Na tarde de ontem, a Secretaria Municipal de Saúde confirmou que a epidemia de dengue ultrapassou os 3 mil casos em Bauru. Dentre essas ocorrências, outra possível evolução para a forma hemorrágica da doença é investigada e o município alerta para o perigo de desatenção na prevenção com a chegada do frio. Outra novidade é uma pesquisa que mostra imunização das crianças amamentadas por mulheres contaminadas com a dengue (leia mais ao lado).
Ontem foram confirmados mais 73 casos, totalizando 3.040 ocorrências, sendo 3.034 autóctones e seis importadas. Desse número geral, houve três mortes confirmadas por dengue hemorrágica na cidade neste ano, sendo que mais um caso da forma mais grave da doença está sendo investigado.
"Nessa situação que estamos investigando para saber se é dengue hemorrágica ou não, a paciente está viva. Ela está sendo atendida em ambiente hospitalar. É uma senhora que está internada no Hospital Estadual (HE)", revela o secretário de Saúde, Fernando Monti.
Este ano foram registradas três mortes pela doença, que foram as primeiras em toda a história da cidade. Conforme revelou o JC, a primeira ocorrência foi registrada no dia 21 do mês passado e vitimou um homem de 67 anos. O segundo caso ocorreu no dia 4, quando a comerciante de 47 anos Fátima Aparecida Pereira da Silva, moradora do bairro Pousada da Esperança 1, morreu no Hospital de Base (HB). Um dia depois, Marcos Kazui Soga, de apenas 4 anos, também entrou para a estatística das vítimas fatais de dengue hemorrágica.
Além do perigo da evolução da doença, Fernando Monti alerta para a chegada do frio. Segundo ele, é natural que a progressão da dengue diminua, entretanto, o que poderia ser visto como positivo pode ser, na verdade, prejudicial à profilaxia.
"Os números da doença podem diminuir e as pessoas adquirirem uma falsa sensação de segurança. Com isso, tendem a ficar menos atentas a prevenção. Essa desatenção não pode ocorrer de maneira alguma", aponta.
O clima atual não é propício à proliferação do Aedes aegypti. Além da própria baixa temperatura, a falta de chuvas diminui a quantidade de criadouros do inseto.
Hora de aproveitar
Ao contrário de um possível desleixo, o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, afirma que o momento é de aproveitar para combater a pior epidemia de dengue da história. "É hora de aproveitar. Precisamos combater o mosquito e seus criadouros. É o momento de fazer revisões gerais e corrigir o que está errado. Se isso não for feito, quando o clima mudar, a epidemia pode vir ainda pior".
A secretaria pede a colaboração de todos com a manutenção da limpeza de seus imóveis e o descarte ou acondicionamento correto de material que possa servir de criadouros do mosquito transmissor da dengue.
O município orienta a tomar cuidados como manter quintais limpos; descartar garrafas vazias, pneus velhos e demais recipientes que possam armazenar água ou mantê-los devidamente protegidos com tampas; manter caixas d?água devidamente tampadas e manter vasos e os pratos dos mesmos com areia; piscinas vazias e cobertas com lona; manter a limpeza de calhas (se possível três vezes ao ano); deixar vasos sanitários tampados e depositar hipoclorito de sódio (alvejante) em ralos externos e internos.
Amamentação pode prevenir doença
Mesmo amplamente divulgado, algumas pessoas ainda possuem dúvidas sobre como a dengue é transmitida. A única forma possível de contágio é pela picada do mosquito Aedes aegypti. Desse modo, mesmo mulheres contaminadas podem - e devem - amamentar seus filhos.
"A picada do mosquito é a única maneira de pegar a dengue. Não existe outra forma de contágio. Nem pelo sangue, relações sexuais ou pelo leite materno", afirma o secretário de Saúde, Fernando Monti.
Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o aleitamento materno não oferece risco e pode, até mesmo, prevenir a doença. Uma pesquisa realizada pelo Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão Preto mostrou que os bebês absorveram, durante a amamentação, anticorpos contra vírus da dengue.
Segundo a pesquisa, além de anticorpos, na parte gordurosa há um fator antidengue que age como uma ação farmacológica e protege o bebê.
O estudo preliminar, cujos possíveis resultados foram divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde, mostra que a eficácia depende da quantidade de mamadas, porém, que varia de criança a criança.
Entretanto, a capacidade da imunização pelo leite materno ainda será pesquisada, por isso, ainda não se deve encará-lo como uma "vacina" contra a dengue.