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Dengue provoca R$ 12 mil em multas

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 5 min

Na tarde de ontem, a Secretaria Municipal de Saúde informou em nota que a dengue continua se alastrando em Bauru. O número de infectados na cidade subiu para 3.464 sendo 3.458 autóctones e 06 importados. No mesmo informe uma cena chama a atenção: um local que soma sozinho R$ 12 mil em multas pela reincidência de grande quantidade de criadouros do mosquitos Aedes aegypti a céu aberto. O Jornal da Cidade apurou que este local fica na Vila São Paulo, em um ponto comercial.

Em várias oportunidades, em entrevista ao JC, o secretário municipal da Saúde, Fernando Monti, que também é médico infectologista, ressaltou: "A dengue é muito mais um problema social do que de saúde". Ao passar pela Vila São Paulo, o cenário que vemos é alarmante, levando em consideração os "passos largos" que a dengue tem dado no município.

Ferros velhos a céu aberto, carros antigos sem utilidade abandonados em calçadas e muitos terrenos baldios com acúmulo de lixo. Ana Aparecida Corsino, 15 anos, moradora do bairro, faz uma denúncia referente a um terreno próximo à sua residência. "Ali eu vi um homem tirando um pote de água cheio de larvas da dengue. Ninguém sabe de quem é o terreno", disse.

O problema não está somente na Vila São Paulo, mas também em outros bairros como o Jardim Bela Vista e o Núcleo Vânia Maria. Nestes dois últimos locais, as equipes do Departamento de Vigilância Ambiental terão de fazer novas fiscalizações por conta da reincidência de locais com criadouro do mosquito.


As multas


As multas variam de R$ 250,00 a R$ 2.500,00 e mesmo com o valor alto e correndo risco de morte - lembremos as três mortes por dengue hemorrágica registradas na cidade ? uma parcela da população insiste em "bater de frente" com o Aedes aegypti. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a melhor forma de combater o vetor é eliminar os criadouros evitando sua reprodução.

No caso de proprietários como o do estabelecimento comercial reincidente, se a multa não for paga dentro do prazo legal, esta passa a fazer parte da dívida ativa do município. A administração pode recorrer à Justiça para a cobrança do montante. Sobre o processo incidem juros e correção.

Até a semana passada a equipe de agentes de controle de endemias da operação de combate à dengue emitiu 20 multas por acúmulo de recipientes que eram ou poderiam virar criadouros do mosquito Aedes aegypti. Eventualmente, se as equipes do setor de fiscalização da Divisão de Vigilância Ambiental visualizarem o problema, também pode emitir a mesma multa.

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Cooperação entre prefeitura e promotoria
no combate aos focos ainda não saiu


O constante aumento dos casos de dengue na cidade levou o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, a anunciar plano que esperava contar com a adesão de empresas de logística, sucatas, desmanches, materiais de construção, além de grandes áreas industriais para compor espécie de blitz contra os criadouros do mosquito Aedes Aegypti.

Há 15 dias o secretário revelou que iria ao Ministério Público Estadual (MP) para desenvolver as medidas sanitárias de forma conjunta com o objetivo de encontrar formas permanentes de combater os criadouros. "Como é um caso muito preocupante de saúde pública, coletiva, acreditamos na ampla participação de todos", declarou.

"Nós fizemos a primeira reunião no Ministério Público e a partir daí combinamos com o promotor do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Sciuli de Castro, estudar a legislação pertinente que poderia ser acionada. Enquanto isso, nós estamos fazendo uma reavaliação dos pontos mais vulneráveis e depois vamos marcar uma nova reunião", explica Monti.

O problema é que enquanto a prefeitura estuda a situação, as pessoas continuam contraindo a dengue. A aposentada Ema Evanir Perisin de Mattos, 70 anos, mora na quadra 2 da Rua Pará, na Vila Cardia, e conta que ainda está debilitada e não se sente completamente recuperada da dengue: "Hoje, nós vivemos com medo. Eu tive esse problema no começo do mês, ainda não estou curada", queixa-se.

Além de Dona Ema, outros moradores da região acreditam que um ferro-velho existente no local pode ser um potencial foco do mosquito. "O pessoal da prefeitura passa aqui na minha casa e nos meus vizinhos e não encontra nada. No entanto, eles não entram nesse ferro-velho aqui perto porque está sempre fechado", destaca a aposentada Regina Maria Gannam, 53 anos. "Da última vez que eles passaram aqui, eu briguei para eles checarem esse imóvel", aponta.

A reportagem ouviu o locatário do local, o empresário Antônio Euclides Doro, que confirmou a presença da fiscalização no depósito, mas garantiu que nenhum foco foi encontrado. "Não foi a primeira vez. A prefeitura vem sempre aqui, mas nunca encontraram nada e também nunca fomos notificados", garante. "Nós mandamos um funcionário verificar se tem acumulo de água depois de todas as chuvas", reforça Doro.


Prevenção contínua


Enquanto a cooperação entre a prefeitura e o MP não se concretiza, agentes de endemias da Divisão de Vigilância Ambiental continuam com as ações casa a casa nos bairros de Bauru.

Vale lembrar que a medidas simples, como manter quintais limpos, descartar de forma adequada garrafas vazias, pneus velhos e recipientes que possam armazenar água, manter caixas d?água devidamente tampadas, cobrir piscinas vazias são as mais eficientes no combate aos focos do Aedes Aegypti.

O secretário Fernando Monti admitiu que o município tem dificuldades para controlar a epidemia, mas tentou mostrar aspectos positivos aprendidos com o momento vivido pela cidade. "Temos que aproveitar para remapear a cidade e rediscutir coleta de lixo, loteamento urbano, enfim, muitas outras coisas. Além disso, precisamos rever as ações de conscientização da população para tornar o controle do mosquito mais definitivo", finalizou.

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Exceção


O estado de exceção é uma situação decretada por autoridades em situações de emergência. O secretário de Saúde, Fernando Monti, revela que discutiu o tema com o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), mas a hipótese foi descartada.

"O prefeito não se convenceu que havia elementos para decretação de emergência porque todas as medidas que precisamos adotar para combater a dengue estão sendo feitas. Não existe nada que (o Estado) de emergência facilitaria", explica.

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