Regional

Ladrões fazem ?arrastão? e furtam oito imóveis de loteamento de Arealva

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 6 min

Arealva ? Entre a noite de anteontem e a madrugada de ontem, ladrões fizeram um verdadeiro "arrastão" no Loteamento Nova Marilândia, na zona rural de Arealva (41 quilômetros de Bauru). Segundo informações extra-oficiais, pelo menos oito imóveis teriam sido furtados. O alvo dos assaltantes, na maioria dos casos eram motores de barcos e eletrodomésticos de valor. Moradores reclamam da falta de segurança na região. Já a Polícia Militar (PM) diz que faz patrulhamento diário em toda a cidade, além da patrulha na zona rural. Até o fechamento desta edição, a polícia não tinha pistas dos acusados.

De acordo com o proprietário de um dos ranchos invadidos, que preferiu não se identificar, apesar de incomum na região, que fica distante cerca de 12 quilômetros do Centro da cidade, crimes como esse deixam os moradores com uma sensação de insegurança.

Como ele não mora no imóvel, assim como as outras vítimas - todas com propriedades na beira do rio Tietê - o furto só foi percebido ontem pela manhã, por volta das 8h, quando o caseiro foi até o local. "No meu caso, o rancho tem alarme e eles cortaram toda a ligação do equipamento", conta.

A vítima afirma que seu rancho teve cinco portas arrombadas, um prejuízo que pode chegar a R$ 15 mil. Do local, segundo ele, foram levados um motor de popa, lavadora de alta pressão, micro-ondas, cortador de grama, bebedouro elétrico, entre outros equipamentos. Ontem à tarde, o pai dele foi até o rancho para consertar as portas e retirar o que não foi furtado.

O proprietário acredita que, ao contrário de ocasiões anteriores, quando os ladrões chegaram pelo rio, o acesso aos ranchos desta vez foi feito pela lateral do loteamento, próximo à estrada que dá acesso ao bairro rural. "E eu acho que eles vieram com um caminhão porque foram levados muitos bens de muitos ranchos" diz.

A vítima reclama do patrulhamento existente na região e fala que a presença de viaturas não é fato constante. "Em Bauru, a gente também já foi assaltado várias vezes e essa sensação de insegurança fica por um bom tempo. Até você esquecer, você fica preocupado", desabafa.

O sargento Adauto, comandante da PM de Arealva, disse que o caso está sendo tratado como furto continuado. Até ontem à tarde, ele disse que sabia do furto de quatro imóveis apenas. Questionado sobre o patrulhamento na região, o comandante limitou-se a informar que o loteamento está incluído na rota da Patrulha Rural.

A Polícia Civil não soube precisar o número exato de vítimas. Ontem, apenas uma havia registrado boletim de ocorrência (BO). Na delegacia, a reportagem recebeu a informação de que a Polícia Civil estava aguardando a presença de donos de outras residências furtadas para registro de um único BO. Os policiais também confirmaram que o número de vítimas pode chegar a oito.

____________________

Patrulhamento urbano e rural


O tenente Gustavo Barbosa, sub-comandante da 6ª Companhia da PM, com sede em Pederneiras, responsável por Arealva, conta que a região onde ocorreram os furtos é atendida por duas modalidades de patrulhamento - urbano e rural. "Inclusive, existe cartão de prioridade de patrulhamento constando todos os bairros, horário em que deve ser feito o patrulhamento", declara.

Segundo ele, no caso da patrulha urbana, uma viatura percorre todas as regiões da cidade ininterruptamente. Já no caso do patrulhamento rural, duas equipes, cada uma composta por dois policiais, trabalham em regime de 12 por 36 horas, também diariamente. "Os horários são diferenciados, de acordo com as necessidades nossas", explica.

Questionado se a PM irá adotar alguma medida para reforçar a segurança na zona rural de Arealva, o tenente informou que isso já foi feito. "Em Arealva, o comandante do município, o sargento Adauto, já intensificou o patrulhamento na região até para aumentar a sensação de segurança dos moradores", afirma.

O sub-comandante revelou ainda que, apesar do município não contar com o Comitê de Segurança Rural, o projeto está em andamento. "O sargento Adauto está fazendo trabalho de divulgação, tentando convencer alguns cidadãos a participarem com ele do Comitê de Segurança. Mas ele está tendo dificuldades exatamente nisso ? no convencimento de alguém para assumir a presidência e pessoal para estar trabalhando", diz. "Ele já conseguiu formar lá o Conseg urbano".

____________________

Tenente-coronel quer criação de Comitê de Segurança


O comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4.º BPMI), tenente-coronel Nelson Garcia Filho, defendeu ontem a criação de um Comitê de Segurança Rural em Arealva, a exemplo do existente em municípios da região como Bauru, Lins, Pederneiras e Pirajuí. Segundo ele, com o fortalecimento da relação entre os moradores da zona rural e a PM, até mesmo o acionamento do helicóptero Águia, que opera num raio de cerca de 60 quilômetros de Bauru, fica mais fácil.

"Os proprietários frequentam essas reuniões mensalmente e lá, recebem dicas de segurança e sabem quem são os sargentos, tenentes e capitães que comandam aquela região", explica. "Acho que é uma grande oportunidade para estar falando nessa questão porque se ele (proprietário) não sabe quem é a pessoa que está cuidando da segurança dele, quando ele tiver um problema de segurança, não sabe com quem falar".
Na opinião do comandante, muitos moradores não se preocupam com a prevenção de crimes até enfrentarem uma situação como a de ontem, quando diversos ranchos (o número pode chegar a oito) foram furtados. "Muitas vezes, as pessoas não nos procuram até que o problema aconteça", diz. "Ele (Comitê de Segurança Rural) não fica atraente a partir do momento em que você não tem nenhum problema".

O tenente-coronel não acredita que o patrulhamento seja decisivo na prevenção de furtos e roubos. "O que funciona muito bem é você fazer reuniões com a comunidade e passar dicas de segurança", afirma. Ele destaca ainda o programa "Vizinho Solidário", onde um "toma conta" da casa do outro. "O sargento passa todos os telefones para as pessoas que são daquela região de forma que cada morador tenha os telefones tanto da Polícia Militar quanto de cada morador", pontua.

Em Pirajuí, segundo o capitão Martins, comandante da 2ª Companhia da PM, responsável por Reginópolis, Balbinos, Avaí, Pirajuí e Presidente Alves, apesar dos baixos índices de furtos e roubos, sobretudo de gado e insumos agrícolas, a criação do Comitê de Segurança Rural e da Patrulha Rural vem contribuindo para reforçar a sensação de proteção dos moradores dos sítios, chácaras e fazendas na região.

O patrulhamento, segundo ele, é direcionado às estradas vicinais e acessos rurais onde há um movimento maior de veículos e máquinas agrícolas. "A gente procura direcionar o patrulhamento conforme a característica de cada local", diz. "Procuramos manter contato com essas pessoas, usuários das vias, e também com os proprietários rurais seguindo um cadastro que temos", conta.

Durante esse contato, o capitão explica que os moradores recebem panfletos com dicas de segurança para dificultar a ação de eventuais criminosos. "É uma via de mão dupla porque a gente passa para essa comunidade as orientações que nós queremos passar relacionadas à prevenção primária, aquelas medidas básicas que a própria pessoa pode tomar para garantir a segurança do seu patrimônio, e também recebemos informações sobre eventuais suspeitos".

Comentários

Comentários