Sou do tempo em que se ia pescar no rio Batalha de jardineira, da Empresa Almeida e Santos. Estando lotada, íamos no bagageiro, sobre o teto, junto com porcos, galinhas, sacos, enxadas etc. O rio era volumoso, entre matas fechadas, e dava muito peixe. O trecho mais procurado pelas turmas de pirangueiros de Bauru, facilitado pela rota do coletivo, tinha início no Pomar ou Ponta da Mata, um quilômetro acima da ponte de madeira do Cedro, até na Água do Paiol, ponte do Matosinho (Carne Seca).
Cidade ainda pequena, conheci uma gama enorme de pescadores: havia os medíocres, os médios, os bons, e os espetaculares, afamados. Eu seria apenas médio, quase bom.
Lembro-me do Zé Corimba (José Covolan), que era uma fera no manejo do caniço. No final da pescaria, por mais que eu tivesse "faturado", ele trazia pelo menos o triplo em seu embornal. A disputa com outros dois "cobras" era meio velada, com pequenas e amenas gozações para não exacerbar os melindres um do outro, mas na hora do "pega-pra-capar", a concorrência era ferrenha, logo de saída. Aparentavam calma, mas quase se matavam para chegar antes nos poços mais piscosos, pegar pelo menos um peixe (lambari, de dia, e bagre à noite) enquanto o outro não passasse, quase correndo. E com isso, eles percorriam trechos enormes do rio. Os outros dois eram o "seo" Luís Tentor (tio Luís) e Joãozinho Pintor. Eu os admirava, na pesca de lambaris, a habilidade dos três, que talvez só tenha sido superada quando entrou em cena o Oswaldo Caçador, junto com a fama de inigualável nos rios e campeoníssimo em campeonatos de pesca. Eu não o conheci pessoalmente e acho que nunca frequentou o "nosso trecho" no Batalha, mas acredito que ele fazia jus à fama de Mestre na arte da pesca de lambaris. Rendo minha modesta homenagem a esses quatro pescadores e, dos três amigos, saudosos, sinto um orgulho enorme por terem sido meus companheiros desde as primeiras noites passadas no Rio Batalha, lá pelos idos de 1948 ou 49. Na verdade, foi com o Joãozinho Pintor e mais dois colegas, que fiz minha primeira pescaria de bagres, à noite, na hoje inexistente Ponta da Mata, no histórico rio Batalha, e que me traz muitas saudades. Na próxima história, também verdadeira, falarei sobre o "seo Tchithe", um velho e diferente pescador.
Adalto Dias Giafferi Prado, é pescador e contador de histórias