Tribuna do Leitor

Palmada educativa


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Útil mesmo seria criar uma lei para habilitar as pessoas a se tornarem pais e mães. Com direito a exame psicotécnico, prova oral e curso de reciclagem. Provavelmente ainda sairia mais barato que as penitenciárias, hospitais mais o prejuízo causado pelas fornadas de novos trombadinhas soltos nas ruas ano a ano.

Sem dúvida, o pai precisa garantir os direitos do filho, desde o mais óbvio de preservar sua vida. Mas esse pai tem com a sociedade o dever de tornar seu filho um cidadão de bem. Não se está dizendo que o antigo método da palmada era correto, mas é fato que as últimas gerações criadas nesse molde respeitavam mais seus pais e, por consequência, seu próximo. Não era preciso tanta motivação para não fazer coisa errada. Não vou correr entre as plantas para preservar a vegetação ou porque virá voando um chinelo de sola até a batata da minha perna e vai ficar dolorido até amanhã? Simples assim.

A maioria dos aprendizados permite que nossas crianças errem algumas vezes antes até começar a acertar. Mas existem alguns, os mais temíveis, que não dão uma segunda oportunidade. "Se eu experimentar isso, minha mãe vai cortar lascas de pele das minhas costas, fritar e me fazer comer" parece uma ameaça criminosa, mas se esse receio tiver efeito inibidor na cabeça de um pré-adolescente apresentado ao crack pelo colega mais popular e descolado da turma, então, meu caro, a Xuxa que me perdoe, mostro até a frigideira.


Cláudia Fukumoto Uehara - filha e mãe

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