Polícia

Notas marcadas por furto já circulam

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 5 min

Nos últimos dias, um dos grandes assuntos nas redes sociais de relacionamento virtual foi o novo dispositivo que inibe a ação de criminosos que têm como principal alvo o furto em caixas eletrônicos. O sistema, que tinge as notas de cor-de-rosa, é uma tática adotada pela empresa Tecnologia Bancária S.A. (Tecban), designada exclusivamente à administração de terminais de autoatendimento, e já se estendeu a caixas eletrônicos de Bauru (leia mais abaixo).

A circulação das notas tingidas não deve acontecer. De acordo com o Banco Central (BC), quem receber essas notas marcadas com tinta cor-de-rosa deve trocá-las nas agências bancárias.

O cidadão receberá uma espécie de ?recibo do portador?, com cadastro nominal e de documentos como RG e CPF, e outra cédula intacta. Todas essas notas serão encaminhadas posteriormente ao BC para passar por análise e, posteriormente, serem destruídas.

O Banco Central pede que comerciantes e consumidores fiquem atentos quando receberem trocos e pagamentos e recusem as notas tingidas. A regulamentação sobre as cédulas deve ser divulgada nos próximos dias porque ainda está em fase de estudos com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

A população deve estar atenta também que, segundo o artigo 10 da lei 8.697/93, toda cédula que contiver marcas, rabiscos, símbolos, desenhos ou quaisquer caracteres a ela estranhos perderá o poder liberatório e o curso legal, valendo apenas para ser depositada ou trocada em estabelecimento bancário.

Furtos em série


De acordo com informações da assessoria de imprensa da Tecban, inicialmente os dispositivos "anti-furto" foram instalados nos caixas da rede Banco 24 Horas, já que a empresa administra somente esses caixas. A ideia partiu do mercado europeu, que começou a adotar o sistema para evitar furtos em série que estavam ocorrendo em caixas eletrônicos.

Na França, Bélgica e Suíça, a prática desses crimes com o auxílio de explosivos era muito comum, por isso, ainda segundo a assessoria de imprensa da Tecban, desenvolveram esse sistema que tinge as notas de cor-de-rosa, similar ao que se adota atualmente no Brasil.

Como a realidade dos terminais de autoatendimento no Brasil é diferente da europeia, o dispositivo foi modificado, adaptado à necessidade nacional e começou a ser instalado nos caixas do Banco 24 Horas em maio do ano passado, quando quadrilhas especializadas começaram a agir com mais frequência. A Grande São Paulo foi uma das primeiras regiões a receber o dispositivo.

Hoje, a Tecban já equipou os 12 mil caixas eletrônicos do Banco 24 Horas espalhados por todo o País. A empresa já disponibilizou o inibidor de furtos às agências bancárias interessadas em instalá-lo em seus caixas eletrônicos.


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Como funciona


Por motivos de segurança, a Tecnologia Bancária S.A. (Tecban) não divulga com precisão como funciona o dispositivo que tinge as notas de alguns caixas eletrônicos. No interior da máquina é instalada a bolsa com a tinta. Em qualquer tentativa de dano no caixa, essa bolsa se rompe e tinge as notas, impossibilitando que os criminosos as utilizem posteriormente.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) divulgou que não irá revelar, também por questões de segurança, quais agências bancárias de Bauru já aderiram ao dispositivo, mas que muitos deles já estão funcionando na cidade.

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Prisões de quadrilhas


Em abril deste ano, a Polícia Civil deflagrou operação intitulada "Arsenal" e iniciou um ciclo de prisões de uma quadrilha especializada em roubos a malote e furtos em caixas eletrônicos de Bauru e outras cidades da região.

Os três primeiros presos foram Álvaro Raul Teixeira da Silva Taicico, 27 anos, o ?Catatau?, André Luís da Cunha, 24 anos, o ?Dézinho?, e Roberto de Jesus Vaz, 34 anos, o ?Betinho?.

Eles foram reconhecidos por levar R$ 33 mil de um caixa em Presidente Alves. Um dos membros da quadrilha ainda confessou que o trio violou o cofre do setor de limpeza pública da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), levando os R$ 120 mil que estavam guardados.

O cofre foi aberto com um maçarico e a ação teve ajuda de indivíduos de outras cidades do Estado de São Paulo.

Posteriormente, a Polícia Civil ainda prendeu Bruno Eduardo Rodrigues de Souza, 21 anos, o "Brunete", que foi apontado como um dos executores de roubos a malotes e a cofres de empresas.

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Casos em Bauru


Em março deste ano, assaltantes arrombaram dois caixas eletrônicos de uma agência do Banco do Brasil (BB) localizada na avenida Rodrigues Alves, na altura do Cemitério da Saudade. Os alvos escolhidos pelos bandidos, em seguida, foram caixas de uma agência localizada na quadra 25 da rua Rio Branco, Jardim Estoril.

Dias antes a esses dois crimes, dois vigias noturnos que trabalham na prefeitura foram rendidos e ameaçados por um bando armado com revólveres. Os bandidos tentaram levar o caixa eletrônico do órgão municipal e arrombar o cofre do equipamento, porém, a tentativa foi frustada já que a máquina é soldada ao chão e o alarme da repartição disparou.

Sem sucesso, os assaltantes fugiram em uma caminhonete preta levando um telefone celular de um dos vigias. A assessoria de imprensa da Tecnologia Bancária S.A. (Tecban) acredita que, além de quadrilhas especializadas, os assaltantes estavam violando muitos caixas para tentar descobrir como funciona o dispositivo e quais caixas possuíam o sistema.

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Pena branda contribui
para aumento do crime


De acordo com o Código Penal Brasileiro, violar um caixa eletrônico e dali levar o dinheiro é considerado furto, como outro qualquer, se o ato não for mediante grave ameaça.

O código trata como furto "subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel". A pena é de um a quatro anos de reclusão, e pode aumentar ou diminuir de acordo com os antecedentes criminais do acusado.

Por isso, a empresa Tecnologia Bancária S.A. (Tecban) tenta mobilizar autoridades para que esse tipo de crime passe a ter uma pena mais severa por tratar da violação de um patrimônio financeiro e que, portanto, deveria ser considerado crime contra o sistema financeiro.

A assessoria de imprensa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) foi questionada sobre a adesão à mobilização, mas informou apenas que a solicitação foi encaminhada ao departamento jurídico.

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