Cultura

Nova montagem do Ato deve estrear em agosto

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 3 min

Uma declaração de amor à leitura e à imaginação, "Era Mais Uma Vez Outra Vez", de Glaucia Levick é a mais nova montagem do grupo Ato. O texto do espetáculo, que deve estrear em agosto sua temporada no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), de Bauru, conquistou, em 2006, o prêmio "Barco a Vapor", um dos maiores para textos inéditos em todo mundo.

"É uma história de personagens que moram em um livro, que foi esquecido na biblioteca. Um dia, alguém resolve lê-lo e o narrador percebe que todas as personagens mudaram: já não são quem eram ou fazem o que costumavam fazer", explica Carlos Batista.

Mais uma produção na lista dos espetáculos infantis montados pelo grupo, "Era Mais Uma Vez Outra Vez", para o diretor, soa provocador. "Mais do que o hábito de ler, ele nos instiga a não ficarmos parados", afirma sobre a peça, que contará com um repertório de músicas cantadas ao vivo e desenvolvido a partir da técnica do teatro de sombra.

"Apesar de infantil, o Ato trabalha sempre com um público amplo. A peça não é para uma criança em si, mas para toda criança que há dentro de nós", convida. Ao longo dos seus 22 anos, o grupo Ato soma no seu currículo a produção dos espetáculos "Habitante do Sonho", "A Canção de Assis", "Até Amanhã, Tudo Bem", "Sem o Canto dos Pássaros", "A Farsa do Anjo da Asa Quebrada", "A Nova Descoberta do Brasil", "A Nutricomédia", "Prometeu é Fogo", "O Dia em Que o Medo Virou Música", "Rapunzel", "A Lenda do Vale da Lua", "Alice no País das Maravilhas" e "O Moço que Casou com uma Jararaca".

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Produções são marcadas pela qualidade


Para o diretor e um dos fundadores do Ato, Carlos Batista, um dos principais diferenciais do grupo é a qualidade com a qual se propõem a fazer suas montagens. "Em todos esses anos, essa me parece ser a principal marca dos trabalhos", avalia Carlos Batista. "Temos todo o cuidado na preparação do espetáculo, na produção dos figurinos e cenários, na escolha dos textos."

Da trajetória do Ato, Carlos destaca todos os momentos em que, por meio das apresentações do grupo, o teatro incentivou reflexões sociais. "Com ?Prometeu é Fogo? integramos a primeira edição da Lei Municipal de Incentivo à Cultura e levamos o espetáculo para juventude de várias áreas periféricas da cidade; o mesmo aconteceu com ?Sem o Canto dos Pássaros?", destaca a peça estreada em 1996 e que percorreu a periferia de Bauru e instituições. O objetivo era chamar a atenção para a falta de diálogo nas famílias.

Outro projeto que faz parte da trajetória do grupo é o "Gente Legal", desenvolvido desde abril de 2009 e que compartilhou o fazer teatral do Ato. Mais do que um trabalho de formação de público para o teatro, o projeto significa a sensibilização para a arte. "Enquanto artistas, percebemos que o indivíduo está distante de si e do outro. A arte é uma possibilidade de uma vida boa; o artístico desvela os nossos olhos, nos proporciona ver o invisível e ir além", considera Elisabete Benetti.

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