Um corredor lotado de pessoas em busca do sonho de um lar para chamar de seu e muitas delas conseguindo alcançá-lo. Foi esse o clima da 7ª. edição do Feirão da Casa Própria em Bauru, promovido durante a manhã e a tarde de ontem, na Universidade do Sagrado Coração (USC), por iniciativa da Caixa Econômica Federal (CEF) e com a participação de construtoras e imobiliárias da cidade.
Com o foco voltado para a classe C, o evento ofereceu mais de 2.200 opções de imóveis, com preços que variavam entre R$ 30 mil e R$ 500 mil. Cerca de 60% das unidades, porém, estavam na faixa de preço abaixo dos R$ 100 mil. Entre imóveis novos, seminovos e outros ainda na planta ou em fase de construção, a expectativa da CEF é de ter atingido R$ 70 milhões em negócios nessa edição, por conta da grande aceitação do público. Esse valor é 25% maior em relação ao resultado do feirão do ano passado.
O gerente regional de Construção Civil da CEF, Olair Ribeiro Filho, explica que o evento proporciona o encontro, em um só local, de diversas empresas que possuem produtos para oferecer com quem tem o dinheiro e o interesse para o financiamento, ao longo de um dia com atendimentos focados no setor habitacional.
Para adquirir o bem, os compradores puderam utilizar parte ou todo o valor de seu Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), ou ainda optar pelo financiamento pela CEF em até 30 anos. As parcelas sofrem influência anualmente dos juros que variam entre 4,5% e 13,5%, mais a taxa referencial (TR).
Algumas das opções expostas permitiam até 100% do valor financiado nos casos de imóveis financiados pelo programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. "São unidades no valor de até R$ 130 mil reais, com ?habite-se? a partir de 29 de março de 2009 e que ainda não tenham sido ocupados", explicou Olair, ressaltando que os interessados podem usufruir de tais benefícios de acordo com a variação da renda familiar.
Nesse sentido, 16 funcionários da CEF trabalharam durante todo o dia fazendo a análise de crédito de todos que buscaram por esse serviço no Feirão da Casa Própria, orientando as pessoas sobre a capacidade de financiamento individual e sobre o teto do valor dos imóveis que cada um pode adquirir. Para isso, os interessados precisavam apresentar apenas RG, CPF e comprovantes de renda e endereço.
O filho e a chave
O casal Manuella Luize da Silva Guimarães Souza, 18 anos, e Diego Alexandre Valotti, 23 anos, foi ao evento com o objetivo de fechar negócio. Eles esperam o primeiro filho, que está no sétimo mês de gestação, e pretendem celebrar a chegada da criança se livrando do aluguel. "Antes de olhar todas as ofertas, vamos fazer a consulta do crédito para saber quais são as opções que estão ao alcance das nossas condições", contou o pai de Samuel, que trabalha como padeiro.
Mesmo antes disso, Manuella já contava estar surpreendida com a quantidade de imóveis disponíveis nas imobiliárias e construtoras durante o evento e já revelou suas pretensões. "Queremos uma casa que já esteja pronta para usarmos o dinheiro do aluguel para honrar o financiamento, pois não podemos conciliar as duas dívidas simultaneamente", explicou a recuperadora de crédito.
De acordo com a análise do diretor regional da CEF, o mercado imobiliário cresceu expressivamente a partir de 2009, impulsionado pelo lançamento do programa Minha Casa, Minha Vida. Ele aponta que a tendência, a partir de agora, é de estabilização no setor, embora devam se manter constantes os lançamentos de novos empreendimentos.
Encontro do sonho com a oportunidade
Também aguardando a chegada do primeiro filho, Maria Carolina Novelli Abes Luiz, 27 anos, e Handerson Luís Moraes, 30 anos, já estavam fechando o negócio enquanto concederam entrevista para a compra de um apartamento ainda na planta, que deve ser entregue no prazo de 12 meses.
A operadora de caixa e o trabalhador autônomo devem se casar até o final desse ano e, apenas enquanto o novo lar não estiver pronto, vão alugar um imóvel para viverem juntos. Para isso, batalharam pelo financiamento de 100% do valor da compra. "A casa própria é a garantia de um futuro seguro porque isso ninguém tira da gente", disse Handerson.
Emocionada, Maria Carolina contou que a aquisição do imóvel representa a realização de um sonho de liberdade. "Ainda moro com os meus pais. Para mim, tudo ainda é muita novidade, ainda mais com a chegada do bebê", revelou.
O sonho de essas e outras centenas de pessoas, porém, não seria possível sem a participação de empresas que participam do evento e oferecem cada vez mais e melhores opções e ofertas, melhoradas ainda mais pelas facilidade de financiamento da CEF.
Evento tem diversificação de marcas
Em uma sólida e exclusiva parceria, a Residem Operações Imobiliárias e a Casa Alta Construções participaram pela sétima vez do evento, oferecendo 304 unidades de dois empreendimentos em fase de construção, além de outro em processo de inscrições.
A expectativa era de que 40% dos apartamentos fossem vendidas. "São imóveis de extrema qualidade, voltados para o público com rende de até seis salários mínimos. A participação nesse evento já é uma marca da nossa empresa, que está presente todos os anos. Trata-se de uma oportunidade ímpar de que os clientes tenham contato com nossos empreendimentos e já fechamos bons negócios hoje", afirmou Ercio Luiz Domingues dos Santos, diretor da imobiliária Residem.
Portal da Colina e Dante Alighiere são os dois residenciais que foram comercializados pelas duas empresas ontem. As unidades estão avaliadas em R$ 85 mil e R$ 75 mil, respectivamente, e podem contar com subsídios de R$ 17 mil pelo Minha Casa, Minha Vida, além de excelentes condições de financiamento.
Diretor da Casa Alta, Juarez Wieck destaca que o evento proporciona uma grande rede de contatos para as empresas de pessoas interessadas em negócios imobiliários, especialmente das classes C e D. "Há 10 anos estamos focados nesse público. O feirão proporciona que todas as ofertas estejam concentradas em um só lugar e ainda faz a simulação de renda e financiamento para que as pessoas já saibam o que podem comprar", observou.
O representante do segmento de construções da imobiliária Addad-Volpe ressalta que, em muitos casos, o Feirão da Casa Própria é o primeiro contato da empresa com os clientes para negócios fechados futuramente. "Fazemos o atendimento inicial e, ao longo das semanas, dedicamos atenção personalizada, mostrando os imóveis que atendem as expectativas do público. O momento para fechar negócio é agora, com o mercado aquecido e a importante contribuição da Caixa", afirmou.
Guilherme Busch, proprietário da imobiliária Busch, comemora os negócios fechados no evento, mas argumenta que o feirão serve principalmente como um termômetro para que as empresas sintam quais são as demandas e as necessidades dos clientes. "Muitos procuram uma casa, com quintal, espaço para lazer, onde possam ter um cachorro. Cada vez mais, as pessoas querem qualidade de vida", ressaltou.
O empresário destaca ainda que o mercado imobiliário deve se manter aquecido por mais 12 anos, com a população mais jovem como principal motor, bem como pessoas que moram atualmente com seus sogros, filhos, avós, o que ele denomina como coabitação. "Com a melhora da situação econômica, as pessoas estão cada vez mais ansiosas para terem seu próprio canto", apontou.