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Entrevista da Semana: Max Jeferson Pereira

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 9 min

Consciência da negritude


Maior que a estatura de Max Jeferson Pereira - um dos nomes que mais orgulho deram a Bauru - é o seu talento e o quadro de conquistas esportivas. Ainda adolescente, ele encontrou seu espaço na Seleção Brasileira de Voleibol, onde conquistou diversos títulos nacionais e mundiais. Agora, aos 41 anos de idade, Max volta a sua cidade natal para resgatar o vôlei e, com ele, o futuro e os sonhos de meninos e meninas.

"Nasci e cresci aqui, no Bela Vista, morei fora pelo esporte e estou voltando porque recebi um convite da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (Semel) para ajudar o voleibol de Bauru. "O esporte educa, ensina, tira das drogas e une as pessoas, independentemente de idade, sexo ou classe social", salienta.

Outra paixão é a vida no campo e os cavalos. "Fui criado em chácara, bem matuto, então, sei plantar horta e sempre que estava em férias por aqui, não deixava de ter esse contato com o campo, pegar laranja do pé e alface da horta", lembra.

Muito ligado à família, ele acredita que ela é a base e o porquê de cada manhã sua. Viagens pelo mundo afora, amizade e histórias de garoto também fazem parte da entrevista que segue abaixo.


Jornal da Cidade - Seu primeiro contato esportivo foi com o vôlei?

Max Jeferson Pereira - Na verdade, fui aluno do Sesi desde o primeiro ano escolar e lá nossos horários de aulas eram divididos entre a parte educacional e a esportiva. E eu sempre fugia da educacional para a esportiva (risos). Fazia tênis de mesa, basquete, handebol, natação...de tudo um pouco. Eu me destacava bastante pela facilidade com saltos porque tinha um vigor físico grande. E foi assim que o esporte entrou na minha vida.

JC - Sempre teve altura acima da média?

Max - Já era bastante alto quando criança, acima da média, sim. Para você ter ideia, eu ia brincar em parquinhos e minha mãe precisava mostrar meu documento de identidade porque as pessoas não acreditavam na minha idade, achavam que eu era mais velho do que aparentava devido à altura. Eu acabava voltando frustrado para casa porque eles diziam que eu iria quebrar os brinquedos.

JC - E quando veio o verdadeiro contato com o vôlei?

Max - Quando eu estudei no Senai. Fiz marcenaria no Senai de Bauru e lá o vôlei era o esporte praticado. Isso eu já tinha cerca de 16 ou 17 anos. Todos os turnos jogavam juntos e quando eu estava no primeiro turno, joguei contra o pessoal do último e consegui ganhar deles e ser o destaque do campeonato, o que chamou a atenção do técnico da cidade que estava assistindo. Fui convidado para entrar no voleibol da Luso, em 1987. Disputei juvenil, paulista e de lá eu deslanchei.

JC - Quais foram as maiores conquistas da sua carreira?

Max -Só não tenho título olímpico e pan-americano, os demais eu tenho todos. Ganhei Campeonato Brasileiro, Sul-Americano, Copa América, Liga Mundial. Campeonato Japonês eu também tenho, mas o que mais me deixou feliz e mais me emocionou foi a Liga Mundial de 1993, que foi em São Paulo, com muita gente na torcida. Minha primeira seleção foi em 1992 e em 1993 eu estava começando como titular.

JC - Sua carreira teve apoio familiar?

Max - Minha mãe não gostava muito da ideia porque queria os filhos sempre em casa, mas meu pai, como militar na época, acreditava que um filho homem precisava buscar um caminho. Ele viu que eu estava fazendo Senai e me dando bem no esporte e achou legal arriscar. Na época, o técnico da Luso era o melhor amigo do capitão com quem meu pai trabalhava e esse capitão falou para meu pai que não estava pedindo, mas sim avisando que eu iria ser um jogador de vôlei (risos). Meu pai bateu continência e disse que tudo bem, que estava aprovado. E graças a Deus deu certo. Dos 17 para 18 anos eu já era profissional.

JC - Enfrentou muitos obstáculos no início?

Max - Aqui, eu não tive uma escolinha e, assim, não tive muita base de fundamentos. No começo eu queria apenas jogar e no Sesi tinha um professor que dava um fundamento muito básico, não é como hoje que existe um centro de treinamento. Por isso me considero um vencedor, por ter chegado onde cheguei. Outra coisa que me marcou foi a amizade conquistada. Tenho alguns amigos que faço questão de manter contato, como o Negrão, Maurício e José Roberto, por exemplo. Vivemos momentos únicos juntos e trouxemos a amizade também para a vida pessoal e familiar.

JC - Financeiramente a carreira também trouxe sucesso?

Max - Hoje o vôlei se profissionalizou e tem grandes empresas que patrocinam, por isso é lógico que se ganha mais, porém, eu não tenho do que reclamar. Consegui construir um patrimônio e hoje eu trabalho para alguém apenas se eu quiser.

JC - O que teria sido se não jogador de vôlei?

