Bem, se o estrategista político americano James Carville estiver certo quando diz "É a economia, estúpido!", a queda do homem forte do Fundo Monetário Internacional pode ser mais emblemática do que parece. A óbvia pergunta é como alguém da relevância de Dominique Strauss-Kahn, o número um do FMI, um político com reais condições de se tornar o futuro presidente da França e com grana suficiente para ter as melhores beldades que o mercado do sexo pode oferecer, com discrição, jogaria tudo no lixo ao assediar a camareira do hotel.
Sem subestimar os atributos de sedução da mulher que levaria à extrapolação dos mais básicos instintos de um macho, mesmo ocupando um sensível cargo, nada nos livra da dúvida de que pode haver caroço nesse angu. A crise na Europa, a cotação do Euro frente ao Dólar e a sucessão francesa, de um lado, e o histórico nada abonador de mulherengo que Strauss-Kahn conquistou, apimentam ainda mais a polêmica.
Assim, o mundo nos brinda com mais um emocionante capítulo de sua eletrizante novela da globalização. Da queda das torres gêmeas ao corpo ausente do Osama, das revelações do Wikileaks às festas de Berlusconi, da estagiária de Clinton à camareira de Dominique, temos hilários episódios de um mundo cada vez mais trágico, e patético.
Na idade média era muito comum o envenenamento para eliminar os inimigos, Abraham Lincoln e J. F. Kennedy foram assassinados a tiros e, hoje, ao que parece, a arma mais letal na guerra do poder é o sexo, ou melhor, o escândalo que ele é capaz de provocar. È mais fácil cair diante de um par de seios do que cometer as maiores atrocidades com vidas inocentes. Exemplos não faltam, de todos os lados que você arrisque enxergar.
Com tanta modernidade bélica capaz dizimar o planeta por várias vezes, está num primitivo instinto o maior dos perigos. Lembra a fascinante história de H. G. Wells, de 1898. Numa Guerra dos Mundos, marcianos invadem a Terra com armas poderosas, e foram confrontados com nossas armas também poderosas, que nada podem. Os invasores sucumbem a uma banal bactéria terrena, simplesmente porque não estavam adaptados. Conspiração ou excesso de testosterona, este caso deve servir de lição. Quem quer ocupar, permanecer e fazer uso do poder é melhor se adaptar às armas e armações do mundo de hoje, e pensar com a cabeça certa.
O autor, Luís Victorelli, é jornalista