Regional

Lençóis reverteu a situação com prevenção

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Na cidade de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) dengue não tem vez. Uma verdadeira batalha foi travada entre a proliferação do mosquito transmissor e os moradores. Todos os meses as cerca de 21 mil residências são visitadas pelos 113 agentes comunitários de saúde. A cidade é dividida por áreas e microrregiões para a cobertura, explica o diretor municipal de Saúde, Márcio Santarém.

"No ano passado tivemos 70 casos positivos de dengue. Aproximadamente 10 eram importados, os demais, autóctones. Não tivemos casos hemorrágicos. Este ano, estamos com três casos de dengue clássico, importados de Bauru e Campinas."

Para o diretor, a reversão nos números começou a acontecer quando os agentes deixaram de pertencer a uma OS de ação social. "Todos os agentes fizeram concursos e passaram a ser funcionários públicos. No ano passado, estávamos no período de transição. Investimos em treinamento e este ano estamos desenvolvendo estratégias no campo da prevenção."

O treinamento em outras áreas ajudou o agente a ser bem recebido nas residências. "Antigamente, eles eram chamados de dengueiros, uma maneira meio depreciativa de intitulá-los. Hoje, eles visitam a residência e a família com outra proposta. Avaliam a carteira de vacinação das crianças, encaminham os idosos para a unidade de saúde, orientam sobre hipertensão, diabetes e até sobre acidentes domésticos, quando percebem que o tanque de lavar roupa não foi chumbado, por exemplo. Orientam ainda sobre os serviços de saúde bucal existente no município. Isso faz com que eles sejam bem recebidos."

As terças, quartas e quintas-feiras o caminhão que recolhe inservíveis visita os locais onde há todo tipo de material. A intenção é manter a cidade limpa. É um serviço contínuo, explica Santarém. "As pessoas ligam na diretoria de saúde e agendam o dia para a recolha. São lixos de quintais, utensílios velhos, garrafas, pneus, sofás e tudo o que não serve mais. Mesmo aquilo que teoricamente não acolheria água parada é recolhido."

As carcaças de chassis de veículos abandonadas pela cidade são recolhidas. "Contamos com o envolvimento do Ministério Público. A recolha é constante. O agente passa por um terreno e vê parte do veículo abandonado. Se ele tiver uma identificação, placa, número de chassis, nós entramos em contato com a delegacia para saber a procedência. Tentamos localizar o proprietário e fazemos uma notificação para ele resolver em 15 ou 30 dias. Quando o proprietário não é localizado, a delegacia autoriza a recolha. A carcaça é levada para a usina de reciclagem."

Copos, garrafas e latas de bebidas jogadas na via pública após a balada é outra preocupação constante. "Estamos fazendo um trabalho educacional incentivando os jovens a dar destino correto. Na manta asfáltica ondulada, troncos de árvores com bifurcação que possam acumular água, os agentes tapam com material adequado."

A limpeza de terrenos baldios é questão de honra para a municipalidade. "Para aqueles que não os mantêm limpos, usamos a força da lei municipal, após notificações, autuações."


Polo de capacitação

Para preparar os agentes comunitário, Lençóis Paulista criou um polo. "Os agentes passam a semana toda assistindo palestras e recebendo orientações, em datas pré-estabelecidas. Eles já tiveram vários treinamentos sobre aleitamento materno, cuidados com o bebê, gestante, como funciona o Sistema Único de Saúde (SUS), vacinações e vários tipos de patologia. Em julho próximo, eles vão receber orientações sobre a saúde da criança, em setembro sobre saúde da mulher, do idoso, do homem."

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