Ser

Mudança de comportamento

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 3 min

A definição do dicionário Houaiss da Língua Portuguesa define maternidade como o estado e a qualidade de mãe, além do laço de parentesco que une a mãe e seus filhos. Mas a maneira dessa relação acontecer varia de acordo com a religião, cultura, costumes e vem mudando através do tempo.

Assim como mudou o papel da mulher, que hoje tem fundamental importância para o mercado de trabalho, a relação mulher e mãe também mudou. De acordo com a socióloga e coordenadora do curso de jornalismo da Universidade Paulista (Unip), Maria Cecília Martha Campos, a maternidade deixou de ser a condição fundamental para a plena realização da mulher. Passou a ser uma questão mais de foro íntimo, pois não há um único modelo a ser seguido. Assim, há mulheres felizes que rejeitam a maternidade e outras para quem ela é essencial.

A socióloga acredita que a forte relação de amizade e cumplicidade entre mães e filhos já vêm ocorrendo há algumas gerações, porém, a forma de se relacionarem mudou. "Meus pais me acompanharam, assim como eu e meus irmãos também acompanhamos nossos filhos a muitos bailes e festas. Hoje são as baladas, com outro formato, adequadas para as novas gerações de novos pais também companheiros. Como socióloga e mãe, acho que a companhia dos pais é saudável e desejável, pois pode favorecer o diálogo, sem que se perca de vista a diferença dos papéis específicos que cabem aos pais de orientar e expor a necessidade dos limites aos filhos", opina.


Companheira de todas as horas

"Sou uma mãe muito moderna, sim", afirma a dentista Sandra Grandi. E um dos principais motivos pelos quais ela assim se considera é pelo fato de literalmente "cair na balada" com os filhos.

Mãe pela primeira vez aos 17 anos, Sandra lembra que sempre quis os filhos por perto, por isso a casa era palco de constantes reuniões entre amigos. Mais tarde, com o fim do casamento e já habituada ao convívio com os mais jovens, ela e os filhos passaram a ser ainda mais amigos e unidos.

"Passamos a sair juntos em bares, festas e boates. Meu filho Rafael, por exemplo, não me deixa ficar sozinha em casa. Diz para eu me arrumar porque não ficarei em casa de jeito nenhum. Para você ter ideia, até para festas raves eu já fui. Acredito que sair com os filhos é uma maneira de conhecê-los por inteiro. Conheço meus filhos em casa, na balada, tristes, felizes, dançando...", ressalta.

Com relação à criação e educação que teve dos os pais, a dentista lembra que a mãe não era tão aberta quanto como ela é, porém, o pai era festeiro e acompanhava a filha aos bailes.


Mãe e amiga

Sandra acredita que é possível e muito importante separar a mãe da amiga quando necessário. Sempre que convém, ela dá conselhos e até broncas em seus herdeiros, como toda mãe deve fazer. A diferença é que Sandra está sempre pronta, também, para servir de companhia para as festas mais divertidas. "Os benefícios de uma relação assim é a confiança adquirida um em relação aos outros. Tenho três filhos: Rafael, Renan e Jhenifer, além de uma neta que acabou de nascer".


____________________

Maternidade tardia também reflete mudanças


Embora seja considerada de risco por médicos e especialistas, é cada vez mais comum mulheres terem filhos depois dos 40 anos. Principalmente por optarem pela realização profissional antes da maternidade, o número de filhos também vem sendo sensivelmente reduzido.

No mundo dos famosos, a cantora Ivete Sangalo teve seu primeiro filho, Marcelo, aos 37 anos. A apresentadora Luciana Gimenez, mãe de um filho do astro Mick Jagger, teve seu segundo filhos aos 41 anos. Mas, quem lidera a lista é mesmo a atriz Solange Couto. Grávida aos 54 anos, sua gestação é considerada rara pela medicina.

Comentários

Comentários