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A gente ?sabemos? (sic) hackear

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 2 min

E é justamente pela falta de conhecimento aprofundado, seja nas técnicas profanas de informática quanto educação básica, ortografia por exemplo, que o grande contingente de falsários deixa transparecer as tentativas de golpe.

A má utilização de linguagem escrita e visual é um verdadeiro tiro no pé para os criminosos da rede, salienta Ricardo Nicola, professor de Jornalismo Digital na Unesp/Bauru.

Autor de "Cibersociedade, Quem é Você no Mundo Online" (Senac Editora, 168 páginas), livro em que as faces "analógica" e digital do Direito são colocadas frente à frente, Nicola observa que a linguagem dos emails fraudulentos é praticamente a mesma.

Logomarcas scaneadas, fora de sincronia e em baixa resolução, são boas deixas para que usuários leigos em informática não caiam em armadilhas da rede, orienta: "Os gifs geralmente são deformados, fora dos padrões utilizados pelas empresas ou instituições, com assinaturas sem criptografia, o conjunto de códigos binários que constrói determinada imagem. Algo como que o ?código de barras? de um email timbrado", detalha.

Em algumas mensagens fraudulentas, não são apenas computadores lesados. Ortografia e gramática são assassinadas sem qualquer tipo de pudor por quem se debruçou em tutoriais para aprender a invadir o PC alheio, mas fugiu da aula de Português.

Num email fraudulento se passando por um banco, por exemplo, o falsário chega a ameaçar o destinatário de bloqueio em acesso à conta e até mesmo multa caso não faça um tal "recadastramento". Entretanto, o redator confunde crase com acento. Em outros atentados, remetentes comentem gafes de concordância, no estilo "a gente faremos (sic) seu recadastramento".

Uma das grandes pistas, aconselha o professor Nicola, é a tentativa dos golpistas em utilizar a linguagem corporativa e impessoal geralmente implantada por empresas. "Só o formato de como a carta é redigida já denuncia a fraude. Os textos são híbridos. Começam de uma maneira formal e mudam bruscamente", ilustra o acadêmico. "As instituições sérias não modificam o formato do texto, uniforme. O falso é híbrido", diferencia.

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