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Emprego e erradicação da pobreza

Ricardo Coube
| Tempo de leitura: 2 min

O Brasil vive uma situação atraente economicamente no sentido de se ter um ritmo admirável de crescimento, com projetos vultosos pela frente e que demandarão grandes investimentos em estádios, comunicação, saneamento, estradas, portos, aeroportos, etc... Esta situação acentuou a carência de profissionais especializados. Principalmente nas áreas técnicas como engenharia, cujo passado recente a atratividade dessas profissões era baixa. Mesmo funções e operações com baixa qualificação profissional tem tido enorme demanda e cresce a sensação de falta de profissionais com pouca qualificação também. Na construção civil temos sérios problemas e dificuldade para preencher seus quadros de funcionários demandados. Por outro lado, o País tem um enorme programa social, o bolsa família, que cumpriu importante papel social e econômico. A dúvida é: a continuidade do programa para as mesmas pessoas, cumpre qual papel agora? Estas pessoas não deveriam ser estimuladas a trabalhar? Não haveria frentes de emprego que pudessem absorver essas pessoas do bolsa família?

Não estaríamos estimulando um enorme grupo de assistidos, sem motivar o resgate deste grupo para a atividade econômica, que também pode ser assistida/acompanhada e direcionada? Estamos acompanhando o crescimento dos fi-lhos desses assistidos, a fim de orientá-los e exigir encaminhamento para a escola? O objetivo de educá-los não seria para encaminhá-los ao mercado de trabalho, a fim de transformá-los em dignos cidadãos brasileiros? Agora, queremos erradicar da extrema pobreza mais 16 milhões de brasileiros. Acho que todos concordam com os objetivos do programa.

Acontece que, também neste caso, não está definido quais são os passos seguintes após a transferência inicial de renda. Ou seja, alimentados e assistidos minimamente, como criaremos as condições para educá-los, empregá-los, treiná-los, darmos saúde, moradia, etc... Quais serão os passos seguintes? Sabemos que muita gente do bolsa família trabalha, mas não pode e não quer ser registrado para não perder o benefício oficial. Além do programa federal do bolsa família, existem programas semelhantes estaduais e municipais. Sabemos o quanto se gasta com esses programas. Entretanto, não é percebido com objetividade pela população qual é o retorno prático que os programas têm obtido em termos de desenvolvimento social.

Nesta época de pleno emprego, onde faltam trabalhadores em tantas frentes, cuja exigência de qualificação é mínima, não deveríamos estimular muitos assistidos a buscar emprego a fim de complementar renda ou substituí-la por salários dignos? Reconheço que o assunto é polêmico. Entretanto, gostaria que houvesse mais transparência e objetividade desses programas, devido ao custo que eles têm, em termos de aporte financeiro oriundo dos nossos impostos, e pela falta de retorno à sociedade quanto aos resultados obtidos com os programas. Quem deve cobrar esta transparência?


O autor, Ricardo Coube, é diretor do Grupo Tiliform

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