Palocci tem endereço de R$ 4 mi em SP, diz revista>/b:
São Paulo - A moradia do ministro Antonio Palocci (Casa Civil), em São Paulo, seria um apartamento avaliado em R$ 4 milhões, perto do parque Ibirapuera (zona sul), relatou a edição desta semana da revista "Veja". Com quatro suítes, três salas, o imóvel teria 640 metros quadrados e o condomínio chegaria a R$ 4.600,00 mensais.
À revista, o ministro informou que apenas paga aluguel. O valor médio de locação no edifício, segundo imobiliárias consultadas pela revista, é de R$ 15 mil. Com o condomínio, as despesas do ministro com o imóvel chegariam a 80% do seu salário.
A "Folha de S.Paulo" revelou que Palocci comprou um outro apartamento, no valor de R$ 6,6 milhões, em São Paulo, com área privativa de 502,3 metros quadrados.
A assessoria de imprensa do ministro na Casa Civil, afirmou que ele não irá comentar o assunto. "O que a gente sempre informou é que ele vive num apartamento alugado em São Paulo."
Quatro dias após os governadores petistas se reunirem para declarar apoio ao ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), disse ontem que o crescimento patrimonial do ministro "chama a atenção" e "tumultuou o ambiente político" no País. "Se foi ganho dentro de um trabalho normal, é mérito dele, mas chama a atenção, em um ano de consultoria, ganhar R$ 20 milhões. Todo mundo se surpreende, porque é um rendimento muito grande. Chama a atenção, como chamou a atenção o apartamento dele", disse o governador
Brasília - O ex-governador José Serra saiu ontem derrotado na briga interna pelo comando do PSDB e pela liderança na fila de pré-candidatos da legenda ao Planalto em 2014. No novo balanço de poder do partido, o grupo político do senador Aécio Neves (MG) obteve o comando de postos-chave na máquina partidária. Como prêmio de consolação, Serra vai presidir o Conselho Político do PSDB.
Depois de uma madrugada tensa de negociações, Serra recuou do desejo de presidir o Instituto Teotônio Vilela (ITV). Para minimizar danos e não aprofundar o racha partidário, os caciques do partido decidiram turbinar o Conselho, atribuindo-lhe funções práticas, como a edição de normas internas. Mas apesar de presidir o novo órgão, Serra não terá ali maioria. Do mesmo colegiado farão parte o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o próprio Aécio, e os governadores Geraldo Alckmin (SP) e Marconi Perilo (GO).
A luta pelo ITV, que será presidido pelo ex-senador cearense Tasso Jereissati, mais afinado com Aécio, era o pano de fundo da convenção nacional do PSDB que reelegeu o deputado Sérgio Guerra (PE) presidente nacional do partido. A disputa antecipou 2014, em uma espécie de primeira etapa das prévias partidárias que irão escolher o candidato tucano à sucessão da presidente Dilma Rousseff. O objeto real do duelo entre aecistas e serristas era o controle da estrutura partidária para a construção de uma candidatura presidencial.
Com auditório cheio de convencionais, Aécio, Serra e FHC chegaram juntos ao evento. O trio foi recepcionado por um coro que ora pedia um "tucano na Presidência", ora "Aécio presidente". No palanque, porém, todos os discursos foram de união partidária.
O fato é que nunca antes na história tucana, o racha foi exposto de forma tão clara e o risco de uma ruptura ficou tão iminente. Na noite de sexta-feira, o embate fez subir a temperatura da crise interna a tal ponto que as três maiores estrelas do PSDB de São Paulo - Fernando Henrique, o governador Alckmin e Serra - ameaçaram boicotar a convenção nacional e não vir a Brasília. Foi um alívio quando Serra desembarcou de madrugada de ontem na Capital.
Convencidos de que o ITV é uma estrutura poderosa para Serra trabalhar seu projeto de candidatura presidencial em todo o Brasil, pela autonomia financeira e administrativa que lhe permitiria contratar uma boa equipe de assessores e rodar o País, os aecistas fecharam questão.
Avaliaram que o orçamento anual de R$ 10 milhões era alto, mas que Serra teria potencial e capacidade para triplicá-lo, captando mais recursos para o ITV. A partir daí, diziam os aecistas, Serra montaria uma espécie de presidência paralela do partido. Precisamente por isto, Aécio e os aliados que ele conquistou em todas as regiões resolveram antecipar o confronto inevitável.
A amigos, Tasso chegou a confidenciar o desconforto de se ver sentado na cadeira da discórdia. Pensou até em desistir, mas os aliados não permitiram. A mágoa do ex-senador deve-se ao fato de ele só ter aceito a convocação da bancada depois de passar por São Paulo e consultar FHC e Alckmin. O ex-presidente Fernando Henrique foi um dos que o estimulou a assumir a missão há menos de dois meses.
Na briga interna, Aécio e aliados de várias partes do País contavam com o cansaço geral da briga Minas versus São Paulo. Lembravam que, não por acaso, todos os candidatos a presidente do PSDB foram paulistas. O único movimento diferenciado partiu do ex-governador Mário Covas (SP), que lançou a pré-candidatura de Tasso, mas ficou isolado na regional paulista e a ofensiva não foi adiante.
Foi neste clima que o ex-senador Expedito Filho (RO) discursou logo na abertura da convenção, protestando contra a hegemonia paulista e a disputa com os mineiros. "O PSDB não pode ficar no eixo Rio São Paulo. Tem que olhar para todos nós, para o Brasil."