Internacional

Ataques deixam 12 mortos no Cairo


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Cairo - Confrontos entre muçulmanos e cristãos coptas deixaram 12 mortos, mais de duzentos feridos e duas igrejas incendiadas num subúrbio do Cairo revivendo as tensões sectárias no Egito. Foi o pior episódio de violência no país desde a renúncia do ditador Hosni Mubarak, em fevereiro, quando uma junta militar assumiu interinamente o poder.

Mais de 190 pessoas foram presas após os confrontos e o governo prometeu usar "mão de ferro" contra os que ameaçarem a segurança do país.

A tensão sectária é mais um fator de instabilidade na tortuosa transição do país para a democracia. A minoria cristã (10% da população de 85 milhões) acusa o governo militar de não fazer o suficiente para protegê-la.

Segundo testemunhas, tudo começou quando centenas de muçulmanos extremistas atacaram uma igreja no distrito de Imbaba, a nordeste da Capital.

A fúria foi motivada por rumores de que uma mulher copta casada com um muçulmano era mantida à força na igreja para ser impedida de converter-se ao islã.

Teve início um confronto, com trocas de tiros e bombas incendiárias, que colocaram fogo em duas igrejas e um prédio residencial.

Relacionamentos entre membros de confissões diferentes são um tabu no Egito e motivo de choques frequentes entre cristãos e muçulmanos. O casamento de um cristão com uma muçulmana é ilegal, a menos que o homem se converta ao islã.

No mais recente incidente, muçulmanos salafistas (ultraconservadores) atearam fogo a uma igreja copta na cidade de Sol, ao sul do Cairo, em confrontos que deixaram dois mortos.

Há meses grupos islâmicos conservadores protestam contra o caso de Camelia Shehata, mulher de um padre copta que desapareceu no ano passado. Eles alegam que ela foi confinada contra a vontade pelos cristãos após converter-se ao islã.

O ataque de sábado à noite no subúrbio de Imbaba foi motivado por uma outra mulher cristã, que também estaria na mesa situação.

Durante os 18 dias de protestos que derrubaram o ditador Mubarak, cristãos e muçulmanos viveram um raro período de solidariedade, colocando de lado as desconfianças pelo objetivo maior de mudar o regime.

Mas, desde a queda do ditador, houve um aumento dos atritos sectários, alimentados principalmente por grupos ultraconservadores que eram reprimidos na época de Mubarak e agora tornaram-se ativos.

Sem confiança nos militares para protegê-los, os coptas exigem ajuda estrangeira.

"Se o governo egípcio e o Exército são incapazes de nos proteger, apelamos à comunidade internacional e aos EUA especificamente", disse o ativista Bishoy Abdo, durante uma manifestação em frente à embaixada norte-americana.

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