Depois de quatro horas de reunião ontem (23), em Buenos Aires, os secretários executivos dos ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior da Argentina, Eduardo Bianchi, e do Brasil, Alessandro Teixeira, sinalizaram que hoje pode ser fechado um acordo para encerrar o impasse envolvendo os dois países.
Há duas semanas surgiu a controvérsia, gerada depois da suspensão, por parte do Brasil, da concessão de licenças não automáticas para a venda de automóveis e autopeças procedentes da Argentina. A decisão foi uma reação à ação do governo argentino que definiu pela retenção de produtos brasileiros na fronteira.
Após a reunião ontem, Bianchi afirmou que os dois governos estão preocupados em trabalhar para encontrar "uma solução para cada ponto de tensão resultante da relação comercial". Apenas em 2010, o comércio entre a Argentina e o Brasil envolveu US$ 33 bilhões - com superávit de US$ 4 bilhões para o Brasil.
Ontem, técnicos do MDIC informaram que o governo do Brasil não está disposto a flexibilizar a regra de licenças não automáticas sem a contrapartida do governo argentino. Atualmente, produtos de 600 setores estão fora da licença automática na Argentina. Empresários de vários segmentos reclamam do embarreiramento feito pelo governo argentino aos produtos brasileiros. Além disso, alguns prazos ultrapassam o limite máximo de 60 dias previsto pela legislação.