Cultura

Duran Duran faz música perfeita para os anos 80 em pleno 2011

Pedro Antunes
| Tempo de leitura: 5 min

Viva o momento. All You Need is Now. O nome do 13.º disco dos ingleses do Duran Duran não poderia ser mais apropriado. Assim como o primeiro refrão da faixa de abertura: "And you sway in the moon / The way you did when you were younger / When we told everybody / All you need is now" ("E você desliza pela Lua / Do jeito que você fazia quando era jovem / Quando nós dizíamos a todos / Tudo o que você precisa é o agora"), canta Simon Le Bon, com uma voz sintetizada, bem anos 80, acompanhado dos teclados eletrizantes, toques pontuais de guitarra e baixo e bateria secos, marcando o ritmo crescente.

É um sentimento juvenil, quase adolescente. Um discurso, aparentemente, desconexo com a idade dos integrantes da banda favorita de Lady Di, todos quarentões. O que é de se espantar é que essa ideia nunca pareceu tão acertada para o Duran Duran. Depois de anos e anos de experimentalismos, algum sucesso e muitas idas e vindas dos integrantes, o grupo reencontrou o caminho da excelência. Depois de "Duran Duran" (1981) e "Rio" (1982), a banda sofreu para encontrar um rumo. A cada novo disco, outra encruzilhada. Simon Le Bon e companhia buscaram um caminho diferente, uma sonoridade nova. E na maioria das vezes, se equivocaram.

O ápice dos equívocos chegou com "Red Carpet Massacre" (2007), produzido por Timbaland (Justin Timberlake, Chris Brown, Nelly Furtado, entre outros). À revista virtual inglesa "The Quietus", o baixista John Taylor resumiu essa fase como um pesadelo. Em entrevista à reportagem, o tecladista da banda, Nick Rhodes, riu da reação do amigo. "Acho que para o John foi muito mais difícil. O Timbaland não gosta de instrumentos de corda. E isso dificultou muito a conexão com a banda. Foi totalmente diferente com Mark Ronson", diz, fazendo referência ao produtor do novo disco, que já trabalhou, por exemplo, com Amy Winehouse.

Ronson é conhecido do Duran Duran há três anos, desde um show que fizeram juntos, em Paris. "Tivemos uma ligação muito forte. E dissemos: ?precisamos voltar a trabalhar juntos?", explica Rhodes. Ouvir "All You Need is Now" é perceber que a banda está à vontade no estúdio. "E estávamos, mesmo! O Mark tem uma grande personalidade e entende muito de música. Vez ou outra ele dizia: ?que tal fazermos esse trecho dessa maneira??. E aquilo era perfeito para nós".

O ponto chave para a volta às origens foi uma frase dita por Ronson logo no início das gravações: "Sejam Duran Duran". "Cara, aquilo foi importante para a gente. Foi como se voltássemos ao manifesto de criação da banda", comenta Rhodes. "De repente, percebemos como as coisas eram fáceis". Mas, então, por que antes eram complicadas? "É difícil dizer. Simplesmente não víamos a nossa música dessa maneira. Costumo dizer que, se pudéssemos ter feito isso antes, teríamos feito", completa.

Até por isso, "All You Need Is Now" se encaixa tão perfeitamente à nova (velha) fase do Duran Duran. São jovens de 40 e tantos anos, fazendo uma música perfeita para os anos 80 em pleno 2011. Contradições dignas de uma banda que conseguiu, aos 33 anos de existência, se reinventar com uma volta ao passado. "Nos últimos 15 anos, procuramos novas coisas, mas perdemos nossas próprias referências. Neste momento, conseguimos ver o que foi erro e acerto. Acho que foi o melhor álbum que fazemos em anos", sentencia Rhodes. E, para isso, o melhor é viver o momento.


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Britânicos voltam a fazer o que sabem

Foi um longo caminho de experimentações sem sentido. Um ápice terrível com "Red Carpet Massacre", de 2007, com a produção do midas do R&B Timbaland. Não era um disco ruim, de todo modo, mas também não era Duran Duran. Com o lançamento de "All You Need Is Now" e aproveitando-se desse movimento de volta aos anos 80 - não necessariamente nessa ordem - a banda voltou com tudo - inclusive com uma apresentação no festival Coachella, na Califórnia, há duas semanas, ao lado de bambambãs como The Strokes e Kanye West.

O 13.º disco da banda completa uma trilogia iniciada com "Duran Duran", de 1981, seguida pelo excelente "Rio", lançado no ano seguinte. Todo o resto, os dez álbuns que sobraram, parecem ter sido pedras gigantescas no caminho de uma caminhada iniciada de forma promissora, mas que se perdeu entre experiências desastradas e nas mudanças dos integrantes da banda. O grupo agora soa seguro de si. Mesmo em momentos mais fracos do disco, se percebe que não houve invencionices. Um arroz e feijão bem feito. No caso dos britânicos, um fish & chips clássico. O que se volta a ouvir no álbum, porém, é a velha receita de sucessos de new wave, letras melosas e juvenis. A essência do disco é essa. Uma audaciosa proposta de tentar se desligar de tudo o que já foi ouvido do Duran Duran nos últimos anos.

A música de abertura, que também dá nome ao disco, é um aviso. Um synthpop como manda a regra, cujos teclados de Nick Rhodes e a voz distorcida de Simon Le Bon nos levam de volta aos anos 80. O disco não perde a característica dançante nas duas músicas seguintes - são poucos os momentos em que isso acontece, aliás -, mas as letras deixam de ser adolescentes. "Blame The Machines" e a densa "Being Followed" são críticas à sociedade tão dominada pelas máquinas e pela sensação de ser perseguido pela tecnologia. Chega a balada "Leave a Ligh On", que, num grande show, será responsável por aqueles momentos em que todos da plateia ascendem seus isqueiros - ou celulares - e cantarão o refrão meloso com Le Bon.

O octeto de cordas em "A Diamond in the Mind", "The Man Who Stole a Leopard" e na instrumental "Return to Know" soa pretensioso demais para um disco que se propõe a ser simples. São pontos baixos, sim, mas esperados. Eles estão voltando à velha forma. Melhor maneira de se perceber isso é na eletrizante e pueril "Girl Panic!", que cheira a adolescente com medo de falar com garotas. Uma letra juvenil que, por incrível que pareça, não soa estranha cantada por quarentões. Afinal, eles estão fazendo o que melhor sabem.

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