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Português casa com a matemática

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 2 min

"E os dois decidiram pela conjugação do verbo amar e a solução da equação viver". É assim que os educadores Anderson Francisco Cabo e Mônica Vanessa de Souza Oliveira explicam o romance iniciado há dois anos pelas dependências da escola estadual Professora Ada Cariani Avalone e que, no próximo sábado, resultará em casamento. Ele, professor de português e ela, de matemática, o casal decidiu ser prova de que as disciplinas podem conviver de forma feliz seja no altar, seja na escola.

"Hoje o que mais se fala em educação é a interdisciplinaridade. Nós vamos mostrar, com a nossa convivência, amor e profissionalismo, que a interdisciplinaridade dá certo até nos relacionamentos", brinca Anderson, 39 anos. "Nós não somos, na verdade, opostos, porque nossas cabeças estão para a educação", completa a noiva.

A notícia do casamento, marcado desde julho, mobilizou alunos, colegas de trabalhos e todos os funcionários da escola, que estiveram entre os principais incentivadores da união. "O casamento comoveu todo mundo, porque eles torciam por nós desde o início", conta Mônica. "Eles deixaram a Ada Cariani em festa. Não se fala em outra coisa. Nunca vimos um casamento ser tão comentado e esperado em nosso trabalho quanto o deles", comenta a secretária de escola Ivone Nunes.

A razão, certamente, é porque tudo começou quando Anderson passou a ensinar a língua portuguesa na Ada Cariani e, com a ajuda principalmente dos alunos, partiu para a conquista de Mônica. "Estava dando aula na Moraes Pacheco mas, em 2009, escolhi a Ada com intuito de mudar de ambiente de trabalho e acabei mudando a minha vida inteira", declara apaixonado o professor que afirma ter se encantado pelo sorriso de Mônica desde o primeiro dia de trabalho.

Mas como Anderson costuma ser muito brincalhão e extrovertido, a professora demorou a acreditar nas investidas do colega. "Ele entrava na sala de aula e me deixava flores; gritava da sala de aula: ?coração!? e como eu não respondia, eram meus alunos que gritavam do outro lado. Para eles era uma festa", lembra. "Como sozinho eu vi que ia ser difícil conseguir alguma coisa, chamei os alunos para serem meus ajudantes", narra Anderson.

"Padrinhos" da união, os estudantes, destaca o casal, foram os primeiros a serem informados quando os professores decidiram namorar. "Assim que decidimos ficar juntos, eles foram os primeiros a ficarem sabendo. Nada mais justo", afirmam os noivos. A emoção foi tamanha, que a garotada ? hoje amante tanto do português quando da matemática ? fez uma festa em homenagem aos professores.

"Já na semana seguinte eles se organizaram, conversaram com a direção e nos surpreenderam com bexigas, refrigerantes e salgadinhos", recorda Mônica. O casal afirma que até hoje o relacionamento dos dois é assunto nos momentos de descontração das aulas. "Quando chega a segunda-feira, eles estão loucos para saber qual foi a do final de semana. Porque eu brinco muito com eles dizendo que a Mônica não sabe cozinhar. Ela pede a eles que me ensinem a dançar. E por aí vai".

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