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Pimenta Neves se entrega à polícia após decisão do STF


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Brasília - Após quase 11 anos do crime, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou ontem que o jornalista Antonio Marcos Pimenta Neves, 74 anos, comece a cumprir a pena de 15 anos de reclusão a que foi condenado. Ele foi preso em casa, na Chácara Santo Antônio, zona sul de São Paulo, às 20h.

Assassino confesso da ex-namorada, a também jornalista Sandra Gomide, ele só havia ficado detido entre setembro de 2000 e março de 2001. Depois disso, manteve-se em liberdade graças a ações judiciais. Ontem, os ministros da 2.ª Turma do STF concluíram que as possibilidades de recurso acabaram e o réu terá de cumprir a condenação pelo homicídio, cometido em 20 de agosto de 2000, em um haras na cidade de Ibiúna (SP).

Na época do crime, o casal havia rompido um relacionamento de quase três anos. Pimenta Neves foi diretor de redação do jornal "O Estado de S. Paulo" e Sandra Gomide trabalhou como repórter e editora de Economia. Sandra morreu ao ser atingida por dois tiros, um na cabeça e outro nas costas.

A polícia chegou à residência de Pimenta Neves na zona sul paulistana às 18h30. Uma hora depois, ele chamou os policiais para uma conversa no interior da casa. Por lei, um mandado de captura não pode ser cumprido depois das 18h. Às 20h, ele vestiu um terno, trancou a residência e seguiu com os policiais - ele deveria ser encaminhado para o 13.º DP (Casa Verde). "Não fui surpreendido pela decisão", afirmou o jornalista, na saída. "Ele está debilitado e é hipertenso. Trata-se de situação difícil para as duas famílias (da vítima e da dele)", completou Itagiba Francês, um de seus defensores.

Após saberem da decisão, às 16h, os pais de Sandra, que atualmente vivem em Suzano (SP), tomaram remédios antidepressivos e foram dormir - segundo uma empregada do casal, trata-se de rotina adotada nos últimos meses. O advogado da família, Sergei Cobra Arbex, elogiou a decisão, apesar de o réu poder progredir para o regime semiaberto depois de um ano e oito meses preso.

"É chegado o momento de cumprir a pena", afirmou o ministro Celso de Mello, relator do caso, durante o julgamento no STF. A ministra Ellen Gracie, que participa de encontros internacionais de Justiça, ressaltou no julgamento que o caso é um dos mais difíceis de serem explicados fora do País. Foi dela a sugestão para que o STF determinasse ao juiz de Ibiúna a imediata execução da pena. "Como justificar que, em um delito cometido em 2000, até hoje não cumpre pena o acusado?"

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