Tribuna do Leitor

Afinal, o que é o preconceito?


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Tenho uma filha que estuda em uma das melhores escolas particulares da cidade, possui um dos melhores planos de saúde do Brasil, mora em um dos melhores e mais seguros condomínios de Bauru e não depende de transporte público para se locomover. E mesmo assim não consigo ser feliz! Quando ligo a TV, no jornal das sete, vejo-a reclamando que gostaria de estudar, mas está impedida por falta de inspetor de alunos da rede municipal em sua escola. Quando paro no semáforo, vejo-a pedindo alguns trocados para garantir o seu sustento (ou a propina de quem os obriga a se submeter á isso), quando leio o Jornal, vejo-a em uma fotografia convalescendo em uma sala de espera do pronto-socorro à espera de um médico que a possa atender.

É, dona Maria Inês, é assim que um ser humano enxerga os problemas da população  quando se tem filhos. E se isto é ser precon-ceituoso, sim, o sou. Um ser preconceituoso que passou a dar mais valor à vida, não só à sua, como a das demais vidas que compõem a nossa população e que está à mercê de tecnocratas e políticos que não conseguem distinguir o importante e urgente do importante, mas não tão urgente.

A cobrança que faço ao nosso prefeito e sua vice é pela morosidade com que têm tratado as questões básicas de uma cidade, como Saúde e Educação. Culpar a população por uma epidemia de dengue, além de ser um artifício irreal (já que ninguém em sã consciência cria mosquitos em casa por que quer) é também uma forma de amenizar a responsabilidade que o Poder Público tem em, por exemplo, efetuar uma nebulização na cidade (isto, sim, efetivamente, pode frear a proliferação do mosquito) e em conjunto lançar na rua um grupo de fiscalização nos bairros aonde os casos são mais frequentes. Posso até ser preconceituoso neste sentido, mas jamais sou alienado aos problemas que a cidade vem passando. Acho uma hipocrisia me contentar com a atual situação só porque estes problemas acontecem em outras cidades. Isto seria uma atitude de quem se contenta com pouco e comumente com o "menos pior".

Temo que a denominação "preconceito" esteja sendo distorcida por boa parte da população, até mesmo por culpa de nossos dirigentes que, não tendo competência política e técnica em utilizar o nosso imposto arrecadado naquilo que realmente importa e ficam, através de discursos evasivos, transferindo a responsabilidade deles para a população que o elegeu justamente para cuidar destas questões. Isto sim é que deveria chocar as pessoas, não a liberdade de expressão que me foi dada de direito.

João Antonio de L. Rodrigues

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