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Meio milhão de spams em apenas 8 horas

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Se você tem uma conta de e-mail, o spam estará lá. É quase impossível evitá-los. Mesmo quem possui filtros antispam, não está livre desse incômodo. Um ou outro sempre passa pelo bloqueio. E por que existe tanto spam? Basicamente, por dois motivos. São lucrativos e fáceis de serem criados.

Qualquer pessoa que saiba lidar com um computador pode se tornar um spammer. Suponha que você queira vender a receita de algum produto "mágico" ou o próprio produto. Você envia esse e-mail para 50 pessoas da sua lista de contatos. Desses, um se interessou pelo produto.

Daí vem a conclusão. Tomando como base a mesma proporção, se o mesmo e-mail for enviado para 500 pessoas, pode ser que 10 sejam fisgados. Imagina, então, se for enviado para 5 mil ou 50 mil. E isso vale tanto para vender produtos "milagrosos" quanto para capturar dados pessoais.

É por esta razão, sustenta Marshall Brain, mestre em ciência da computação e fundador do site HowStuffWorks (EUA), que existem empresas e pessoas que vendem CDs com milhões de endereços de e-mail válidos.

Ele lembra que, com o auxílio do Microsoft Word, é possível formatar endereços de e-mail em grupos de 100 e depois copiá-los para o campo "Para:" de qualquer conta de e-mail. Levando em consideração que a cada vez que você pressiona o botão "enviar" leva cerca de cinco segundos para que os e-mails sejam disparados, é possível enviar 72 mil spams em apenas uma hora. Multiplicado por oito, vê-se que é possível mandar mais de meio milhão de spams de um único computador em apenas um dia de jornada normal de trabalho (8 horas).

"Este é o problema do spam. É muito fácil criar e enviar. Não custa praticamente nada. E mesmo que a taxa de resposta seja baixa como uma venda a cada 10 mil e-mails, ainda é um negócio lucrativo", afirma Brain.

De acordo com Tiago Amôr, gerente de operações da Lecom, o spam é uma arma usada tanto por iniciantes em informática que buscam resultados simples quanto por equipes qualificadas que buscam resultados expressivos, como alto faturamento ou furto em massa de dados pessoais.

Ele comenta que, muitas vezes, o alto grau de conhecimento dessas equipes leva à criação de páginas falsas idênticas à original. Isso, geralmente, ocorre com páginas de bancos, SPC, Serasa e outras instituições consolidadas.

A perfeição é tanta que leva os mais desavisados a preencherem cadastros com seus dados pessoais, que serão furtados e usados indevidamente. Mas para chegar a esse nível de complexidade, Tiago conta que é preciso ter conhecimento avançado de uma série de linguagens de Internet, como HTML, Flash, Java, PHP, Dotnet e outras.

Segundo Tiago, quando o spammer não tem uma relação de e-mails válidos em mãos, geralmente, ele usa um programa que fica testando nomes até achar uma conta que existe de fato. "Ele segue o método de tentativa e acerto", explica.

Para diminuir o risco de ser "fisgado" por esses e-mails, Tiago recomenda que sejam tomados dois cuidados básicos. O primeiro é ter um antivírus atualizado. Segundo ele, existem boas opções mesmo entre os antivírus grátis. De acordo com o gerente da Lecom, esse cuidado é essencial, principalmente, para quem usa o computador quase o tempo todo e profissionalmente.

O outro cuidado é contar com um antispam. Trata-se de um filtro que ajuda a reter e-mails suspeitos. Segundo Tiago, essa ferramenta ainda é pouco utilizada, mas é tão importante quanto o antivírus para tornar a navegação mais segura.

Quanto aos e-mails que chegam com pedido de ajuda de todo tipo ou mesmo aqueles que pedem para que a mensagem seja repassada para outras pessoas, numa espécie de corrente, a recomendação é ter muito cuidado.

"O ideal é não responder o e-mail e nem repassar, mas sim procurar se informar se a situação realmente existe e aí sim tentar ajudar", orienta Tiago.

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