O preço dos combustíveis vem recuando sucessivamente nas últimas semanas, mas o consumidor deve ficar atento se não quiser perder dinheiro. O JC realizou uma pesquisa, na tarde de ontem, em 45 postos de Bauru e identificou uma variação de até R$ 0,30 sobre o litro da gasolina e de R$ 0,15 no etanol.
A diferença, considerada alta pelo Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), é resultado direto do início da safra da cana-de-açúcar. Nesta época de transição, o preço do álcool hidratado começa a registrar quedas diárias, mas a redução nas bombas pode ser imediata ou demorar até 15 dias, dependendo da quantidade de combustível que o estabelecimento possuir em estoque.
"Os preços ainda estão se acomodando. Os postos bandeirados vinculados às grandes distribuidoras trabalham com maiores volumes, então demoram mais para repassar o desconto integral das quedas. Já os postos autônomos fazem compras menores, praticamente diárias, e conseguem vender a um preço menor mais rapidamente", explica o presidente do Sincopetro em Bauru, José Antônio Reghine.
Da mesma forma, o preço da gasolina também é afetado pela safra, já que leva em sua formulação 25% de álcool anidro. Exatamente pela falta deste produto no período de entressafra, o litro do combustível fóssil quase bateu a casa dos R$ 3,00 no final do mês passado. Atualmente é comercializado entre R$ 2,499 e R$ 2,799 na cidade.
"As companhias distribuidoras nacionais conseguiram baixar mais o preço da gasolina por terem negociado melhor a compra do álcool anidro do que as internacionais. Então os postos vinculados a elas também conseguem comercializar num preço melhor", aponta o empresário do ramo Edivaldo Tuschi.
Já o preço do etanol oscila entre R$ 1,549 e R$ 1,699, depois de registrar queda de 16% na última semana. O recorde histórico foi registrado em março, quando chegou a R$ 2,25.
Com a variação atual de R$ 0,15 entre os 45 postos pesquisados, o consumidor pode ter uma economia de R$ 7,50 se encher o tanque (de 50 litros) no estabelecimento mais barato. Se optar pela gasolina - que já se tornou menos vantajosa para proprietários de carros flex - o custo pode ser reduzido em R$ 15,00.
Prejuízo evitável
Se a diferença é gritante para o motorista comum, quem faz do veículo seu instrumento de trabalho depende ainda mais da pesquisa de preços para não tomar prejuízo. É o caso do taxista Nivaldo Belório Peres, 56 anos, que costuma abastecer em dois dos postos mais econômicos da cidade.
Atualmente, ele gasta cerca de R$ 1,2 mil mensais com combustível. Se escolhesse o estabelecimento mais caro da cidade, gastaria R$ 144,00 a mais abastecendo com gasolina e R$ 116,40 se optasse por etanol. "Procuro os preços mais baratos, mas não deixo de lado a qualidade do produto. Já abasteço há algum tempo nestes postos e não tenho problemas. Se eu perceber diminuição de rendimento do carro, vou procurar outro lugar, mesmo que seja mais caro", ensina.
De fato, conforme orienta Tuschi, o consumidor deve desconfiar de valores muito abaixo da média praticada pelo mercado e a orientação é fazer cálculos.
"A pessoa tem de saber quantos quilômetros o carro dela faz com um litro de combustível. Quando encher o tanque, tem de fazer as contas para verificar se o rendimento está dentro do esperado ou não", recomenda. Se o desempenho for muito menor do que o de costume, o melhor é mudar de posto.
Mas o empresário alerta que alguns consumidores conseguem comprar mais barato quando o estabelecimento exige pagamento à vista. "O cartão de crédito encarece o custo para o posto em R$ 0,10 por litro de combustível. Então, o dono tem condições de fazer esse tipo de promoção, se quiser, sem comprometer a qualidade do produto", frisa.
Oscilação deve diminuir nas próximas semanas
Assim que os preços dos combustíveis começarem a se acomodar, o que deve acontecer dentro das próximas semanas, a variação entre os postos irá diminuir. É o que garante o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) em Bauru, José Antônio Reghine.
Segundo ele, a oscilação de R$ 0,15 para o etanol e de R$ 0,30 para a gasolina é bastante alta, mas aceitável para a época de início de safra da cana-de-açúcar. "Em breve, entretanto, esta diferença não deverá ultrapassar os R$ 0,05", frisa, salientando que a variação entre os valores mínimo e máximo praticados pelo mercado só voltará a aumentar novamente a partir de novembro, com o fim da safra.
Outro fator que deverá colaborar para que os preços não sejam tão díspares entre os estabelecimentos será a regulamentação do mercado de etanol por parte da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Ao modificar a classificação do combustível de produto agrícola para insumo estratégico, o recolhimento de tributos federais como o do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) passará a ser feito antes mesmo das operações de compra e venda, o que deve colaborar para o combate à sonegação. "Quem vendia álcool muito mais barato porque deixava de pagar os impostos devidos, não vai mais conseguir comercializar o combustível ao mesmo preço", analisa o empresário Edivaldo Tuschi.
Segundo ele, ainda que a variação entre postos tenda a diminuir, o preço do álcool não deverá alcançar aos patamares do ano passado, quando o produto chegou a custar R$ 1,15. "A média do litro do etanol deve estabilizar no preço mínimo encontrado hoje, em torno de R$ 1,55 a R$ 1,60. Já o valor da gasolina deve ser mantido em mais ou menos R$ 2,59", adianta.