Com marcas de agressão por todo o corpo, cortes no pescoço e na cabeça, o comerciante Gildásio da Cunha Silva, de 42 anos, foi encontrado morto no início da manhã de ontem. O corpo, encontrado na beira de uma estrada de terra na zona rural de Piratininga, estava enrolado em um cobertor. Silva foi morto por golpe de faca que atingiu o pescoço dele.
A primeira hipótese da polícia é a de que Silva tenha sido vítima de latrocínio - roubo seguido de morte. Porém, a linha de investigação ainda apura a possibilidade de sequestro-relâmpago.
O caso
A polícia de Piratininga foi acionada logo de manhã, por um pedestre que se deparou com o corpo. Nas proximidades, os policiais também encontraram um colchão com várias marcas de sangue.
Como a vítima estava sem documentos, a polícia só conseguiu identificá-la após cogitar a hipótese de que ele pudesse uma vítima de um roubo registrado na madrugada de ontem, em Bauru. No boletim de ocorrência (BO) de assalto à residência, Zilda Maria da Silva, 69 anos, relatava que o marido, Gildásio Silva, havia saído de casa por volta da meia-noite para uma caminhada, algo que fazia costumeiramemente, sempre após fechar o bar de propriedade de ambos.
Porém, por volta das 2h40, Silva ainda não havia retornado para casa, momento em que dois assaltantes ? um deles armado com revólver - invadiram a residência do casal de comerciantes e surpreenderam Zilda, que foi amarrada e trancada no quarto do casal. Os assaltantes levaram dela um bracelete, uma aliança e um cordão de pescoço, tudo em ouro. Ainda apanharam alguns frascos de perfume do quarto e passaram a questionar a vítima sobre joias e arma, que Zilda alegou não ter.
Enquanto a vítima era mantida amarrada, os assaltantes vasculharam a casa. Depois de uma hora, Zilda conseguiu se soltar e constatou que a dupla havia fugido e também levado garrafas de bebidas alcóolicas. Ainda consta no BO que os assaltantes teriam arrancado a fiação do telefone, para que a vítima fosse impedida de utilizá-lo.
Ainda de acordo com o BO, os ladrões entraram na casa fazendo uso das chaves que estavam com o marido. Tal pista leva a crer que os ladrões abordaram Gildásio Silva na rua e se apossaram das chaves da casa e da carteira deles. Após o assalto, ambos objetos foram deixados na casa, avistados por Zilda.
A PM foi acionada e tentou localizar o comerciante e os assaltantes, seguindo as características passadas pela mulher, mas não obteve êxito.
A polícia trabalha com a hipótese é que o comerciante teria sido abordado, rendido e sequestrado pelos dois assaltantes, que o esfaquearam no pescoço e na cabeça e deixaram o corpo em Piratininga. Em sequência, suspeita-se que a mesma dupla tenha assaltado a residência de Gildasio, na Vila pacífico, onde estava sua esposa.
?Gil? era comerciante querido
Segundo amigos, o casal Zilda e Gildásio "Gil" da Silva, estava junto há poucos anos. Os dois tocavam o bar em parceria. "O estabelecimento era da minha irmã e Gil ajudou-a a reerguer o negócio. Eles se davam bem, Gil era muito querido por todos", comentou a irmã de Zilda, que preferiu não ser identificada.
Já os vizinhos afirmaram que o comerciante era bem entrosado com os moradores, educado e simpático", alegou uma vizinha. Até por isso, os entrevistados não entendem os motivos de tanta brutalidade.
Segundo o delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Carlos Alberto Gomes Alves da Silva, tudo indica que a morte do comerciante tenha sido resultante do roubo e, por enquanto, suspeita de latrocínio.
Antes de ser morto, ele teria sido agredido fisicamente, pois o corpo continha muitas marcas. Pela análise da polícia, ele teria sido ainda esfaqueado no pescoço e cabeça, que apresentava corte profundo.
Trata-se da 12ª morte violenta registrada em Bauru neste ano.