Bairros

Velha é a vovózinha!

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 5 min

Onde dois ou mais deles estão reunidos, a alegria está presente. E não importa a hora do dia, afinal, eles não sofrem do terrível mau humor matinal que assola os jovens e adolescentes. Além disso, são bem dispostos, antenados, determinados e fazem de tudo para desfrutar das coisas boas da vida. Sem qualquer moderação, é claro.

Não é difícil adivinhar que a descrição acima se trata de um grupo que a cada dia ganha mais força e está modificando o cotidiano da sociedade bauruense: a terceira idade.

"Tem de ser assim, né? Ser idoso, tudo bem, mas ser idoso bola murcha, ninguém merece!", opina Adriana Tosi Martinês, 75 anos.

Ela é uma dos 400 idosos inscritos nos projetos destinados à terceira idade oferecidos pelo Serviço Social do Comércio (Sesc) de Bauru. E vê-la transitando pelos corredores do clube não é coisa rara. Animada, Adriana participa de todas as atividades a que tem direito, e olha que elas são bem variadas: vão da bocha ao vôlei, perpassando o tênis de mesa. Tudo isso sem deixar de lado o estilo, composto pelo batom vermelho e cabelos bem ajeitados.

"Comecei o tênis de mesa há pouco tempo. Estou treinando para não fazer feio na frente dos meus netos. Nas férias, eles vão ter uma surpresa. Quero ver eles me vencerem...", planeja.

Adriana começou a frequentar os projetos destinados à terceira idade há cerca de 14 anos, por conta de um problema de saúde, na tentativa de evitar uma ponte de safena. Com uma rotina composta por visitas na casa das amigas, exercícios físicos, muita pescaria e uma boa dose de sorrisos, ela obteve sucesso, escapou da operação e hoje toma uma quantidade bem menor de remédios.

Além dela, outras 14 pessoas participam das partidas de vôlei, realizadas durante o período da tarde, no Sesc. Sob o comando dos técnicos, o grupo soa a camisa e faz do momento uma grande diversão. Não é nem preciso dizer que cada ponto é comemorado com grande vibração.

Tão animados quanto os idosos do Sesc são os alunos da turma de ginástica do projeto Universidade Aberta à Terceira Idade (Uati), da Universidade Sagrado Coração (USC).

Não há frio que os impeça de frequentar a aula. Na manhã da última quarta-feira, por exemplo, mesmo com a temperatura beirando a 12ºC, a turma não se intimidou: com muito agasalho, colocaram o esqueleto para balançar com a atividades de alongamento e caminhada.

"Aqui não tem tempo ruim", adianta Bráulio dos Santos Rosa, 69 anos, um dos poucos homens do grupo.

Bráulio começou a frequentar a Uati há 3 anos, depois que baixou as portas da padaria que mantinha e decidiu se dedicar exclusivamente à aposentadoria.

"Trabalhei muito, minha vida toda. Agora é hora de cuidar de mim. A vida de comerciante é muito sofrida, exige muito da gente. Quando optei por me aposentar, sabia que não ia conseguir ficar parado, por isso arrumei uma ocupação. Para minha surpresa, junto dela vieram muita diversão e bons amigos", comemora.


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Idosos, sim, antigos, não


Computador não é um bicho-de-sete-cabeças. Essa foi a principal descoberta de Miguel Gotzo, 76 anos, depois que ele começou a participar das aulas de informática que integram o projeto Universidade Aberta à Terceira Idade (Uati), da Universidade Sagrado Coração (USC).

Nas aulas, além de aprender o beabá da informática, Miguel fez novos e entusiasmados amigos, e, atualmente, se orgulha de saber navegar pela Internet.

"A terceira idade é uma maravilha! Não tem coisa melhor. Acredita que eu até comprei um computador? Tudo o que aprendo aqui pratico em casa", conta ele, que também faz aulas de edição de vídeo e não tem vergonha de assumir que cata milho no teclado. "Estou aprendendo", avisa.

Na opinião da maioria das pessoas, que somadas a Miguel integram a turma, a informática pode ser a porta de entrada para a acolhida e inserção dos idosos na sociedade.


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Ser ou não ser, eis a questão

Quem se aproxima da sala 21, no corredor do bloco F da Universidade Sagrado Coração (USC), não imagina que o espaço com poucos metros quadrados e repleto de carteiras abriga tanto conhecimento.

É que toda tarde de terça-feira o local é frequentado pelos alunos do curso de atualidades, disciplina que integra o quadro de atividades da Universidade Aberta à Terceira Idade (Uati).

Ali, imersos na penumbra causada pela ausência de luz por conta do projetor e sob a batuta do professor Júlio César Fernandes, os alunos discutem temas da atualidade, sem, é claro, fugir de polêmicas.

"Hoje, o tema é terroristas, mas já falamos de várias coisas. É importante para que os alunos mantenham-se atualizados, debatam e formem uma opinião a respeito", esclarece o professor.

"Nós podemos trazer qualquer tema que o professor não foge da raia. Ele está por dentro de tudo. Com isso, nos sentimos bem, inseridos no mundo", comenta Rosa Assis, 63 anos.

E opiniões é o que não faltam na sala. Ainda mais quando o tema em questão é a terceira idade.

"Acho que muita coisa precisa melhorar, afinal, o número de idosos está aumentando. Penso que deve haver mais respeito por parte da população jovem, e isso inclui não parar nas vagas exclusivas", defende Maria Helena Pinho de Assis, 69 anos, que frequenta a Uati há 17 anos e meio.

"É preciso melhorar a infraestrutura da cidade e levar as atividades para os bairros", sugere Ilza Talon, 55 anos, que aproveita a oportunidade para convidar para o 3º Uati/USC Fashion Day.

"Vai ser lindo. E eu vou desfilar, viu?! Põe no jornal, vai ser dia 20 de maio, às 20h, no Teatro Véritas". Ok, Ilza, convite feito.

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