Arealva ? A tranquilidade e o sossego buscados por moradores de Bauru e região que possuem ranchos às margens do rio Tietê, em Arealva (41 quilômetros de Bauru), parece ter chegado ao fim. Em apenas uma semana, três loteamentos foram invadidos por ladrões. O número de imóveis arrombados, conforme dados oficiais, chega a 19. Em 12 deles, foram registrados furtos. Entre os proprietários, a sensação é de medo, insegurança e impunidade. Em todas as ocorrências, os assaltantes estavam em busca de motores de barcos e eletrodomésticos de valor.
Na ocorrência de ontem, durante a madrugada, pelo menos cinco ranchos localizados no Loteamento Primavera, que fica há cerca de quatro quilômetros da prainha da cidade, foram furtados. Assim como nos casos da semana passada, o local não conta com vigia na portaria de entrada. No momento da invasão, todos os imóveis estavam vazios e o crime só foi percebido pela manhã, com a chegada do caseiro de uma das propriedades.
Uma das vítimas, Ivanilda Moreira de Almeida Menegheti, que mora em Bauru, mas vai para o rancho com a família nos finais de semana, conta que está assustada. Os ladrões arrombaram três portas do seu rancho e levaram aparelho de som, MP3 e material de pescaria, além de CDs e DVDs. Segundo ela, eles ainda tentaram furtar uma lavadora de alta pressão, mas não conseguiram e abandonaram o equipamento em um terreno vizinho.
A mulher diz que alguns vizinhos tiveram prejuízo de até R$ 6 mil. "Eles fizeram uma limpeza total nos ranchos, estrago nas residências", conta. "É um descaso. Aqui é tão tranquilo, nunca teve nada assim. O que eu vi hoje (ontem) é que a cidade inteira de Arealva tem uma viatura só ou no máximo duas. É muito pouco. A gente vem aos finais de semana para se distrair com a família mas, dessa maneira, não tenho mais coragem nem de deixar meus filhos ficarem sozinhos aqui".
De acordo com Ivanilda, que ontem à tarde estava no rancho para trocar as fechaduras das portas, seu prejuízo só não foi maior porque ela resolveu retirar dois motores de barco do local após a ocorrência em Marilândia. "Eu vi a reportagem uma semana antes (furtos em Marilândia) e, no domingo, estive aqui e recolhi com o meu esposo nossos motores porque nós temos a lancha e um barco pequeno", revela.
Ela acredita que os assaltantes tiveram acesso ao loteamento por uma área de mata fechada. "Inclusive, hoje (ontem), nós achamos coisas furtadas espalhadas pelo mato na beirada do rio", afirma. Entre os objetos que foram deixados para trás, supostamente por serem de menor valor ou pela impossibilidade de carregá-los estão uma carriola e uma lavadora de alta pressão.
O proprietário de outro rancho invadido pelos ladrões, que também mora em Bauru e preferiu não ter seu nome divulgado por questões de segurança, disse que amargou um prejuízo de aproximadamente R$ 8 mil. Após arrombarem três portas, os ladrões furtaram motor de barco, aparelho de som, máquina de cortar grama, entre outros objetos de menor valor do seu imóvel.
A vítima cobra maior patrulhamento por parte da polícia. De acordo com ele, a PM foi acionada pelo caseiro de um rancho vizinho assim que ele percebeu que o imóvel havia sido furtado. "A polícia demorou de duas a três horas quase para chegar aqui", reclama. "A gente fica preocupado agora".
Reforço de efetivo
A capitão Fernanda Silva Barbosa de Melo, comandante da 6ª Companhia da PM, com sede em Pederneiras, responsável por Arealva, informou que a unidade atende uma extensão rural de 547 quilômetros quadrados, além da área urbana, num total de 75.612 habitantes. "A gente já previa o policiamento nesse locais e está usando no planejamento o reforço e a intensificação nos locais onde ocorreram os ilícitos e os possíveis locais onde vão ocorrer", anuncia.
Ela lembra que, no domingo de manhã, reuniu-se com moradores e donos de propriedades em Marilândia para levantar as principais demandas da região, passar dicas de segurança e fortalecer a relação com a comunidade visando à criação de um Comitê de Segurança Rural. "Em Marilândia, fizemos o convite para 40 proprietários de ranchos, não só em condomínios, como em unidades esparsas, mas apenas oito compareceram", conta. "Os demais eram moradores do bairro Marilândia".
A capitão ressalta que cada proprietário de imóvel também deve fazer sua parte e zelar pela segurança de seu patrimônio, dificultando ao máximo a ação de criminosos. "Segurança é uma responsabilidade de todos", declara. "Tem pessoas que ficam meses sem aparecer, não têm caseiro fixo, deixam objetos de valor e, quando nós chamamos para discutir segurança, não comparecem".
A comandante rebateu as críticas das vítimas em relação à deficiência de patrulhamento preventivo em Arealva. "No caso de Iacanga e Arealva, que são duas cidades próximas, além das viaturas de radio-patrulhamento que nós temos, uma em cada município, existem horários em que a gente tem reforço no policiamento e, além disso, temos a patrulha rural", diz. Ela também negou que a viatura policial tenha demorado para chegar ao Loteamento Primavera.
Investigações
O delegado-assistente da Delegacia Seccional de Bauru, Márcio José Alves, informa que o loteamento alvo dos ladrões na madrugada de ontem não tem portaria com segurança e fica em um local com pouca iluminação, o que facilita a ação dos assaltantes. "Mais de 90% das casas desse loteamento não possuem moradores. São casas que ficam totalmente fechadas, somente para uso aos finais de semana", afirma.
De acordo com levantamento realizado pela Polícia Civil de Arealva, entre os objetos furtados dos ranchos estão furadeira, serra circular, máquina de cortar grama, aspirador de pó, materiais para pesca, três motores de barco, compressor para pintura, lavadoras de alta pressão, três selas para montaria em cavalos, objetos de decoração, materiais elétricos como fios de cobre e tanques com combustível.
A polícia ressalta que as investigações sobre os furtos em série ocorridos em Arealva tiveram início na semana passada. A suspeita é de que as três ocorrências tenham sido praticadas pelas mesmas pessoas. Até o fechamento desta edição, nenhum dos envolvidos havia sido identificado.