Na manhã de ontem, a Polícia Civil fez uma apreensão de drogas e prendeu um rapaz por tráfico. Com ele, foram localizadas quatro pequenas pedras de crack. Apesar da reduzida quantidade de entorpecente recolhida, a polícia suspeita que o rapaz atue numa modalidade chamada de "microtráfico".
Segundo o delegado titular da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Bauru, Silberto Sevilha Martins, o microtráfico é um tipo de tráfico normalmente praticado em biqueiras de ponta de vilas. "Trata-se de uma tática de comercialização da droga em que o traficante se passa por usuário, pois é pego com pouca quantidade. Assim, ele alega que é para consumo", explica.
"Geralmente, a pessoa é pega com um estoque pequeno de entorpecente, mas o restante da droga fica muito bem escondida. É uma maneira do traficante conseguir sobreviver. É um dos piores tipos de traficante", esclarece.
A detenção do rapaz ocorreu em uma residência na rua José Fernando do Amaral, no Parque Paulista. Com mandado de busca em mãos, U.S. (só foram informadas as iniciais), de 32 anos, foi pego enquanto dormia em um quarto improvisado da casa. As quatro pedras de crack foram achadas em um bolso da roupa dele.
O acusado alegou que era usuário e que comercializa uma parte da droga para sustentar o vício. Embora pouca quantidade de crack tenha sido coletada, a polícia conseguiu recolher também outros apetrechos que apontam para tráfico.
"Neste caso, nós achamos objetos que indicam tráfico, como anotações, balança de precisão, além de R$ 140,00 em vários trocados. Um usuário não utiliza balança e nem anotações", enfatizou o delegado da Dise. Assim, U.S. foi detido e enquadrado por tráfico de drogas. Ainda ontem, ele seria encaminhado para alguma cadeia da região.
Oxi continua sem confirmação de laudo
O "tijolo" de 60 gramas de droga apreendido em Bauru no último domingo, conforme o JC divulgou, continua em análise do Instituto de Criminalística (IC) para atestar o tipo de entorpecente. A suspeita inicial apontava para a primeira apreensão de oxi na cidade. O resultado dos testes deve sair em 30 dias.
A droga, ainda mais devastadora que o crack, é composta por pasta base de cocaína oxidada com querosene, cal, gasolina e até fluido de bateria, produto altamente corrosivo.
É possível fazer um teste preliminar que atesta se aquele objeto é de fato um entorpecente. O teste cromático é feito com a aplicação de um reagente que aparenta uma cor azulada. A cocaína, o crack e o oxi ficam com uma cor azulada. Esse teste pode ser feito na hora com um reagente específico.
O teste é feito pelo laboratório de toxicologia do Instituto de Criminalística de Bauru. "O laudo demora cerca de 30 dias para ser emitido definitivamente", disse o delegado da Dise Silberto Sevilha Martins no início desta semana.
O oxi chega rapidamente ao cérebro, assim como o crack, e pode causar derrame, perda de memória, além de dificuldade de concentração. Os lábios ficam queimados, os tecidos começam a necrosar e os dentes caem.
Ao ser inalado, o oxi petrifica os pulmões causando enfisema e complicações nos alvéolos. O usuário de oxi pode ainda ter infarto, hipertensão, vômitos, diarreia e inflamação nos rins e fígado.
Denúncias
O delegado titular da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Bauru, Silberto Sevilha Martins, destaca o quanto é importante a participação da população no combate ao tráfico de drogas. "As informações passadas pela população auxiliam nas investigações da Polícia Civil. Essa interação com a sociedade ajuda a polícia a agir. E é importante deixar claro que a fonte que passa informação é sempre mantida em sigilo pela polícia. Queremos incentivar a população a continuar informando."