Max - Militar ou marceneiro. Adoro essa parte de madeira, inclusive tenho uma empresa há 10 anos que faz aparelhos de ginástica e a base do pilates é a madeira. Eu fiz o curso do Senai, gostei e sempre corri atrás. Eu gosto de construir com as mãos e tenho paciência. Ainda guardo, na casa de minha mãe, o primeiro banco que fiz no Senai. Esse banco ficou como história porque eu fiz dois ou três meses de Senai e já fui jogar vôlei.

JC - Acredito que o esporte também proporcionou conhecer muitos países?

Max - O mundo todo, graças a Deus. Através de ligas e campeonatos mundiais eu tive a oportunidade de vivenciar muitos conflitos de culturas. Morei alguns anos no Japão, por exemplo, onde sofri um bocado no meu primeiro ano. A cultura deles é muito introvertida, o que é adversa à nossa. O brasileiro gosta muito do contato humano e lá não é assim. Também senti falta da nossa comida, do churrasco...Mas hoje eu sinto falta da comida japonesa, mesmo com os restaurantes daqui, não é a mesma coisa. Também sou apaixonado pelos Estados Unidos. Hoje, por causa do terrorismo, o americano desconfia de tudo e de todos, mas é um povo carente. Eles acham que tudo deles é melhor, mas quando você passa a conviver, eles se mostram generosos e de uma amizade semelhante a do brasileiro.

JC - Quando voltou a Bauru?

Max - Nasci e cresci aqui, no Bela Vista. Morei fora pelo esporte e estou voltando, ainda moro em Ribeirão Preto. Recebi um convite da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (Semel) para ajudar o voleibol de Bauru. Para você ter uma ideia, há quinze anos a cidade não tem mais o masculino e o feminino precisa de muita força. Então, a ideia é usar meu nome e a minha imagem para conscientizar o empresariado e o cidadão sobre a necessidade do esporte. Ele educa, ensina, tira das drogas e une as pessoas, independentemente de idade, sexo ou classe social. Hoje as pessoas têm medo umas das outras. Se alguém bate a sua porta, à noite, você não abre. Até que se prove o contrário, todo mundo é vilão na história e eu acredito que o esporte muda isso. Já presenciei muitas mudanças nesse aspecto. E é isso que me motivou a voltar a Bauru.

JC - Quais são as ideias para desenvolver o projeto?

Max - Quero trabalhar as bases. Percorrer a periferia e dizer aos meninos e meninas de talento que eles são capazes e, assim, montar uma equipe. O projeto é masculino e feminino, mas é claro que o feminino é mais fácil porque já existe uma equipe. Porém, vamos precisar construir onde vão morar, comer, bancar passagens aéreas, de ônibus, ou seja, a estrutura precisa começar do zero, principalmente a masculina.

JC - O que falta para o vôlei bauruense aparecer e deslanchar?

Max -Patrocínio. Hoje você vê a violência diariamente nos veículos de comunicação. Presenciei drogados, gente que sofria com a violência doméstica, prostituição e muitos outros problemas que foram superados com um projeto de vôlei como o que estamos criando. Falta oportunidade para os jovens carentes e o esporte leva isso. Ele ensina, educa e faz crescer, como já disse. Em Bauru, esse projeto vai resgatar uma modalidade que é a segunda maior do País e "produzir" cidadãos do bem, mas para isso precisamos de patrocínio.

JC - De onde vem essa paixão por cavalos?

Max - Meu irmão tem a Casa da Alfafa, que vive da venda de produtos para animais de grande porte, temos uma propriedade rural em Bauru, tenho cavalo da raça quarto de milha e sempre que posso vou a eventos especializados. Fui criado em chácara, bem matuto, então, sei plantar horta e sempre que estava em férias por aqui eu não deixava de ter esse contato com o campo, pegar laranja do pé e alface da horta. Se você me oferecer duas propriedades, uma no campo e outra na praia, pode ter a certeza de que comprarei a rural. Eu gosto de ficar tranquilo no meio do mato e ver as coisas que eu plantei crescerem e darem frutos. E o cavalo é um animal que me fascina por ser completamente dócil, diferente do ser humano que te ataca a todo momento (risos).

JC - E você sabe montar?

Max - Não para competir, mas na nossa propriedade eu tenho um espaço onde vou fazer uma pista para dar aulas. Também vou contratar profissionais da área para um projeto voltado à periferia...

JC - Parte de sua família mora em Bauru e a esposa e filhos estão de mudança com você. Qual é a importância da família em seu cotidiano?

Max - Aos 41 anos de idade eu analiso a vida de maneira diferente de quando era mais jovem. A família é minha base. É o porquê de me levantar cedo e correr atrás do dia a dia. Às vezes, você está nervoso e acaba falando o que não devia. A família entende o momento. Aconteça o que acontecer, ela está ali para te acolher e essa troca de sentimentos não é possível nem com amigos.

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Perfil


Nome: Max Jeferson Pereira

Idade: 41 anos

Local de Nascimento: Bauru/SP

Signo: Aquário

Esposa: Ana Márcia

Filhos: João Pedro, Marcelle, Rafael e Ana Laura

Hobby: Cavalo

Livro de cabeceira: Bíblia

Filme preferido: Forrest Gump

Estilo musical predileto: Eclético

Time: Corinthians

Para quem dá nota 10: Para meus pais

Para quem dá nota 0: Corrupção

E-mail: maxvolei@uol.com.br

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