Bairros

Casos de dengue se aproximam de 3 mil e população vive com medo

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 2 min

A cada dia, são confirmados novos casos de dengue em Bauru. Com a epidemia que parece não ter fim e os recentes casos de morte pela doença, a população passou a viver com medo. Ontem, a Secretaria Municipal de Saúde confirmou o registro de mais 79 casos autóctones da dengue na cidade. Assim, Bauru já totaliza agora 2.750 ocorrências, sendo 2.744 autóctones e seis importados.

Além desse número assustador, que caminha diariamente para os 3 mil casos registrados, em apenas 15 dias Bauru registrou as primeiras mortes pela doença na história da cidade. A primeira vítima foi um homem de 67 anos, morador da Vila Garcia, que esteve internado no Hospital Estadual (HE) do dia 14 até 21 do mês passado, quando morreu.

O segundo óbito ocorreu na última quarta-feira, quando a comerciante de 47 anos Fátima Aparecida Pereira da Silva, moradora do bairro Pousada da Esperança 1, morreu no Hospital de Base (HB) depois de uma semana do aparecimento dos primeiros sintomas.

E é exatamente devido à morte de Fátima que o medo se instalou no bairro onde ela residia. Grávida de dois meses e mãe de um filho de 5 anos, a dona de casa Andréia Rodrigues Bráulio, 27 anos, conta que o padrasto foi infectado pelo mosquito Aedes aegypti neste ano e está assustada com a possibilidade de outras pessoas de sua família também ficarem doentes.

O problema do entulho é agravado, pois, no bairro, muitos dos moradores sobrevivem como catadores de recicláveis. "Não somos contra o trabalho deles, mas é preciso ter o mínimo de higiene. Os agentes da prefeitura vêm aqui e ficam sem ter o que fazer, porque a quantidade de lixo é imensa. Acabam só orientando, tirando água de pratinhos e garrafas, mas é claro que só isso não resolve", denuncia a cabeleireira Ana Maria de Souza, 40 anos. Por conta de toda a preocupação diante da gravidade do problema, muitos moradores decidiram limpar e capinar, por conta própria, alguns terrenos do bairro. A falta de nebulização também é preocupante. Segundo a vizinhança, o fumacê não é passado no bairro há pelo menos dois anos.


Sob suspeita


Além dos dois óbitos já confirmados, outra morte ainda é investigada pela Secretaria de Saúde. O garoto Marcos Kazui Soga, de 4 anos, morreu na quinta-feira com vários sintomas compatíveis à doença.

Entretanto, a causa da morte ainda não foi confirmada. "Ainda não confirmamos que essa morte foi em decorrência da dengue hemorrágica. Essa confirmação demorará um pouco ainda, pois, também há a hipótese de que ele tenha morrido vítima de leishmaniose. Então, estamos nas investigações", explica o secretário municipal de Saúde Fernando Monti.

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