Polícia

Homem tenta matar adolescente em motel

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Era para ser mais uma noite de amor. Porém, alguma coisa deu muito errado num quarto de motel, em Jaú. O calçadista Wellington Roberto Crespilho, 21 anos, tentou matar uma adolescente de 15 anos. Ele foi preso em flagrante acusado por tentativa de homicídio, após intensa perseguição policial no centro da cidade. A garota está internada na Santa Casa de Misericórdia de Jaú e não corre risco de morte.

De acordo com as versões apresentadas pela vítima e pelo acusado ao delegado plantonista Nelson Henrique Júnior, ambos se conheceram em um bar de Jaú na madrugada de sábado, algumas horas antes do encontro íntimo. Do bar, foram para um motel. Era 3h da madrugada. Segundo Henrique Júnior, para entrarem, a menina precisou se abaixar no carro. Crespilho, então, teria alegado na portaria que era um viajante e precisava de um quarto para pernoitar.

De acordo com o depoimento de ambos, Wellington teria feito uso de entorpecente logo ao chegar ao quarto. Mas o delegado esclarece que esteve no local e não foi localizado vestígio de cocaína, que pode ter sido descartada durante a fuga do acusado.

Ainda segundo Henrique Júnior, após consumir entorpecente, Crespilho teria tido um ataque de ira e investido contra a adolescente, armado com uma chave de fenda. Ele desferiu vários golpes no rosto dela, atingindo o globo ocular esquerdo. A partir da versão dos envolvidos, o delegado informa que a garota ferida deitou-se na cama, quando o calçadista rasgou uma cortina e amarrou o tecido em um ventilador acoplado à parede para pendurá-la. "Provavelmente, ele iria enforcá-la ou pendurá-la morta", explica. Neste momento, a adolescente tentou fugir do quarto, mas a chave estava com o agressor. Então, a garota se trancou no banheiro e passou a gritar por socorro.


De cinema


Os clientes e funcionário se alertaram. Crespilho arrebentou o portão de saída do motel com seu carro. A Polícia Militar foi acionada, por volta das 3h30, e interceptou o calçadista no centro da cidade de Jaú. O delegado e os policiais militares descrevem a perseguição como cinematográfica. Primeiro, Crespilho bateu seu Chevette contra um Peugeot estacionado na rua, perdeu o controle e colidiu contra o portão de um restaurante. Não foi suficiente para deter o acusado. A sequência da perseguição prosseguiu para a periferia. Na rua Mário Prado, Crespilho só parou após bater em um muro e em uma árvore. Conforme Henrique Júnior, ele teve que ser contido pelos PMs. Foi medicado no pronto-socorro e apresentado ao Plantão Policial. Já a garota foi socorrida pelo Samu ao pronto-socorro da Santa Casa.

Conforme Henrique Júnior, Crespilho foi autuado por tentativa de homicídio por motivo fútil e mediante traição. "Se a menina não tivesse entrado no banheiro e gritado por socorro, ele iria matar a vítima, a deixaria pendurada e iria embora normalmente. Isso só não aconteceu porque que a menina conseguiu escapar", avalia o delegado. Ele acrescenta que, mesmo a adolescente negando, foi pedido exame de conjunção carnal para averiguar se ambos fizeram sexo. O delegado calcula que, do momento da entrada no quarto até os gritos da menor, se passaram cerca de 15 minutos e não haveria tempo para a pratica de sexo. "A versão dela é que não houve relação sexual e nenhum ato libidinoso", acrescenta.

De acordo com o delegado, a adolescente residente em Pederneiras afirmou que não estava fazendo programa. "Mas, segundo informações de pessoas que frequentam o bar, ela faz programa. Ele alega que deu R$ 40,00", ressalta Henrique Júnior.

Para Henrique Júnior, a motivação para a tentativa de homicídio não está relacionada a crime passional. "Foi por droga e raiva", define o delegado. Em respeito ao ECA nome da garota foi preservado.

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