Auto Mercado

Dr. Automóvel: Por que se dirige tão mal

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Chegamos a um ponto que o trânsito está nos deixando a todos malucos, de tanta barbaridade que vemos por aí. Olhando "de dentro" do carro, como usuário no meio do trânsito real e não como burocrata ou filósofo legislador (alguns nem dirigem de verdade, ao que parece...), vê-se que as pessoas não têm o bom senso necessário para dirigir coletivamente. Bauru não é nenhuma megalópole para ter o trânsito parado do jeito que está. Em S. Paulo capital, o trânsito é parado nos horários de pico mesmo com grandes avenidas, mas convenhamos que por lá circulam mais de 30 milhões de veículos por dia.

Mas por aqui o vejo que são dois problemas complementares, que se perpetuam em um círculo vicioso: há uma boa parcela de motoristas egoístas e despreparados e a falta de um gerenciamento público de tráfego adequado. Vou explicar o que penso com exemplos.

Já passou em frente de uma escola no horário de entrada ou de saída das crianças? Os papais e mamães fazem questão de parar bem em frente do portão principal para recolher seus pimpolhos, pouco se lixando para a fila de outros carros que se forma atrás deles. Parece-me que ou os filhotes deles são mais importantes do que o dos outros ou que os pais não conseguem andar 20 metros e estacionar o carro logo adiante, para vir buscar os rebentos. É uma tremenda falta de educação fazer isso, e há uma lei que impede o estacionamento em fila dupla mas não há fiscalização. Talvez se houvesse, alguns pais metidos a besta dariam uma bronca solene e fariam a escola pedir que a fiscalização se afastasse... Estou inventando, por acaso?

A falta de atenção ao dirigir é gritante. As pessoas olham vitrines e se recusam a olhar para os espelhos retrovisores ou mesmo a reconhecer que sempre pode ter alguém atrás de seu carro, que pode estar sendo prejudicada. Por exemplo, repare no motorista que vem dirigindo naturalmente em uma rua como a Araújo Leite, por exemplo, que é preferencial e ao cruzar com outra, reduz drasticamente sua velocidade para passar por uma valeta de escoamento de chuva. Vejo vários erros aqui. Primeiro, reduzir a velocidade é correto, mas não precisa praticamente parar o carro para passar por uma valetinha. Também se lembre que atrás vem outro carro que pode não conseguir parar a tempo, seja por não manter a correta distância do carro à frente ou por não ter previsto que o tonto à frente ia brecar de repente por nada. Aí entra o bom senso.

Reparem também que é comum ter sempre alguém na sua frente que não sai quando o semáforo abre. A luz verde aparece e leva quase 10 segundos para o cara reagir, engatar a primeira e sair. E ninguém buzina! Acontece que se cada um levar de 5 a 10 segundos para andar, a cada troca de sinal passarão apenas meia dúzia de carros e a fila cresce, sobrando até para o semáforo anterior e o trânsito para. Não dá para perceber isso, minha gente?

Conversando com os amigos Julio e Toninho Quessada um dia desses, eles me contaram que sentem a mesma perplexidade. Disseram que outro dia tinha um carro pseudo-tunado na sua frente, todo rebaixado e andando de lado para passar por valetas, com o motorista de boné virado para trás pulando feito louco a cada saliência do asfalto e atrapalhando o trânsito. Ao conseguir ultrapassar o bendito em um trecho mais largo, todo mundo olhava feio para o cara do tunadinho que, na primeira reta, acelerava tudo com o motor "assobiando" para dizer que tinha turbo e brecava na próxima esquina por causa de outra valeta...

Quando digo um gerenciamento de trânsito mais adequado, quero dizer que ele deveria ser voltado para melhorar o fluxo como um todo, não apenas num trecho. Um policiamento maior tiraria esses "tunadinhos fajutos" de circulação, pois estão fora da lei de trânsito e nem deveriam circular, assim como outros trambolhos sem licenciamento caindo aos pedaços que rodam por aí. O bom gerenciamento de tráfego deveria levar em conta o volume e os obstáculos ao fluxo livre, fazendo recuos para paradas de ônibus em avenidas, por exemplo. No recape asfáltico, nivelar melhor as emendas em valetas para não reduzir demais a velocidade. Sincronizar melhor os faróis, pois se considerarmos que a reação à abertura do sinal é lenta, em algumas vias com semáforos em cada esquina os mesmos deveriam abrir juntos para permitir que o fluxo de trás não alcançasse o da frente e não parasse de novo. São idéias para melhorar a porcaria que está e me coloco à disposição para ajudar, se solicitado.

Comentários

Comentários