Bairros

Sem rotina

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

Entrar em favelas com vielas estreitas e com alto grau de criminalidade para caçar traficantes, presenciar cenas de assassinato, negociar com sequestradores, fiscalizar o trânsito e a ordem dos bairros e rodovias de Bauru e ainda ficar de olho no meio ambiente. Estas são apenas cinco de uma grande gama de missões atribuídas à Polícia Militar (PM), que está segmentada em urbana, rodoviária e ambiental, além dos bombeiros.

Portanto, quem optar por seguir a carreira de policial militar deve saber que, neste trabalho, não existe rotina. Isso porque criminosos não trabalham somente em horário comercial e acidentes não escolhem hora nem local para acontecer. Além disso, integrar a PM é sinônimo de dever de proteger a cidade, custe o que custar.

E a população acredita nisso. Uma prova é o número de ligações recebidas no disque-emergência da PM, o 190: cerca de 2.700 por dia, registro que aumenta a partir da tarde de quinta-feira e permanece até o fim do domingo.

Os casos de maior incidência são desentendimentos entre vizinhos e familiares, além de ocorrências de perturbação do sossego, como som alto, por exemplo. Na rodovia, os acidentes fazem parte da rotina e na polícia ambiental a maioria das ocorrências é relacionada a queimadas e desmatamento.

"A PM é sinônimo de proteção para a sociedade. Quando acontece um crime, seja ele um furto costumeiro ou um homicídio violentíssimo, a primeira coisa que as pessoas fazem é acionar a polícia. Os militares não são vistos como um ser humano comum, que tem medos e receios. São vistos como guerreiros, defensores", explica o Capitão Flávio Jun Kitazume, comandante da Força Tática.

Para corresponder às expectativas, a PM não poupa esforços. Para dar conta da diversidade de ocorrências, o policiamento urbano, por exemplo, está segmentado em várias modalidades, como trânsito, ronda escolar, rural, aéreo, motocicletas, bicicletas, comunitário, além da força tática, que abriga o canil e a cavalaria.

"A PM faz o máximo para estar presente em todos os bairros da cidade e prioriza os locais de maior concentração de pessoas, como a Zona Sul e o Centro. Uma das estratégias que funcionam muito bem é levar a polícia aos bairros por meio das bases comunitárias", explica o capitão do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior, Fabiano de Almeida Serpa.

As bases estão espalhadas por sete bairros da cidade. Além disso, a polícia está presente em outros oito endereços. Mas a demanda é grande. A polícia urbana, por exemplo, atende a Bauru e outros 18 municípios da região. Já a polícia rodoviária responde pelas rodovias que vão de Bauru a Marília, Iacanga, Ipaussu, Jaú e a Marechal Rondon, do trecho que vai da Avaí a Areiópolis. A polícia ambiental, por sua vez, atende a 16 municípios.

"Para participar de uma rotina tão atribulada e cheia de imprevistos é preciso, fundamentalmente, ter coragem, disponibilidade e vontade de vencer. Com isso, o resultado vem", destaca Fabiano.

E vem mesmo. A maioria das vezes, em forma de admiração e respeito.

"Fico orgulhosa quando as crianças da escola em que faço a ronda escolar me abordam e dizem que querem ser como eu quando crescer", conta a soldado Luciana de Lourdes Carmiatti.


Como fazer parte

Ter entre 18 e 30 anos, não ter antecedentes criminais, ter concluído o segundo grau, e medir no mínimo 1,65 metro de altura são alguns dos pré-requisitos para quem deseja se tornar um policial militar do Estado de São Paulo.

Mas todos estes pré-requisitos não bastam. Antes de tornar-se um guardião da cidade é preciso que a pessoa participe e seja aprovado em um concurso público e, na sequência, faça o curso de formação de Formação de Soldados, ou, para os que desejam ser oficiais, o curso de 13 meses na Academia de Polícia Militar do Barro Branco.

"É quando o futuro policial militar vai adquirir noções de direito, de administração, de como manusear equipamentos, efetuar abordagens, entre outras coisas", explica o capitão Fabiano de Almeida Serpa, do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior

O salário inicial bruto é de aproximadamente R$ 2.mil. Além disso dá para fazer carreira na corporação.

"A pessoa começa como soldado ou oficial, no caso de ter formação de quatro anos pelo Barro Branco. Depois, por concurso interno, pode passar a cabo, terceiro sargento, segundo sargento, primeiro sargento, subtenente, segundo tenente, primeiro tenente, capitão, major, tenente coronel e, por fim, coronel", enumera Fabiano.

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