Regional

Quadrilha especializada em roubo de combustível age próximo a Agudos

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

Agudos - Seis homens armados assaltaram dois caminhoneiros no início da madrugada de ontem, no quilômetro 329 da rodovia Marechal Rondon, em Agudos (13 quilômetros de Bauru). Os ladrões levaram duas carretas carregadas com 89 mil litros de etanol. Os veículos foram encontrados horas depois, no município de Botucatu com as chaves no contato, mas sem o combustível.

O roubo aconteceu no interior de um posto de combustível, próximo ao restaurante, mas segundo as vítimas, ninguém percebeu a movimentação dos assaltantes. Eles entraram nos veículos na primeira hora da madrugada de ontem.

As vítimas Adinael Silva dos Santos, 37 anos, e Rubens Jacinto Ferreira, 46 anos, estão surpresas com a ação dos ladrões que avisaram desde o início que não se interessavam por mais nada, a não ser o etanol. "O estranho é que a poucos metros antes tinha um acidente e estava cheio de viaturas policiais. No posto tinham outros caminhoneiros e ninguém ouviu nada."

Os assaltantes pegaram os dois caminhoneiros no momento do descanso, ambos dormiam quando foram surpreendidos com o barulho de vidro quebrado seguido da invasão. "Um deles quebrou o vidro lateral da cabine com a mão que estava com uma luva e pulou para o interior do caminhão. Ele avisou para eu me comportar que nada aconteceria comigo, porém manteve um revólver na minha cabeça. Me levou para o outro caminhão e de lá fomos levados para um matagal, cerca de 500 metros do posto."

No matagal, as vítimas foram colocadas deitadas no chão, onde permaneceram até o dia começar a raiar. "Eles não estavam encapuzados, mas usavam bonés que impossibilitava ver o rosto deles. Armados, eles nos mantiveram com o rosto sempre virado para o chão. Não sei dizer se eles eram brancos ou negros."

Quando o dia raiou, os ladrões foram embora, mas não sem antes avisar que as vítimas deveriam ficar no local por mais cerca de uma hora e só então poderiam sair de lá e procurar ajuda. "Nós esperamos um tempo e voltamos para o posto de combustível, onde acionamos a polícia. Eles não maltrataram a gente."

No caminhão placas BTO 0558/Palmares Paulista em que Adinael Silva Santos dirigia havia 44 mil litros de etanol sendo transportados de Araçatuba para Santos. O mesmo trajeto fazia o outro caminhão placas BTO 0557/Palmares Paulista dirigido por Rubens Ferreira.

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Mesmo modo de agir


Na madrugada anterior, possivelmente o mesmo bando, tentou levar 60 mil litros de biodiesel que estavam sendo transportados por um caminhão, na região de Dois Córregos (73 quilômetros de Bauru). Os ladrões chegaram a render o motorista que estava em um posto de combustível no quilômetro 158 da rodovia Paulo Nilo Romano (SP 225), mesmo modo de operar dos ladrões que agiram em Agudos. A vítima foi rendida por cinco homens armados de pistolas que quebraram o vidro da janela da cabine, retirando o motorista do veículo. Ele foi mantido refém, mas os ladrões desistiram por não conseguir retirar o rastreador do veículo.

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Esquema é
conhecido em Campinas


O roubo de combustível é um crime típico das grandes metrópoles ou das cidades onde há usina de álcool instalada. Tanto que o delegado titular de Agudos, Jader Biazon, estranhou. "Com certeza é uma quadrilha especializada, mas é cedo para falar sobre os possíveis autores. O caso será investigado."

O esquema usado pelos ?puxadores? de combustíveis é sempre o mesmo. Eles andam em ?bando?, rendem o motorista e, enquanto alguns integrantes ficam ?cuidando? das vítimas, outros, descarregam o combustível em outro veículo e vendem em postos sem bandeira. No caso de Agudos, o etanol foi descarregado entre a cidade e Botucatu, possivelmente em matagal. Combustíveis roubados são rapidamente vendidos para os postos, a fim de eliminar qualquer suspeita. Os ladrões, em casos semelhantes, recebem pelo ?serviço?, não são os mentores do crime.

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?Pensei que não ia conhecer minha neta?


Rubens Ferreira tem 46 anos e dirige caminhão há mais de 20. Foi vítima de assalto pela primeira vez. Machucou a perna e o pé com os cacos de vidro da janela lateral. "O pior foi ficar com um revólver na cabeça. Eles não machucaram a gente, mas saber que a qualquer momento ele poderia apertar o gatinho causa uma tensão muito grande."

O caminhoneiro diz que pensou que ia morrer sem conhecer a mais nova neta. "Ela nasceu a três dias e eu ainda não a conheço. Nos momentos que fiquei sob a mira do revólver, achei que não voltaria para casa. Sei que minha família fica preocupada porque a gente sai para trabalhar e não sabe se volta."

A outra vítima, Adinael Santos tem 37 anos e não estava debutando no item vítima de assalto. "Já passei por isso duas vezes, essa é a terceira. Em São Paulo, os ladrões não conseguiram levar o combustível. A gente assusta e pensa em desistir."

O caminhoneiro diz que só parou no posto para dormir porque tinha informações de que ali era um local seguro. "Entre os caminhoneiros a gente conversa e fica sabendo onde os roubos estão acontecendo. Achei estranho que ninguém tenha visto."

Para ele, os ladrões eram especializados, já que rejeitaram os demais pertences dele e do companheiro de trabalho. "Eles não quiseram a carteira e documentos, nada. Queriam o etanol. Eles falaram que estava nos seguindo desde Lins. Nós não percebemos. Só notei que próximo de Promissão havia um carro com alerta ligado no acostamento."

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