São Paulo - As companhias elétricas estudam montar uma operação de telefonia celular para que, até 2015, um cliente possa comandar equipamentos de sua casa a partir de um telefone conectado à Internet.
Algumas empresas já começaram a dar os primeiros passos. Para isso, elas pretendem investir na troca de medidores (que precisam ter um software que interage com a rede elétrica e de Internet) e obter licenças da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para virar uma "operadora virtual".
Esse é o nome que se dá a qualquer empresa (que não seja de telefonia) que oferece serviços de celular aos clientes alugando a infraestrutura (rede) das operadoras móveis (Vivo, TIM, Claro e Oi).
A Ampla, no Rio, já instalou cerca de 300 mil medidores inteligentes, o equivalente a 12% dos seus clientes. A Light instalou 160 mil e se prepara para instalar mais 100 mil em três anos.
A Eletrobras (Chesf, Furnas, Eletronorte e Eletrosul) anunciou investimentos de R$ 700 milhões em automação de sua rede. A meta é instalar 400 mil medidores.
A Cemig tem um programa chamado "Cidade do Futuro", em Sete Lagoas (MG), prevendo 80 mil medidores inteligentes.
Um medidor inteligente é capaz de não somente medir o consumo de energia em um imóvel mas também de enviar informações a cada ponto dessa rede.
Um comando de celular permitiria apagar uma luz esquecida acesa ou programar à distância uma geladeira com chip compatível.
É por isso que as concessionárias começam a pensar em montar um "braço" de telefonia móvel.
Recentemente, a Anatel recebeu pedidos de elétricas que montaram empresas para vender Internet pela rede elétrica, uma tecnologia conhecida como Power Line Communication (PLC).
Hoje, os cabos por onde passa a energia também têm fibras ópticas pelas quais trafegam dados de Internet.
Com a aprovação do regulamento que permitiu empresas se tornarem "operadoras virtuais", abriu-se um novo mercado para as companhias elétricas, que agora podem também operar telefonia celular no varejo.
A CPFL é uma das concessionárias com planos de entrar nesse mercado. O primeiro passo será estimular o pagamento de contas de energia via celular.
Ao ligar o "celular CPFL", o cliente teria um canal habilitado para pagamento realizado via Internet móvel. Isso reduziria drasticamente os custos da concessionária.
Hoje ela possui contratos com um banco mantendo uma rede de 3 mil lojas credenciadas (similar à das lotéricas que aceitam contas).
A AES Eletropaulo, a Cemig e a Copel, que também atuam na área de telecomunicações, seguem o mesmo caminho. A principal barreira é o investimento pesado nos medidores inteligentes, que ainda custam caro.