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Oportunidades do turismo

Luiz Gonzaga Bertelli
| Tempo de leitura: 2 min

A França sempre mostrou resistência à influência cultural de outros povos. Esse espírito é bem ilustrado pelos esforços do personagem Asterix, criação de Uderzo e Goscinny, em defender a Gália da dominação romana. Mas nem os gauleses esperavam por essa: o cabaré parisiense Lido já está servindo comida indiana e a loja de departamento Printemps só contrata vendedores que, além do francês e do inglês, dominem pelo menos um terceiro idioma ? preferencialmente português, russo, chinês ou árabe. A transformação foi motivada única e exclusivamente pelo aumento no fluxo de turistas de nações emergentes como as BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). Ou seja, mesmo ocupando o topo dos destinos mais procurados, com seus 78 milhões de visitantes estrangeiros, segundo dados da Organização Mundial de Turismo, a França se desdobra para recepcionar cada vez mais ? e melhor ? os novos turistas.

O Brasil, porém, está longe de ocupar as primeiras colocações do ranking. Na verdade, segundo o ranking de 2007, o último que abarca mais do que 10 posições, o País amarga o 42º lugar. Isso traz à tona duas questões. A primeira: as empresas brasileiras do setor estão preparadas para receber a enxurrada de turistas que serão atraídos pelos dois mais importantes eventos esportivos do mundo, a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016? A segunda: os profissionais que estão em formação, hoje, terão competência para atender esse público multicultural?

Infelizmente, a resposta mais provável para ambas será um pesaroso "não". Claro que há cidades como São Paulo e Rio de Janeiro que já contam com organizações transnacionais operando em seus territórios, o que termina por criar uma rede de atendimento já adaptada para receber visitantes de outros países. Mas essa não é uma realidade nacional. Mais do que pessoas fluentes em idiomas pouco utilizados ? e aqui nos encaminhamos para a segunda pergunta ? temos a necessidade de criar verdadeiros diplomatas empresariais, bandeira essa defendida por Marcos Troyjo, economista e conselheiro do CIEE. Esses são profissionais que conhecem as particularidades de cada povo, não cometem gafes e ainda criam oportunidades visando ao perfil desse consumidor diferenciado. Por exemplo: você sabia que os russos ficam ofendidos se os produtos que lhes são oferecidos não estiverem entre os mais caros?

Os empresários brasileiros precisam se espelhar nas melhores estratégias adotadas por países que possuem mais tradição em turismo. Um bom ponto de partida é começar a pesquisa pelas nações que ocupam os primeiros lugares do ranking da Organização Mundial de Turismo, além da França: Estados Unidos, destino de 60,88 milhões de pessoas, em 2010; China, de 55,98 milhões; e Espanha, 53 milhões. E não se engane, para que o Brasil recupere o tempo perdido, será preciso muito investimento em capital humano.


O autor, Luiz Gonzaga Bertelli, é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola - CIEE, da Academia Paulista de História - APH e diretor da Fiesp

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