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Irmã Dulce é beatificada em Salvador

Folhapress
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Salvador - A religiosa baiana Maria Rita Lopes Pontes, a Irmã Dulce (1914-1992), foi beatificada ontem, em Salvador, em missa com 70 mil pessoas e sob chuva intermitente.

A cerimônia simbolizou o novo fôlego que o culto à beata conferiu à Igreja Católica na região, onde as denominações neopentecostais ganham terreno.

O cardeal dom Geraldo Majella Agnelo leu a carta enviada pelo papa Bento XVI e proferiu uma homilia centrada no trabalho de caridade que tornou Irmã Dulce conhecida.

A instituição de caridade fundada por ela em 1949 realiza atualmente 5,5 milhões de atendimentos por ano.

Por volta das 18 horas, sob o som de sinos dobrando e intensos aplausos, o cardeal proclamou a religiosa "bem-aventurada Dulce dos pobres", título conferido pela igreja à beata.

Caravanas de Sergipe foram as mais numerosas no evento. Foi do Estado, vizinho da Bahia, que saiu o caso reconhecido como milagre pelo Vaticano - o que propiciou à religiosa, morta em 1992, ser reconhecida como beata.

A funcionária pública Cláudia Cristiane Santos de Araújo, do município de Malhador, a 49 quilômetros de Aracaju, foi salva de uma intensa hemorragia que a acometeu logo após o parto de seu segundo filho, Gabriel, hoje com 10 anos.

Cláudia e Gabriel participaram da cerimônia, depositando um arranjo de flores sob a imagem oficial da religiosa, que foi mostrada ontem e passará a ser como Irmã Dulce será conhecida entre os católicos do mundo.

Ela, o marido e os dois filhos foram abençoados pelo cardeal e cumprimentados pela presidente Dilma Rousseff.

Dilma e Serra

A missa também marcou o primeiro evento público, desde a posse, com a participação de Dilma e do ex-governador de SP José Serra -rival da petista na eleição.

Os dois, no entanto, não se encontraram. Dilma ficou em um camarote coberto, próximo ao altar, enquanto Serra teve que recorrer a uma capa de chuva para se proteger numa área descoberta, longe do palco da celebração.

A petista não comungou e deixou o local antes do fim da celebração. O tucano acompanhou a missa ao lado dos deputados federais do PSDB baiano Antonio Imbassahy e Jutahy Júnior.

Serra se recusou a falar sobre política.

Sincretismo

O apelo popular da beata fez Cilma Costa, 54 anos, percorrer 36 horas de ônibus, de Castanhal (PA) a Salvador. "Ela já é santa há muito tempo, nem precisava beatificar", disse.

Valdemar de Souza, 54, dirigente do grupo do afoxé Filhos de Gandhy, trajava indumentária do candomblé e segurava uma imagem da beata: "A Bahia é assim: somos católicos, cultuamos orixás e outras filosofias??.

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