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Ao buscar certidão, homem acha família

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 5 min

A busca por um simples documento junto à Cáritas Diocesana de Bauru levou o ajudante de pedreiro Darlan Elias Vieira, 43 anos, remontar 25 anos e a recuperar o contato com a família. Ainda com 18 anos, casado, com um filho recém-nascido e outro no ventre da mulher, ele abandonou Luisiana, no Paraná, para tentar a sorte mundo afora. Deixou para trás seus pais e irmãos que, durante todo esse período, tentaram reencontrá-lo. Em vão.

Mas como o tempo parece mesmo senhor dos destinos, a aproximação tornou-se possível por meio de uma iniciativa corriqueira. Nesta semana, ele procurou a entidade de Bauru para obter a segunda via da certidão de nascimento para se inscrever no programa federal Minha Casa, Minha Vida. Mas a busca pela própria moradia o levou a sua família, que havia comunicado o cartório mais próximo de Luisiana de seu ?sumiço?.

Surpreso com a iniciativa, Darlan explica que deixou o Paraná ainda muito jovem e atribui ao destino a responsabilidade por ter se separado de pais e irmãos. Em busca de trabalho digno e de uma vida melhor, passou por várias cidades em vários estados. Em todas elas, acompanhado da mulher, limpava albergues e conseguia o transporte para seguir viagem em busca da cidade ideal. Em Campinas o demoveram da ideia de ir para São Paulo. Foi numa viagem de trem que indicaram Bauru como solo promissor.

Não teve dúvidas, aportou por aqui. Desde então, nunca mais conseguiu contato com os parentes que permaneceram em Luisiana. "Eu tentei várias vezes telefonar, mas não consegui falar. Para viajar, eu não tinha condições. Perdemos o contato e só ficou a saudade nesses anos todos."

Somente por meio da presidência da Cáritas de Bauru é que ele soube da busca feita pela família dele desde sua partida. A informação constava no cartório de Campo Mourão, município próximo da pequena Luisiana, que foi procurado pela entidade de Bauru por conta da segunda via da certidão de nascimento. De acordo com a presidente da entidade, Marisa Aparecida Ineo Domingues, a história chamou atenção de todos porque é inédita no local.

A reportagem conseguiu contato com Dilma dos Santos Vieira, 39 anos, irmã de Darlan. Segundo ela, a procura foi mantida ano a ano, mas o resultado sempre era frustrante. "Cada um dava uma noticia diferente. Tinha gente que falava que ele morava em Minas Gerais, mas nós não conseguíamos encontrá-lo em lugar algum. Só agora a gente teve a noticia esperada por uma vida inteira", comenta.


Sonho


Quando Darlan Vieira deixou Luisiana carregou com ele o sonho de sair mundo afora para trabalhar como peão. Na cidade natal, trabalhava na lavoura de café. Com a plantação, conseguiu algum dinheiro para iniciar a busca por uma vida mais digna. Já em Bauru, também foi acolhido pelo Albergue Noturno, de onde recebeu ajuda para se instalar na cidade.

Depois de criar os cinco filhos que teve no seu primeiro casamento, Darlan continuou na cidade, onde atualmente vive com a segunda esposa, Silvana Aparecida Teodoro. Estão juntos há 9 anos. Mantém uma vida simples e tranquila, razões que justificam sua intenção de permanecer por aqui. No entanto, agora também pretende obter uma passagem para visitar seus pais no Paraná.

Para tanto, contará com o apoio da Cáritas Diocesana de Bauru. A entidade pede ajuda à iniciativa privada (empresários da cidade) e também ao poder público para alcançar o objetivo.


? Serviço

Quem tiver interesse em promover o reencontro entre Darlan e sua família pode entrar em contato com a Cáritas por meio do telefone (14) 3223-6576.

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Cáritas Diocesana busca apoio para continuar o trabalho social


Apesar dos milhares de atendimentos em mais de 40 anos de fundação, a Cáritas Diocesana de Bauru tem futuro incerto. Com cerca de 16 voluntários, que garantem o atendimento e a parceira com a rede social do município, a entidade enfrenta dificuldade em cobrir seus gastos que, segundo informações obtidas pelo JC, não andam nada positivos.

Para cobrir despesas mensais como salário de dois funcionários, conta de telefone e impostos, a entidade assistencial pede apoio da sociedade bauruense para que o maior número de pessoas se torne sócio-colaborador. Só deste modo é que a entidade manterá as portas abertas.

Segundo informações da presidente da Cáritas Diocesana de Bauru Marisa Aparecida Inoe Domingues, os gastos mensais ficam em torno de R$ 3 mil e, atualmente, esses valores não estão sendo cobertos porque as doações são escassas. Além disso, diz, o aumento da vulnerabilidade social no município faz com que a demanda aumente.

Segundo ela, nos últimos anos, os atendimentos quase dobraram. "O que está segurando a entidade são os voluntários que ajudam como podem. Estamos sem nenhum sócio-colaborador e isso preocupa. Desse jeito, poderemos ter mais problemas. Poderemos parar de atender, se não for feito nada" finaliza Marisa. Quem tiver interesse em conhecer e colaborar com a entidade pode entrar em contato por meio do telefone (14) 3223-6576. Trata-se de uma entidade sem fins lucrativos que atende a população em parceria com a rede social da cidade.

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Os pais


Moradores de Luisiana há mais de 40 anos, Alice João dos Santos e Ismar Elias Vieira, ambos com 75 anos de idade, são os pais de Darlan Elias Vieira. Aposentados, foram facilmente encontrados, após a localização do filho em Bauru. A cidade, conforme informaram ao JC, conta com pouco mais de 7 mil habitantes.

Segundo Neide Jacinto Candido, coordenadora do Centro de Referência e Assistência Social (CRAS) do município paranaense, a família é bem conhecida. Por isso, a noticia foi recebida com muita alegria por todos da entidade e do município. "Quando ficamos sabendo que era o Darlan, ficamos todos muito felizes, agora a gente espera pela vinda dele aqui. Todos da família estão ansiosos e acredito que a cidade toda", conclui Neide. Há 25 anos, o ajudante de pedreiro residente em Bauru também deixou em Luisiana três irmãos e duas irmãs.

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