Tribuna do Leitor

João Paulo II, um padre santo!


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Na semana em que a Igreja nos recorda o aniversário natalício do Beato João Paulo II, em 18 de maio, tomo a liberdade de partilhar, por meio desta prestigiosa Tribuna do JC, minha reflexão acerca de sua beatificação, pois Deus me concedeu a graça de lá estar.

Repercutiu em todo o mundo a belíssima cerimônia presidida pelo papa Bento XVI, em 1 de maio, em Roma. Cerca de um milhão e quinhentos mil peregrinos participaram da missa de beatificação. Milhares de pessoas não puderam chegar ao local e tiveram que se dirigir para outras áreas da cidade, onde foram instalados telões, para acompanhar a cerimônia. Podemos dizer que a cidade de Roma se tornou um único altar na qual todo o mundo reconhecia e reverenciava João Paulo II que, em vida, mudou a história da Igreja e do mundo com sua presença e, por isso, era elevado à honra dos altares. Ele deu um grande testemunho de vida e santidade. Mesmo aqueles que não são cristãos, que não são católicos, também tinham uma grande admiração por João Paulo II por suas mensagens universais, pois, falava de tudo e a todos, indo, assim, além da mensagem especificamente cristã. O que se viu na Praça de São Pedro, como também, nos seus arredores e em toda cidade de Roma foi, na verdade, uma grande demonstração de fé e de amizade pelo papa que contribuiu pela paz. Sem armas, sem poder temporal, obediente somente ao mandato do Senhor conquistou o amor do mundo.

Em sua homilia, Bento XVI afirmou que o papa João Paulo II "tinha a força de um gigante" e enfrentou "sistemas políticos e econômicos" para cumprir o desafio de viver a fé sem medo. Sua mensagem foi esta: o homem é o caminho da Igreja e Cristo é o caminho do homem. Bento XVI lembrou ainda a famosa frase pronunciada por João Paulo II, no início de seu pontificado: "Não tenhais medo! Abri, melhor, «escancarai» as portas a Cristo!" Sobre o processo de beatificação, um dos mais rápidos da história, o papa afirmou que já no dia do funeral, em 8 de abril de 2005, podia se perceber seu "perfume da santidade", e que o povo de Deus manifestava de muitas formas sua veneração por ele.

Sabemos que, o ato de adoração é exclusivo ao Senhor Deus. Entretanto, aos santos, nosso ato é de veneração, quando reconhecemos respeitosamente seu modelo de santidade e vida, mediante as virtudes vivenciadas em grau heróico. Portanto, o santo não é para ser adorado, e sim, venerado, já que seus exemplos de perfeita prática dos princípios do Evangelho merecem de nossa parte, a imitação.

O papa João Paulo II pastoreou a igreja Católica por um período longo e fecundo, de quase 27 anos, e sua missão se projetou em âmbito internacional, como se pôde perceber em seu funeral, há seis anos. Sua mensagem encantava a todos e ultrapassava as fronteiras da igreja católica atingindo a todos. Depois de seis anos de sua morte, novamente uma multidão foi a Roma para a sua beatificação. Tudo era muito emocionante: as orações, os cânticos, a vigília, a praça repleta de peregrinos vindos de todo mundo, e, sobretudo, o grito dos jovens chamando-o "Giovanni Paolo" como se ele estivesse ali, na Praça São Pedro. Terminada a celebração da Santa Missa tivemos outro momento muito emocionante, o da visita a Basílica para a veneração dos restos mortais do Beato.

Ainda vivemos num mundo conturbado por muitas tensões e injustiças, como também os desafios contra a paz, contra os valores espirituais e morais. O apelo do papa deve estar sempre vivo em nossos corações, e se faz necessário retomar sempre: vamos, de fato, "escancarar" nossos corações para acolher a mensagem do Evangelho de Jesus Cristo e lutar pela defesa da vida e da dignidade humana. Por esta e muitíssimas outras razões, é que a Igreja nos desperta à imitação da fé exemplar do Beato João Paulo II, com os nossos sentimentos voltados para o Divino Redentor, o ponto mais alto da manifestação suprema da misericórdia de Deus para com a humanidade, em todos os tempos. Beato João Paulo II, rogai por nós!


Padre Rosinaldo Faria de Sousa - Diocese de Bauru

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