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A escravidão foi abolida?

Valderez de Mello
| Tempo de leitura: 2 min

Dia 13 de maio comemorou-se a libertação dos escravos e o grande feito da veneranda princesa Isabel, que assinou a gloriosa Lei Áurea, pondo em liberdade milhares de escravos que restavam enfurnados nas sombrias senzalas brasileiras. Importante saber que a escravidão, embora desumana, soberba e cruel se exibia vergonhosamente legitimada. Era lícito comercializar seres humanos, açoitá-los, marcá-los a ferro e oprimi-los ao bel prazer, como se gado fossem. Os senhores de engenho, donos da verdade, cada qual com seu próprio martelo ditavam sentenças e determinavam o poder de acordo com as vantagens do custo benefício. Vamos deambular pela história e repensar: a escravidão brasileira foi realmente abolida, apesar do tempo transcorrido? Vejamos por onde anda asilada a moderna escravatura, seja ela branca, parda, negra, amarela ou vermelha. Infelizmente, o servilismo permanece encravado nas ululantes injustiças sociais, nos desmandos, nos desvios de verbas, na inércia da justiça, no eivado abandono de nossa terra e nossa gente. Sintam, nesse 13 de maio, o arfar da escravidão hodierna firme e forte acorrentando as mãos da ordem e do progresso. Observem onde estão as tristes senzalas do século XXI: debaixo de escuros viadutos onde Marias e Josés dividem as gretas imundas entre trapos, papelão e lixo; na cracolândia, a céu aberto no coração das maiores cidades do país, onde crianças são maltratadas e pervertidas. Analisem o retrato do bem comum nos semáforos, onde a infância brasileira, abandonada e faminta, mendiga. Vejam senhores, nossos idosos e aposentados, a suplicar o miserável salário mínimo, que dizem ser o máximo. Observem ainda, pelas avenidas em noites de inverno, moradores de rua sob as úmidas marquises, com seus cobertores puídos, acobertando suas feridas, suas dores e suas famélicas fraquezas. Observem também nossos índios, legítimos senhores das terras brasileiras, dizimados, adoecidos, encurralados, espezinhados no mais completo abandono, apesar de inúmeros e gordos projetos de proteção aos silvícolas. Analisem o humilhante desamparo dos professores, alicerces da nação, agredidos e humilhados pelo excesso de tolerância à licenciosidade. Imperativo avaliar e questionar: A escravidão brasileira foi totalmente abolida? Ou, camuflada e sagaz, insiste em açoitar no tronco da demagogia o dorso arqueado do povo brasileiro? A grande verdade é que o abutre sabe que onde a injustiça campeia sua mesa é sempre farta e seu bico não tem peia!

A autora, Valderez de Mello, é advogada, pedagoga, psicopedagoga e autora do livro: Lágrimas Brasileiras - valdemello@gmail.com

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