Ser

Mais que especiais

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 5 min

Mãe-avó

Sabe aquela história que diz que os netos são filhos feitos de açúcar? Na casa de dona Neide de Litorais César essa história é bastante conhecida. Isso porque, além de avó, ela criou a neta Gabriela Cristina Meireles César, 13 anos, como filha.

Tudo começou quando o filho, pai de Gabriela, teve um relacionamento e dessa união, uma filha. Como o relacionamento não deu certo, a mãe e o pai da menina decidiram que o melhor para Gabriela seria ficar aos cuidados da avó paterna. E assim começa a história de carinho e amor entre as duas.

"Tenho sete filhos, mas considero que são oito, porque Gabriela é mais do que uma neta, é realmente uma outra filha. Meu filho construiu um outro lar e ela continuou comigo. É um amor indescritível", diz dona Neide.

Como o contato com a mãe é muito importante, a dona de casa conta que a mãe de Gabriela tem passe livre para ver a filha quando quiser, e que fez questão de explicar para a menina que ela é sua avó. "E é assim que ela me chama".

Quanto à educação, há quem diga que avós são menos rígidas, porém, a disciplina com que dona Neide educa a neta é a mesma com a que criou os outros sete filhos. Ao menos é o que ela diz: "Não gosto de filho desobedecendo ou falando alto com os pais. Ela me obedece. Se pudesse explicar, diria que tenho um amor de avó e mãe juntos, embora realmente acho que os avós curtem mais os netos".


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Mais de oito décadas
e 48 descendentes

"Crescei-vos e multiplicai-vos". Após décadas de vida e muitas histórias para contar, dona Catarina Bighetti Rodrigues pode realmente dizer que cumpriu o mandamento bíblico e espalhou suas raízes. Hoje, aos 86 anos, ela contabiliza 8 filhos, 25 netos, 15 bisnetos e uma história de amor sem tamanho com a família.

"Amo tanto minha família que peço a Deus que me leve antes de ver um deles partir. Ser mãe é ter um sentimento muito bom dentro da gente. É ter muita vontade de viver para estar com a família. Amo todos os meus filhos da mesma maneira. Lembro-me do nascimento de cada um deles e da emoção sentida", afirma dona Catarina.

Uma das histórias preferidas da entrevistada é falar sobre o nascimento e o amor que sente pelos filhos. Ela lembra que, quando nasceu a primeira filha, chegou a dizer para sua mãe que não teria outros filhos porque não conseguiria amar da mesma forma, já que achava impossível sentir amor maior que aquele. Porém, ela ouviu de sua mãe que esse amor seria dividido igualmente entre todas as crianças que gerasse.

"Contudo, a cada filho que nascia, eu não sentia que o amor era dividido, mas sim multiplicado. Meu amor de mãe ia aumentando a cada parto e não se dividindo. Impossível explicar tanto amor", emociona-se ao falar.

Mesmo tendo filhos morando fora da cidade e até fora do País, dona Catarina faz questão de reunir a família em todos os seus aniversários e Natais. "No meu aniversário de 85 anos, por exemplo, fizemos uma colcha de retalhos onde cada parte resgata a história da nossa família", lembra.


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Marinheira de primeira viagem

A história da adolescente Carla Bianca de Oliveira Benites, 14 anos, não é diferente da história de muitas meninas de sua idade. Ainda sem experiência, ela engravidou e se deparou com uma realidade diferente da que estava acostumada. Um misto de medo, alegria, insegurança e amor passou a fazer parte dessa nova fase.

"Tudo aconteceu de repente. Ser mãe é algo totalmente diferente do que eu estava acostumada, mas posso dizer que estou feliz e que é uma sensação muito boa mesmo", relata Carla que é mãe do pequeno Lekatron Fernando Benetis Rodrigues, de pouco mais de um mês.

Ainda estudante, a nova mãe agora divide seu tempo entre o colégio e os cuidados com o bebê. Uma responsabilidade e tanto para quem ainda não completou os 15 anos. E como tudo na vida tem seu lado bom e ruim, a experiência de ser mãe e de sentir o amor único proporcionado pela maternidade é a principal alegria da nova fase de Carla, porém, ela acredita que há preconceito em relação à maternidade na adolescência, e isso é o que a entristece. "Ser mãe é um presente, sim, mas meu conselho para as meninas é que se cuidem e que tenham filhos mais tarde, quando estiverem mais preparadas para essa grande responsabilidade", aponta.


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Ser "pãe" é...

Uma relação gostosa, divertida e repleta de brincadeiras. Além de pai e filho, amigos. Assim é a rotina do promotor e vendas Jefferson de Souza Vieira e do filho Ítalo Senyor da Silva Vieira, 10 anos, que vivem juntos há sete anos, desde que Jefferson rompeu o relacionamento com a mãe do garoto.

"Sou como o pai e a mãe dele, porque, além de educar, também cuido de suas atividades diárias. Por exemplo, na hora de brincar, eu brinco, mas também converso muito com ele e dou conselhos sobre as coisas da vida, sobre o que é certo e o que é errado. Ele já é quase um adolescente e me preocupo", afirma Jefferson.

Pai e filho dividem a casa e a vida com a avó paterna de Ítalo e Jefferson confessa que a mãe chega a dizer que tem dois garotos em casa. "Ela diz isso porque fazemos uma festa mesmo. Brincamos juntos, jogamos videogame, futebol...É uma relação muito bonita e saudável", diz o "pãe".

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