Um segundo de desatenção e... pronto! Lá está o constrangimento gerado. O silêncio paira no ar, as feições do rosto e os movimentos corporais ficam tensos e, em seguida, todos tentam agir naturalmente, ainda que a vontade fosse de estar em qualquer lugar do mundo, menos ali . Poucas situações são tão desconfortáveis quanto aquela em que alguém comete uma gafe. Ainda que, com o tempo, se transformem em histórias pitorescas e engraçadas, este tipo de "saia justa" pode ofender ou ferir sentimentos alheios e até arruinar negócios, relacionamentos e amizades.
Embora ninguém esteja a salvo de ser traído pela própria língua vez ou outra, o JC reúne, nesta reportagem, 25 grandes erros que não devem ser cometidos, além de histórias de quem viveu na pele uma dessas experiências constrangedoras. É claro que o leitor, certamente, se lembrará de outros tantos "foras" que não serão citados aqui, o que comprova que a gafe faz mesmo parte da existência humana.
"Quem entre nós ousa afirmar que nunca cometeu uma gafe? É algo que acontece na vida de todo mundo. O importante é estar atento para não cometê-las e, caso aconteça, encontrar a melhor forma de contorná-las", observa a psicóloga Thelma Margarida de Moraes dos Santos, coordenadora da Clínica Escola de psicologia da Universidade Sagrado Coração (USC).
Segundo a professora e consultora de etiqueta social Glorinha Braga Ortolan, por conceito, gafe é tudo aquilo que fazemos errado acreditando estar certo. "São situações desagradáveis, como chegar a um velório e cumprimentar os familiares com um "tudo bem?" ou então perguntar a uma mulher acima do peso se ela está grávida. Naquela fração de segundo, pensamos ser a atitude ou palavra certa a ser dita, mas imediatamente depois descobrimos que não", detalha.
Falar de forma irrefletida, fazer constatações precipitadas, tecer críticas de maneira imponderada e até mesmo o medo constante de errar estão entre as principais armadilhas que favorecem o cometimento de gafes. A personalidade distraída também é característica marcante daqueles que sempre sofrem com este tipo de lapso.
Festa errada
É o caso da empresária Rita de Cássia Mello, 53 anos, que reconhece ter grande dificuldade para memorizar o nome e a fisionomia das pessoas. Por conta desta condição, não raro ela chama pessoas conhecidas por outros nomes, causando enorme desconforto. "É a morte, mas é coisa de Rita. Sou espontânea e acabo não me programando muito para evitar essas situações", comenta.
A grande gafe da vida da empresária, entretanto, ocorreu há cerca de três anos, quando ela foi a uma festa de aniversário do filho de um amigo. O problema é que a comemoração estava marcada para um sábado e ela e o marido foram no domingo ao salão onde ocorreria o evento.
"Chegamos e estava tendo festa lá. Meu marido e eu entramos e sentamos em uma mesa. Quando começamos a procurar gente conhecida, não encontramos ninguém. Aí fui perguntar onde estava a mãe do aniversariante e descobrimos que não era nossa amiga e estávamos na festa errada", conta.
Depois do "fora", o casal, que estava todo arrumado e com fome, saiu do local e acabou indo a um restaurante antes de voltar para casa.
"Depois, ligamos para avisar nossa amiga que a gente tinha ido na festa, mas no dia errado", relembra Rita, aos risos.
O desprendimento para falar das próprias falhas também é marca registrada do editor de vídeo Chris Douglas, 37 anos. Há pouco mais de dois anos, ele estava em uma pizzaria e conversava com o proprietário do estabelecimento quando uma garota não muito atraente entrou.
"Ela chegou até nós, conversou com o dono e foi embora. Assim que ela saiu, eu comentei: "Meu Deus, como essa menina é feia". Mas a menina era filha do cara. Quando ele disse, não tive o que fazer e tentei consertar, dizendo que ela não estava bonita porque estava sem maquiagem. Mas não teve jeito", relembra.
Com o furo, Douglas ficou algumas semanas sem ir à pizzaria, mas, por sorte, a amizade com o proprietário não se desfez. "A gente só não falou mais no assunto", revela.
Melhor saída
Depois de cometida a gafe, a melhor saída é pedir desculpas, reconhecer o erro e não tentar ?consertar? a falha com desculpas esfarrapadas. Segundo a professora e consultora de etiqueta social Glorinha Braga Ortolan, um equívoco comum é emendar uma brincadeira logo após a "saia justa" para tentar descontrair.
"É uma estratégia que não funciona. Também não resolve ficar se desculpando várias vezes. Isso só piora a situação, porque coloca o alvo da gafe numa posição extremamente desconfortável", ensina.