Pesca & Lazer

História de Pescador: Pescaria da saudade


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Uma pescaria que me deixou muita saudade foi no rio Taguari, no Mato Grosso do Sul. Foi a primeira vez que pesquei com o sargento Osvaldo, que hoje não está mais entre nós - "que descanse em paz". Ele me convidou para pescar em Silviolândia, perto de Coxim. Disse que esteve lá pescando e descobriu no meio de uns bambuzais um poço com muitos piauçus e pacus, e foi assim que topei a pescaria.

Ficou combinado que eu levaria os mantimentos de primeira necessidade, e ele levaria o resto da traia. Nós iríamos no Monza do Osvaldo e ficaríamos uma semana por lá. Tudo preparado no Monza. Partimos de Bauru uma segunda-feira de madrugada, e fomos chegar a Silviolândia às 2h da tarde. E lá vamos procurar um local para acampar.

Encontramos uma casa bem velha, abandonada, com um grande quintal. Fomos atrás do dono da casa e encontramos um senhora que nos deixou acampar. Limpamos uma parte do quintal e, sobre um puxado, fizemos o nosso acampamento. Em um fogão improvisado de pedras, fizemos o nosso café. Lenha tinha à vontade no quintal. E aquele dia foi todo ocupado com a arrumação do acampamento. Tudo para nós era uma adrenalina de aventura.

Como o Osvaldo tinha sua cama-tatu para dormir, tive que me virar! Cortei bastante capim e, com um plástico bem grande, fiz um colchão bem macio. Naquela noite, fiz uma gororoba que comemos com prazer, porque a fome era bastante. Nos preparamos para dormir. Ainda bem que não tinha pernilongos por lá, o que foi uma novidade. De dia aquele calorzão e na madrugada, frio.

Acordamos bem cedo e depois de um café reforçado, fizemos um lanche para passar o dia pescando, porque era longe aonde iríamos passar o dia. As traias nas costas e o pé na mata: andamos quase uma hora por uma picada entre bambus e arvoredo caído até chegar ao local da pescaria. Nossa traia tinha várias varas de bambus, vários carretéis de linhas de 0,40 a 0,50 e isca - milho cozido azedo e muita ceva.

O lugar era maravilhoso, um barranco de dois metros de altura e um poço. "Chegamos", disse o companheiro, "vamos pescar!" Jogamos bastante ceva no rio e ficamos à espera com a vara em punho da primeira fisgada. Naquele primeiro dia não foi tão boa a pescaria. Eu e Osvaldo conseguimos fisgar dois piauçus cada um e diversos peixes pequenos para a janta daquele dia. Começou a escurecer, jogamos bastante ceva para o dia seguinte, e voltamos para o acampamento. Alugamos um freezer em uma casa e lá deixamos os peixes que foram pegos. E assim foi a nossa pescaria, todos os dias vai e vem ao poço, até que um dia foi a melhor pescaria que fizemos: fisgamos pacus de quatro quilos e piauçus de 2 e 4 quilos que a vara de bambu parecia que ia quebrar de tanto peso. Para trazer para o acampamento os peixes, fizemos um chirau com um grande bambu. Eu numa ponta e o Osvaldo na outra. O peso era tanto que doía as costas. Chegou ao fim nossa pescaria e aventura.


Florindo Martins

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