Ter um ou mais filhos é um sonho, objetivo ou até mesmo meta de boa parte das mulheres. Ser mãe é fácil, biologicamente falando. O difícil mesmo é criar e educar. Noites em claro, idas e vindas ao médico. E quando se trata de ensinar o que é certo e o que é errado, então... Aí é que muitos pais pecam: na hora de educar, impor os limites necessários e saber onde terminam os limites do amor e começam os dos mimos exagerados. Cumprir o a frase "educação vem do berço" não é nada fácil. Mas necessário.
Ter um filho sempre foi o desejo da manicure Sidnéia Aparecida da Silva Souza e do marido Marcelo Souza. Mas no ultrassom, a surpresa: ela estava grávida de dois meninos. "Ficamos surpresos ao saber que teríamos dois filhos e não seguramos as lágrimas que desciam por um misto de alegria e medo. Afinal, se criar uma criança não é fácil, imagine dois de uma só vez", lembra.
Pesando apenas um quilo e meio cada um e prematuros, os gêmeos Matheus e Lucas nasceram há 8 anos. Devido ao pouco peso, os meninos passaram 26 dias internados antes de irem para a casa. E este foi apenas o primeiro obstáculo do casal. "Não tivemos ajuda de nossas famílias e a dificuldade financeira sempre esteve presente na criação dos meninos, mas ela nunca foi maior que o amor e a educação", conta a manicure.
Sem carro, a entrevistada conta que levar os meninos ao pediatra foi outra dificuldade encontrada, já que o marido trabalhava quase o dia todo e eles precisavam ir juntos até o médico de ônibus, pois não tinham carro. E mesmo com toda a dificuldade inicial, Sidnéia afirma que ser mãe de gêmeos foi o maior presente que a vida lhe deu e torná-los homens de bem passou a ser seu principal objetivo.
Castigo x educação
No livro "Como Educar Meu Filho" (Publifolha), a psicóloga Rosely Sayão coloca de forma didática as principais dúvidas dos pais acerca da educação dos filhos. Como proibir algo que a maioria das crianças estão fazendo? Será que meu filho fará escondido? Como impor castigos, horários e proibições? Qual é a melhor maneira para abordar temas como sexualidade, drogas, violência, entre outros? São apenas alguns dos temas abordados pela psicóloga que acredita que, educar um filho, ao contrário do que se tem visto, ainda significa ensinar valores morais, princípios e os valores das virtudes. E nesse contexto, o que menos importa é se estão sendo modernos ou caretas. Para Sayão, o que não pode é os pais se omitirem da responsabilidade da educação.
"Participar é fundamental"
Os primeiros três anos de Matheus e Lucas contaram com dedicação total da mãe, que parou de trabalhar para cuidar dos garotos. "Acho que os cuidados da mãe nessa fase da vida não se comparam a nada. Só depois que eles completaram três anos é que voltei ao trabalho", lembra Sidnéia.
Mesmo trabalhando fora, a mãe sentia necessidade de passar mais tempo com os filhos para cuidar mais de perto do crescimento e da educação deles. Foi quando decidiu trabalhar em casa para participar mais da vida dos dois. "Acredito que os pais devem estar sempre atentos aos filhos. Minha educação é rígida, sim, mas o amor e o carinho estão sempre presentes. Educo e mostro a realidade porque considero extremamente importante mostrar o que é certo e errado".
Atividades de rotina, como fazer o dever de casa, ir à igreja e até mesmo as brincadeiras são sempre acompanhadas pela mãe que, além de "conselheira", também é amiga dos gêmeos. Na hora de ir e de voltar da escola, lá está ela, toda dicada. "Para você ter ideia da nossa cumplicidade, até mesmo quando estou na cozinha eles estão juntos conversando e me ajudando em alguma coisa. Conversamos sobre tudo, pois também considero o diálogo fundamental para a educação", finaliza.