Igaraçu do Tietê e Barra Bonita formam uma grande família, na opinião da barra-bonitense Maria Tereza Bressanim. Ela nasceu e vive há 55 anos em Barra Bonita, mas carrega Igaraçu no coração. "Tenho familiares e amigos por lá. Convivemos muito bem com o pessoal da cidade vizinha. Eles passeiam aqui e nós vamos lá. A fusão dos dois municípios já existe na prática. Eu não vejo separação alguma além do rio Tietê."
Na opinião da doméstica Alessandra Paiva Gomes, moradora de Igaraçu do Tietê, transformar as duas cidades em uma vai trazer benefícios na área de saúde. "Em Igaraçu não tem hospital público e quando vamos para a Barra sofremos com a burocracia. Somos rejeitados. Eles fazem muitas perguntas. Querem saber se não tinha médico aqui, etc. Eu acho que seria bom unir as cidades e evitar esse tipo de problema."
Para Luciana Teche Campanha, balconista, o assunto é polêmico. "Porque na Barra Bonita os moradores têm uma condição financeira melhor do que em Igaraçu do Tietê. Os igaraçuenses são pessoas mais humildes. Os da Barra Bonita se julgam melhor."
Ela acha que, se os dois administradores trabalhassem juntos, a população de ambas as cidades ganhariam com inúmeros benefícios. "Se Barra Bonita alavanca leva junto Igaraçu. Até os projetos que têm aqui, na área de turismo, a prainha, por exemplo, poderiam ser incrementados com um trabalho conjunto."
Os exemplos não param por aí. Segundo a balconista, cerca de 50% da população de Igaraçu trabalha em Barra Bonita.
"Há pessoas que moram em Barra e trabalham aqui. Acredito que os moradores de Barra tenham um certo preconceito em relação a nós, moradores de Igaraçu. Eles não falam diretamente, mas dá para ver que eles tratam os igaraçuenses de maneira diferente, como se fossemos dependentes deles, assim como Jaú faz com a Barra, Barra faz com Igaraçu."
O comerciante Edvaldo Aparecido Saltoré, estabelecido em Igaraçu do Tietê, não aprova a unificação. Ele acha que a identidade dos igaraçuenses ficará comprometida. "Eu nasci em São Paulo e vivo aqui há 20 anos. Acho que não funcionaria, porque o pessoal que nasceu aqui não iria gostar, assim como acredito que a população da Barra também não."
O aposentado Pedro Scudeller, 75 anos, acha que o que o rio separa não dá para juntar. "A população de uma e de outra cidade nunca se deram bem. Eu morei 20 anos em Igaraçu do Tietê e faz 70 que estou aqui em Barra Bonita. Se os jovens iam namorar as meninas de lá, eles corriam atrás jogando pedras. O mesmo acontecia quando alguns deles se atreviam a vir namorar as moças de Barra."
A rivalidade também foi sentida no esporte, segundo Scudeller. "Campeonato de futebol era briga na certa. Uma vez teve até tiro. Eu acho que deve ficar do jeito que está. Os dois prefeitos deveriam brigar para reformar a ponte Campos Salles. Construída pelos alemães, ela é forte e não deve ser destruída. Ela é mais forte do que a ponte do açúcar, recém-construída."
O zelador Adenilson Marcelo Nalim acha que a união, desde que seja feita para beneficiar os moradores de ambas as cidades, é viável.
"Precisa melhorar os municípios para que os moradores vivam melhor. Aqui em Barra Bonita não tem universidades e nem grande empresas que gerem empregos. É isso que interessa, o resto é balela."