Querétaro, para arrancar o empate por 0 a 0. "Como estávamos no México, vi apenas a repercussão lá. Foi muito boa", afirmou o goleiro, que completa 21 anos no próximo dia 20.
Profissional há apenas dois anos, Rafael não teve vida fácil na curta trajetória até o posto de titular. Recém lançado por Vágner Mancini, ele era o segundo goleiro na decisão do Paulistão de 2009, mas pouco depois viveu um retrocesso. Em setembro, durante um treino, quebrou a perna numa dividida com o ex-companheiro Domingos e ficou afastado até o fim do ano.
Ele garante, porém, que não ficou mágoa. "Não tem problema, são coisas que acontecem no futebol. Depois ele foi no hospital, me ligava para saber como eu estava". Dispensado após o incidente, o zagueiro defendeu a Portuguesa e deve voltar na próxima semana à Vila Belmiro. "Torço por ele e espero que possa vir pra cá e possa ajudar a gente a ganhar títulos", disse o goleiro.
Em meados de 2010, com as falhas do titular Felipe, Rafael ganhou nova oportunidade com Dorival Júnior e não saiu mais. Novo dono da camisa 1, ele sofreu com a criticada defesa santista, considerada o ponto fraco da equipe montada por Dorival. "Criticavam muito a defesa, mas desde que eu entrei, em 66 jogos, nós tomamos em média um gol por jogo. Se for ver não é muito, pois jogamos o Brasileiro contra times de muita qualidade", defendeu Rafael. O goleiro, no entanto, reconhece que com Muricy sua tarefa está mais fácil. "Nos momentos de dificuldade, a gente não tem ficado desarrumado. Hoje, nosso time está arrumado não importa o resultado".