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Dr. Automóvel: Por que se dirige tão mal (Parte 2)

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Pela reação das pessoas ao artigo da semana passada, fiquei contente por ver que não sou o único a pensar assim. Tem muita gente prejudicada por alguns maus motoristas ou por um sistema de tráfego inadequado ou defasado. Interessante que todos os comentários recebidos foram de concordância com os pontos de vista aqui expressos (alguns até de forma impublicável...). Vamos ver alguns deles.

Nosso amigo leitor Aníbal Oliveira nos mandou o seguinte e-mail: "Sr. Marcos, bom dia! Parabéns pela sua coluna de hoje no Jornal da Cidade de Bauru. Nosso trânsito esta a cada dia mais estrangulado e não veja solução a médio prazo. Seria muito importante que nós motoristas nos conscientizássemos para melhorar o nosso modo de direção. Tomo a liberdade de incluir, além dos seus apontamentos dos erros que cometemos, o de não dar a seta nas viradas de esquinas ou mudança de direção. Existe ainda, uma grande parcela de motoristas que vive falando ao celular e, para que possa ouvir a conversa de quem esta falando do outro lado, diminuem muito a velocidade, sem contar que em alguns semáforos onde se pode passar dois carros por vez acaba se formando uma fila indiana (exemplo vivo é o semáforo da Rua Gustavo Maciel próximo ao Supermercado Confiança, pois ali em horário de pico a fila chega quase até a Associação Luso Brasileira). Os donos de carros grandes também quase não têm respeito em esperar a sua vez, pois avançam e acabam estrangulando ainda mais o trânsito. Por mais que se queira, não existem guardas de trânsito para tantas infrações e, no meu ponto de vista, a continuar com o volume crescente de veículos nas ruas, dentro de mais alguns anos a solução será igual à de São Paulo, ou seja fazer o rodízio, mas será uma medida extrema. Porém as ruas de maior movimento foram projetadas para o trânsito da década de 60 e não vão mudar de tamanho..." É tudo verdade Aníbal, mas não se esqueça de que o brasileiro em geral não liga para os outros e, se tiver que deixar o carro em casa no dia do rodízio, sairá com o da esposa ou do filho, como se faz em Sampa...

Já o leitor João Abílio Molina nos mandou algo tão hilário quanto verdadeiro, que muitos já devem ter recebido pela internet. Trata-se do "Manual do Motorista &*#%" (omiti para não baixar o nível...), mas dá para perceber do que se trata. Neste manual são retratadas diversas situações do cotidiano que todo mundo vê (algumas até foram aqui comentadas), mas só uns poucos reclamam ou fazem algo para corrigir. E tome palavrão... mas é gozado.

Na verdade, é cada um por si e os outros que se danem, infelizmente. Que falta policiamento e fiscalização é mais do que claro, mas também é lógico que não se pode colocar um policial para vigiar cada esquina. O problema é que falta ética no País, desde cima até nós. Eu defino ética como fazer o que é certo mesmo que ninguém o esteja fiscalizando. Jogar papel no chão ou furar um sinal vermelho com o guarda olhando ninguém faz, mas repare quando não tem ninguém fiscalizando. É o que acontece no dia a dia, onde diversos motoqueiros (não confundam com motociclistas, que são muito mais responsáveis) e alguns carros insistem em sair quando o sinal fecha para a outra rua e ainda não abriu para a sua. Temos que sair com o verde para nós, não no vermelho para os outros, ô mané!

Portanto, a solução está em educação, desde o ensino fundamental. Diversos países ensinam regras de trânsito nas escolas desde a infância, para ir incutindo cidadania nas crianças desde cedo. Afinal de contas, o comportamento no trânsito reflete bem o comportamento social coletivo. A Polícia Militar ministra palestras sobre trânsito em escolas, o que acho muito louvável, mas é mais por iniciativa própria do que uma diretriz governamental. Também, o que esperar de um governo sem planos claros para o futuro, que no campo da educação lança livros com o português errado, pois "é mais fácil para os alunos assimilarem o jeito que se fala nas ruas (sic)"? É esse processo de emburrecimento coletivo, que é do agrado de uma ala de políticos que preferem manipular uma massa sem cultura, em que os alunos não são reprovados para melhorar as estatísticas de analfabetismo, que nos leva para trás. Vejam o caso da China e da Coréia, que investiram pesado em educação e se colocaram com potências mundiais em praticamente uma geração. E nós aqui, com os mesmos problemas de 50 anos atrás...

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