Após matéria publicada na edição de ontem no Jornal da Cidade, que revelou o descontentamento de funcionários da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) por conta dos reajustes nos salários base para sete funções administrativas contra apenas uma operacional, o Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm) manifestou repúdio à medida aplicada por ato normativo do órgão, contra a qual marcou manifestação para amanhã.
Os benefícios foram concedidos a técnicos de segurança do trabalho, assistentes sociais, contadores, desenhistas, engenheiros, médicos do trabalho e psicólogos. No entanto, ficaram de fora os coletores de lixo, ajudantes gerais, operadores de máquinas, orientadores de área azul, coveiros, auxiliares de funerais, enfermagem do trabalho e de trânsito, fiscais, GOT (azuizinhos), pedreiros e eletricistas. O cargo de motorista foi o único entre os operacionais a mudar de faixa salarial para cima.
De acordo com a dirigente do Sinserm, Idelma Corral, a política adotada pela Emdurb é discriminatória e beneficia apenas os cargos que já contam com maiores salários. "Estamos cobrando há muito tempo a apresentação do Plano de Cargos Carreiras e Salários (PCCS) para os funcionários do órgão. Essa lei faz o enquadramento para todos, como aconteceu entre os servidores da administração, guardadas devidas proporções", aponta.
O próximo passo do sindicato é marcar uma reunião de urgência com o presidente da Emdurb, Nico Mondelli, e cobrar do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) que seu compromisso de campanha acerca da valorização de todos os servidores seja cumprido. "Tivemos uma reunião com o Nico na semana passada e ninguém falou sobre esse assunto. Será mais uma luta que vamos travar após conseguirmos a garantia do plano de saúde para os funcionários da Emdurb", pontua Idelma.
A dirigente sindical, porém, afirma que, no início de abril, o Sinserm recebeu denúncias anônimas sobre o ato normativo da Emdurb, que beneficiaria apenas os cargos administrativos do órgão. Segundo Idelma, foi encaminhado a Nico Mondelli, no dia 5 de abril, ofício solicitando cópias de todos os atos normativos referentes aos anos de 2009, 2010 e 2011. A Emdurb, por sua vez, teria respondido de forma incompleta, com a falta de diversos documentos. "Dessa forma não poderíamos fazer uma avaliação adequada", explica Corral.
A partir das 17h de amanhã, o sindicato vai organizar manifestação contra as políticas salariais da Emdurb. A mobilização será realizada no Terminal Rodoviário, onde fica a sede administrativa do órgão municipal.
Explicações
O presidente da Emdurb, Nico Mondelli Júnior, argumenta que os benefícios foram fixados a partir de trabalho desenvolvido por comissão interna, composta por integrantes de alguns dos departamentos, o que gerou o chamado ato normativo número 3, de março deste ano.
Nele, a presidência exclui cargos, renomeia funções e reclassifica (aumenta o salário base) de algumas carreiras. Ele minimizou a polêmica, alegando que os funcionários operacionais ?poderão ser beneficiados em outra etapa?, além de garantir que não foram beneficiados os detentores de cargos de chefia, gerência e direção.