O adolescente Anderson Priolo dos Santos precisará ser submetido, provavelmente hoje, a uma cirurgia no braço esquerdo após grave fratura durante uma partida de futebol disputada ontem de manhã no estádio distrital Waldemar de Brito, Vila Paulista, em Bauru.
O fato, restrito ao meio esportivo, em que lesões são comuns, seria corriqueiro. Entretanto, o acidente, segundo aponta o garoto e testemunhas, teria como principal motivador uma "armadilha" que estaria ao lado do campo.
Em estado precário, como a maioria dos praças esportivas públicas da cidade, conforme relatado em matéria do JC na edição de 24 de abril, uma das laterais do campo é demarcada por um degrau, semelhante a uma guia de sarjeta. A informação é de jogadores, espectadores e até moradores próximos ao estádio.
O garoto, jogador da escolinha do São Caetano, corria para alcançar o lançamento do goleiro de sua equipe, após cobrança de tiro de meta. Foi quando ele se desequilibrou, na lateral esquerda, e caiu com o braço esquerdo prensado entre as costas e a guia de concreto.
Apavorados, espectadores chamaram uma ambulância do grupamento de Resgate do Corpo de Bombeiros, que encaminhou o garoto ao Pronto-Socorro Central. No local, de acordo com relatos da própria equipe do PS, até mesmo um médico que atendeu a vítima teria ficado impressionado com a gravidade do ferimento.
O braço de Anderson, afirma a mãe do garoto, Andréia Renata Alves Priolo, teria feito um "L" para dentro, na altura do antebraço. "O braço envergou para trás", comenta ela, aos prantos, depois de ver o filho gritar de dor, deitado sobre uma das macas nos corredores do setor de pronto-atendimento do PS.
Do lado de fora do Pronto-Socorro, antes de entrar para conversar com o adolescente - a essa altura já sob efeito de anestesia local -, era possível ouvir os gritos do menino no momento em que a equipe do PS colocava o membro de volta ao lugar, antes da imobilização.
Já aliviado após as fortes dores, a única preocupação do jovem atacante era voltar logo a jogar. "Corri para tentar aproveitar um lançamento e perdi o pé de apoio. Foi quando caí em cima do braço na guia. Ainda bem que pus a mão. Graças a Deus não foi nas costas", conforma-se o corintiano Anderson, agora à espera de cirurgia.
Segundo outras pessoas que estavam no campo, a guia teria sido preponderante para a gravidade do ferimento. O analista de sistemas Valdemir Jacinto, pai de outro aluno do São Caetano, assistia à partida e presenciou o acidente. "Ele caiu de costas e bateu o braço na guia", atesta o espectador, que ligou para o serviço de Resgate. Segundo ele, o caso é reincidente. "Há 15 dias um garoto do Sub-13 também quebrou o braço lá", aponta.
A reportagem tentou contatar, por telefone, o titular da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel) - órgão responsável pela manutenção das praças públicas esportivas em Bauru -, José Carlos de Souza Pereira, o Batata. Contudo, até o final da tarde de ontem, o secretário não foi localizado.
Mãos atadas
Na reportagem sobre a precariedade dos estádios na cidade publicada no final do mês passado pelo JC, o titular da Semel, José Carlos de Souza Pereira, o Batata, alegou que a pasta sequer dispunha de pedreiros em seus quadros. Qualquer intervenção nos estádios dependeria dos serviços de profissionais ligados à Secretaria de Obras.
Ainda na entrevista, Batata disse que o campo do Waldemar de Britto estaria nos planos para abrigar mais jogos, além das atuais disputas entre garotos de escolinhas. O campo, que conforme apurado ontem pela reportagem, possui vestígios de grama, não é usado nas disputas do futebol amador local.