Bairros

Aliciamento sexual na web é frequente

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 5 min

O uso e acesso indevidos a certos conteúdos da Internet por crianças e adolescentes tem se tornado um problema que vai muito além da tela do computador. A falta de informação e controle dos pais pode resultar em práticas criminosas ou, então, servir de armadilhas planejadas por aliciadores que têm como intenção cometer atos de violência, como a sexual.

Outro exemplo refere-se ao uso que grandes grupos das Capitais fazem da rede para estimular a pichação entre adolescentes. O JC tratou do assunto recentemente e mostrou que mensagens de incentivo à pichação por parte desses grupos são trocadas em sites de relacionamento.

Porém, mais perigoso ainda são salas de bate-papo e redes de relacionamento que propiciam e facilitam práticas de abuso e exploração sexual. Conforme expôs a titular da Secretaria do Bem-Estar Social de Bauru (Sebes), Darlene Tendolo, os aliciadores deste tipo de crime têm recorrido com cada vez mais frequência à web e têm tido como alvos preferidos crianças e adolescentes.

Em Bauru e região, inclusive, já houve casos de abuso que tiveram como alvo jovens internautas. "A incidência de casos de exploração sexual ainda é maior em âmbito doméstico, mas temos observado que essa prática tem ganhado corpo pela Internet", alega Darlene.


Perfil sedutor


Conforme ela explica, geralmente o aliciador tem um perfil sedutor. "O abusador, primeiramente, busca adquirir a confiança da vítima e de seus familiares de forma bem sedutora. Contudo, essa aproximação pode resultar em práticas de abuso, estupro e até tráfico de pessoas", salienta a titular da Sebes, que acompanha a superação do trauma em 63 crianças e adolescentes violentados.

Segundo dados da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Bauru, a cada quatro dias deste ano, foi registrada ao menos uma denúncia desta natureza num total de 29 inquéritos instaurados até o mês passado, conforme o JC noticiou.

Esses alertas e estatísticas, assim como outras informações e orientações, foram apresentados na manhã de ontem durante abertura oficial da Semana de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes em Bauru, que tem como slogan "Faça bonito, proteja nossas crianças e adolescentes".

O evento ocorreu na sede do Serviço Social do Transporte e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Sest/Senat) e reuniu diversas associações, conselhos e outras organizações ligadas ao atendimento e prevenção de práticas de violência sexual.

O grupo teatral "Pequenos Obreiros de Curuçá" abriu o evento, encenando consequências na vida do jovem que sofre exploração sexual.

A semana de mobilização faz parte da Campanha Nacional de Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes e foi desenvolvida em razão do Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes, comemorado amanhã.

Em Bauru, a Sebes coordena a programação do evento, que se estenderá até o dia 24. Estão previstas atividades como passeata, pit stops informativos, ações conjuntas com o Conselho Tutelar, audiência pública, entre outras.

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Violência sexual atinge todas as classes sociais, afirma Darlene


A violência contra crianças e adolescentes, independentemente da forma como é praticada, atinge pessoas de qualquer classe social, conforme aponta Darlene Tendolo, titular da Sebes de Bauru.

"Independente de classe social, este crime acontece em qualquer lugar: na escola, pela Internet, dentro de casa. Pode partir dos próprios familiares, com mais frequência do próprio pai ou padrasto, ou então de aliciadores, que vão se infiltrando na vida das vítimas", explica Darlene.

Pessoas que convivem com a vítima, contudo, têm tido dificuldades em identificar a criança e adolescente alvo de agressão sexual.

"É importante observar as atitudes e sinais que as crianças apresentam: começam a ficar retraídas, se isolam, o desempenho escolar cai. Muitas ficam agressivas ou choram por qualquer motivo."

Sob a égide do temor e da vergonha, muitos casos permanecem desconhecidos e dão a sensação de impunidade aos agressores. "A criança ou adolescente tem medo de denunciar ou procurar ajuda, pois são mantidas sob ameaça. Algumas ficam um longo tempo submetidas a essas agressões e chegam até a morrer, pois a criança, principalmente, não tem como se defender de um crime hediondo", frisa a titular da Sebes.

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Proposta é preparar multiplicadores
de proteção às vítimas de abusos


Para Darlene Tendolo, titular da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), o preparo e a qualificação de agentes em defesa da criança e adolescente podem fortalecer o combate à exploração sexual. Pais, assistentes sociais, professores, psicólogos e toda a rede de profissionais ligados ao atendimento de crianças e adolescentes devem se tornar multiplicadores da proteção contra a prática de abuso.

"A própria família, que deve ser um dos agentes protetores, tem dificuldade de identificar um abuso. Às vezes, a criança não está machucada e os pais acham que ela está inventando história, que é fruto de sua imaginação. Mas esses relatos precisam levados a sério", enfatiza Darlene.

Para fortalecer o combate ao abuso e exploração sexual, conscientizar a população e melhor preparar a rede de profissionais que trabalham diretamente no atendimento de crianças e adolescentes, serão ministradas palestras para estudantes, professores, usuários e funcionários dos Centros de Referência da Assistência Social (Cras) e Centros de Referência Especializados da Assistência Social (Creas) durante o evento. No dia 18 será promovida passeata no Calçadão da Batista de Carvalho com distribuição de panfletos e abordagens nas ruas em parceria com o Conselho Tutelar.

Milton Yamada, diretor do Sest/Senat, entidade que sediou a abertura da Semana de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, aproveitou para falar do apoio que o Sest/Senat confere todos os anos à Campanha Nacional de Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. "O Sest/Senat promove a conscientização de caminhoneiros sobre a importância de modificar esse cenário."

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